segunda-feira, 13 de julho de 2015

A importância da Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS - todos podemos e devemos aprender



Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS
Aprender LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais[ (1), (2), (3), (4), (5), (6)] é divertido, saudável e um desafio em nossa capacidade de integração e urbanidade. Não precisamos de estatutos, leis, subsídios, etc.; é muito mais a nossa vontade que criará essa capacidade de comunicação que nos engrandecerá e criará em nós um potencial de respeito ao próximo.
Capacidade de Comunicação é um limiar de evolução da Humanidade que pode ser classificado e qualificado em diversos níveis. O relacionamento dos seres humanos e mais tarde diversos sistemas de registro de conhecimentos foram patamares de crescimento que agora têm inúmeras tecnologias, padrões e recursos, fazendo da Terra um planeta pequeno e fértil em todos os sentidos.
Conhecer línguas nacionais (existem centenas, se lembrarmos o que ainda existe entre nações pré-colombianas) e estrangeiras é condição de integração e desenvolvimento.
Os seres humanos têm diversos sentidos e o cérebro que podem ser formados e trabalhados para inúmeras atividades. Contingentes de pessoas podem ter restrições motoras, sensoriais, intelectuais e uma enorme combinação e graduação desses recursos naturais. Todos, entretanto, merecem respeito e relacionamento produtivo, educativo, lazer, esportivo etc.
A pessoa com deficiência auditiva e as surdas de nascimento ou adquirido vivem o pesadelo de conviver com gente normalmente incapaz de compreender suas dificuldades de comunicação. Existe uma grande variedade de situações que aqueles que adquirem a surdez de alguma forma devem saber descrever. Os constrangimentos vão da estupidez do berro após uma frase malfeita e inaudível a dificuldades até de participar de reuniões entre amigos.
Vimos nos preparativos para a Copa do Mundo no Brasil o empenho de promotores desse infausto acontecimento em criar cursos, cartilhas etc. para receber turistas. E o nosso povo?
Podemos falar de crimes e castigos, o que importa, contudo, é criar motivações, recursos, cultura de atenção para a PcD, nesse caso aquela com dificuldades sensoriais (6).
Para começar é importante lembrar a qualquer cidadão que o aprendizado pode ser feito com inúmeras motivações, o que significa a escolha de forma e objetivos, mas o mínimo que se aprenda já será importante.
Para a surdez temos livros [exemplo (7)], portais e cursos até gratuitos de LIBRAS. Línguas com sinais são importantes[i], especialmente para as pessoas surdas. No mundo inteiro mais desenvolvido existem versões dessa forma de comunicação que no Brasil é denominada LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais.
O universo de oportunidades teria como ser ampliado se governantes, executivos, entidades de classe, clubes de serviço, associações etc. criassem cursos, cartilhas, portai, blogs, filmes, mídia com o essencial a ser escolhido de acordo com o público interessado.
Note-se que a gesticulação típica da LIBRAS é em muitos casos intuitiva, valendo para qualquer país e nação. O que merece, contudo, ser aprendido é o que é um sinal padrão ou invenção oportuna.
Saber distinguir situações típicas de PcD, pessoas idosas, adoentadas, carentes de cuidados especiais é essencial à construção de cidades, ambientes e até eletrodomésticos com recursos de segurança e acessibilidade.
Aprendendo LIBRAS entraremos num universo fundamental à educação, algo que deveria começar na creche e não terminar nunca.
Precisamos aprender, não há limite de idade, sexo, condição física ou financeira, sempre haverá uma forma acessível a quem realmente quiser.  Talvez o padrão mais simplificado seja a utilização de sinais[ii] para letras e números, o que reduz substancialmente a necessidade de memorizar centenas a milhares de sinais.
O aspecto positivo da expressão através de sinais é que ela tem bases[iii] genéricas e universais, obviamente por efeito de suas origens.
Nós que vivemos a experiência de relacionamento com lideranças e pessoas com deficiência(s) acompanhamos etapas de debates e posicionamentos até radicais entre o oralismo, bilinguismo e comunicação universal. Para complicar tudo após a legalização da LIBRAS apareceram os defensores do regionalismo, dos “sotaques” e assim a mídia comercial continua protelando a adoção de padrões de comunicação. Até a Presidência da República “esqueceu” a utilização de intérpretes em LIBRAS, terá sido ordem da FIFA?
Felizmente existem pessoas dedicadas e que continuam trabalhando a favor das pessoas com deficiência(s) de forma desprendida, sem vedetismos e procurando ampliar conceitos, conhecimentos, serviços realmente sociais sem a preocupação de simplesmente conquistar cargos, votos e salários pessoais.
O futuro de nosso povo depende de nossa capacidade de amor e respeito ao próximo. Precisamos de cidades acessíveis, ambientes inclusivos, desenho universal, cultura e integração. Nossa esperança é a de que gradativamente as lideranças brasileiras tenham a acessibilidade e a inclusão como prioridade em suas atividades.

