quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A náusea brasileira

  


Cardoso Filho

Um amigo pergunta se acredito na notícia de que a carta de renúncia de Dilma Rousseff à presidência da república já estaria pronta, só esperando o momento certo para ser apresentada. Melhor se diria momento desesperado. Tomara fosse verdade e ela prestaria, até que enfim, um grande serviço ao Brasil. Infelizmente, o gesto é bastante improvável, porque a ela sobra arrogância e falta a nobreza para grandes e generosos gestos. Ademais, o Partido dos Trabalhadores – PT não largará fácil o osso e fará o diabo (como sempre) para se segurar no poder. Inexiste, também, possibilidade de golpe, como apregoam os militantes do PT na tentativa de fazerem-se de vítimas. A solução para o descalabro produzido pelos governos petistas virá pelo caminho da legalidade.
O que milhões de brasileiros querem mesmo, e são mais de oitenta por cento da população, é a saída de Dilma do poder, mas sem ferir a democracia. Ou seja, por renúncia ou por impedimento baseado no que prevê a Constituição. Os gritos de “fora Dilma!”, “fora Lula!” e “fora PT!”, que varrem o Brasil, expressam não o golpismo, não o desejo de um pontapé puro e simples nos fundilhos da presidente, mas a náusea do povo diante dos erros e sujeiras praticados pelos governos petistas, que resultaram em estagnação econômica, inflação, desemprego e escândalos de corrupção já descobertos – outros escândalos virão, pois, como disse o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, referindo-se às investigações da Operação Lava-Jato, “onde se puxa uma pena vem atrás uma galinha”.
Agrava a repulsa é que os pronunciamentos de Dilma, Lula e dos ruis falcões mais irritam e exacerbam a indignação do povo. No programa gratuito do PT na televisão, na noite de 6 de agosto, por exemplo, viu-se, mais uma vez, um desfile de sandices. Dissociados da realidade, discursam como se o brasileiro fosse um completo idiota que não entendesse nada do que está acontecendo no país. Aí, o recurso é mesmo bater panelas, em demonstração ruidosa de que a paciência esgotou-se faz tempo. O fato é que o PT está moralmente na lona.
Tão no chão que Lula só aparece em eventos programados pelo PT, com a certeza de que militantes vermelhos lá estarão convocados para aplaudi-lo e tentar causar a impressão de que cinquenta ou cem manifestantes são mil. Fora isso, se for a um restaurante ou a qualquer local público, corre o risco de ser enxotado sob vaias e xingamentos. Dilma, porém, insiste. A cada oportunidade diante de microfones e câmeras de televisão, tropeça no raciocínio, nega a realidade, não tem coragem de assumir seus erros abomináveis e posa de guerrilheira heroica que, de arma em punho, lutou pela democracia brasileira, nos tempos da ditadura militar. A verdade, porém, sem fantasia ou mistificação, confessada por vários participantes da mesma luta armada, como o jornalista Fernando Gabeira, é que os militantes de esquerda, que então pegaram em armas, o fizeram para implantação de ditadura comunista no Brasil, nos moldes da cubana, e nunca para restaurar a nossa democracia. Esta verdade, no entanto, Dilma Rousseff jamais terá a decência de confessar. A pose mentirosa é bem mais promocional do que a realidade histórica. Quem aguenta?
Domingo, 16 de agosto, está aí, para novas passeatas de protesto. É hora de engrossar o recado de que o Brasil não suporta mais o petismo corrupto e deletério e não aceita retrocesso na luta contra a corrupção. Às ruas, portanto! E tremam as instituições!
Agosto de 2015.


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