Cascaes
13.7.2015


1. Língua brasileira de sinais. Wikipédia. [Online] https://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%ADngua_brasileira_de_sinais.
2. Cascaes, João Carlos. A Pessoa com Deficiência Auditiva Blog dedicado aos deficientes auditivos de diversas formas. [Online] http://surdosegentequeluta.blogspot.com.br/.
3. —. Educação e os estudantes com deficiência. [Online] http://escolas-convencionais-e-especiais.blogspot.com.br/.
4. —. Comissão de Acessibilidade do Lions Clube Batel. [Online] http://comissao-de-acessibilidade.blogspot.com.br/.
5. —. Direitos das Pessoas com Deficiência. [Online] http://direitodaspessoasdeficientes.blogspot.com.br/.
6. —. Pessoas com Deficiência Sensorial - o desafio da Acessibilidade e Inclusão . [Online] http://pessoa-com-deficiencia-sensorial.blogspot.com.br/.
7. —. Livro Ilustrado de Língua Brasileira de Sinais. Mirante da Educação . [Online] 13 de 7 de 2015. http://mirante-da-educacao.blogspot.com.br/2015/07/livro-ilustrado-de-lingua-brasileira-de.html.




[i] Wikipédia - As línguas de sinais no Mundo
Assim como entre os idiomas falados, é grande a variedade de línguas de sinais ao redor do mundo.
Muitos linguistas se dedicaram a estudar diferentes línguas gestuais, concluindo que estas apresentavam diferenças consideráveis entre si. Deve-se levar em conta que diferenças culturais são determinantes nos modos de representação do mundo. Assim, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar com outros que utilizam uma língua diferente.1
Cada país tem a sua própria língua gestual. Tomando como exemplo alguns países lusófonos, vemos que utilizam diferentes línguas de sinais: no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), em Portugal existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP), em Angola existe a Língua Angolana de Sinais (LAS), em Moçambique existe a Língua Moçambicana de Sinais (LMS).
Além disso, da mesma forma que acontece nas línguas faladas oralmente, existem variações linguísticas dentro da própria língua de sinais, isto é, regionalismos e/ou sotaques. Essas variações se devem a ligeiras diferenças culturais e influências diversas no sistema de ensino do país, por exemplo. Há, inclusive, uma língua de sinais pretensamente universal, análoga ao Esperanto, conhecida como Gestuno, que é usada em convenções e competições internacionais.
Não se sabe quando as línguas de sinais se iniciaram, mas sua origem remonta possivelmente à mesma época ou a épocas anteriores àquelas em que foram sendo desenvolvidas as línguas orais. Uma pista interessante para esta possibilidade das línguas de sinais terem se desenvolvido primeiro que as línguas orais é o fato que o bebê humano desenvolve a coordenação motora dos membros antes de se tornar capaz de coordenar o aparelho fonoarticulatório. As línguas de sinais são criações espontâneas do ser humano e se aprimoram exatamente da mesma forma que as línguas orais. Nenhuma língua é superior ou inferior a outra, cada língua se desenvolve e expande na medida da necessidade de seus usuários.
Também é comum aos ouvintes pressupor que as línguas de sinais sejam versões sinalizadas das línguas orais; por exemplo, muitos acreditam que a LIBRAS é a versão sinalizada do português; que a Língua Americana de Sinais é a versão sinalizada do inglês; que a Língua Japonesa de Sinais é a versão sinalizada do japonês; e assim por diante. No entanto, embora haja semelhanças ou aspectos comum entre as línguas de sinais, devido a um certo contágio linguístico, as línguas de sinais são autónomas, não derivando das orais e possuindo peculiaridades que as distinguem umas das outras e das línguas orais.
A língua de sinais é tão natural e tão complexa quanto as línguas orais, dispondo de recursos expressivos suficientes para permitir aos seus usuários expressar-se sobre qualquer assunto, em qualquer situação, domínio do conhecimento e esfera de atividade. Mais importante, ainda: é uma língua adaptada à capacidade de expressão dos surdos.

[ii] Fonte Wikipédia - Alfabeto dactilológico

A difusão do alfabeto dactilológico de uma só mão entre os ouvintes gerou a pressuposição de que esse alfabeto é a própria língua de sinais, que há uma única língua de sinais e que essa língua é universal. No entanto, o alfabeto dactilológico é apenas um suplemento das línguas de sinais, cuja função é a soletração de palavras das línguas orais, tais como, nomes próprios, siglas, empréstimos, etc.
De acordo om o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), o alfabeto dactilológico usado atualmente no Brasil é um conjunto de 27 formatos, ou configurações diferentes de uma das mãos, cada configuração correspondendo a uma letra do alfabeto do português escrito, incluindo o “Ç”.
É muito aconselhável soletrar devagar, formando as palavras com nitidez. Entre as palavras soletradas, é melhor fazer uma pausa curta ou mover a mão direita para o lado esquerdo, como se estivesse empurrando a palavra já soletrada para o lado. Normalmente o alfabeto manual é utilizado para soletrar os nomes de pessoas, de lugares, de rótulos, etc., e para os vocábulos não existentes na língua de sinais.
Os sinais de pontuação, tais como, vírgulasponto final e de interrogação, às vezes, são desenhados no ar. Preposições e outras classes de palavras de que a língua não dispõe são inseridas na sinalização por meio da dactilologia, ou do alfabeto manual.
Línguas de sinais e línguas orais

[iii] Wikipédia - Aspectos comuns
·        Arbitrariedade: As línguas orais são maioritariamente arbitrárias, não se depreende a palavra simplesmente pelo sua representatividade, mas é necessário conhecer o seu significado. A iconicidade encontra-se presente nas línguas de sinais, mais do que nas orais, mas a sua arbitrariedade continua a ser dominante. Embora, nas línguas de sinais, alguns gestos sejam totalmente icónicos, é impossível, como nas línguas orais, depreender o significado da grande maioria dos sinais, apenas pela sua representação.
·        Comunidade: As línguas orais têm uma comunidade que as adquirem, como língua materna, cujo desenvolvimento se faz através de uma comunidade de origem, passando pela família, a escola e as associações. Todas as línguas orais têm variações linguísticas. Todas as línguas gestuais possuem estas mesmas características.
·        Sistema linguístico: As línguas orais são sistemas regidos por regras. O mesmo acontece com as línguas de sinais, conforme referenciado por Stokoe (1960).
·        Produtividade: As línguas orais possuem a características da produtividade e da recursividade, sendo possível aos seus falantes nativos produzirem e compreenderem um número infinito de enunciados, mesmo que estes nunca tenham sido produzidos antes. Acontece o mesmo com as línguas de sinais, sendo encontradas a criatividade e produtividade nas produções, por exemplo, da LGP, pelos seus gestuantes nativos, parecendo não haver limite criativo.
·        Aspectos contrastivos: As línguas orais possuem aspectos contrastivos, isto é, as unidades fonológicas do sistema de determinada língua estabelecem-se por oposições contrastivas, ou seja, em pares de palavras, em que a substituição de uma unidade fonológica (um fonema) por outra altera o significado da palavra (por exemplo: parra e barra). Acontece o mesmo nas línguas de sinais, sendo que em vez de unidade fonológica, muda um pequeno aspecto do gesto (por exemplo, na LGP: método e liberdade).
·        Evolução e renovação: As línguas orais modificam-se, como no caso das palavras que caem em desuso, outras que são adquiridas, a fim de aumentar o vocabulário e ainda no caso da mudança de significado das palavras. O mesmo acontece nas línguas de sinais, a fim de responder às necessidades que a evolução socio-cultural impõe (por exemplo, na LGP, os seis gestos de "comboio", ou os gestos de "filme").
·        Aquisição:A aquisição de qualquer língua oral é natural, desde que haja um ambiente propício desde nascença. Na língua gestual acontece de igual forma, não tendo o indivíduo surdo que exercer esforço para aprender uma língua de sinais, ou necessidade de qualquer preparação especial.
·        Funções da linguagem: As línguas orais podem ser analisadas de acordo com as suas funções. O mesmo acontece com as línguas de sinais. As funções são: a função referencial,a emotiva, a conotativa, a fática, a metalinguística, e a poética.
·        Processamento: Embora usando modalidades de produção e percepção, as línguas orais e de sinais são processadas na mesma área cerebral.

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