quinta-feira, 1 de junho de 2017

Se vovô soubesse...

Se vovô soubesse...
Cardosofilho
Em recente jantar, um amigo desafiou-me a escrever sobre Aécio Neves. Provocação pura diante do que está acontecendo com o senador mineiro e por saber que eu votei no moço para presidente da república. O amigo afirma que anulou o voto em protesto.
Assumo o equívoco. Todavia, em favor dos que não queriam a continuidade de Dilma, conta o fato de que não havia outra escolha. Diziam alguns que o negócio era votar em Marina Silva. Seria uma candidata de honestidade irrepreensível. No entanto, fizera parte do PT havia ainda pouco, embora sua saída do partido valesse alguns pontos a favor. De qualquer modo, cabeças muito à esquerda ou muito à direita não se recomendam. Os extremos tornam-se criminosos no poder. É a História.
Voltemos a Aécio. Já havia, então, quem o criticasse, apontando-lhe sérios defeitos pessoais, mas nada provado cabalmente. As críticas ficavam mais na conta da boataria do jogo eleitoral. Sabido mesmo era a necessidade de o Brasil afastar-se do bolivarianismo vergonhoso adotado pelos governos de Lula e Dilma Rousseff e colocar fim ao aparelhamento do Estado e compra de apoios políticos promovidos pelo PT, do que resultou monumental corrupção como nunca dantes vista, como se haveria de descobrir. Tudo com o objetivo de perpetuar-se no poder. Era a ação segundo estratégia formulada pelo teórico comunista italiano Antonio Gramsci (1891-1937). De maneira que se precisava dar um basta àquele estado de coisas e, no quadro político da época, 2014, o nome de Aécio Neves restou-me por eliminação.
Profetizar o passado é fácil. É o conhecido, oportunista e maligno “eu sabia”. Fato é que ninguém poderia prever os escândalos que as investigações e delações da Lava-Jato revelariam. Hoje qualquer um sabe que, se Aécio tivesse sido eleito, estaria tão ou mais encrencado que o presidente Michel Temer, sucessor de Dilma Rousseff, este monumento nacional à incompetência, imoralismo e ridicularia.
Trocando em miúdos, Aécio Neves nos tapeou. Mais uma desilusão, entre tantas neste Brasil pródigo em desastres de reputações. De quebra, enxovalhou o sobrenome Neves, de seu avô Tancredo Neves, que cumpriu longa carreira política sem sucumbir às tentações do poder e influência que deteve. Pelo menos é o que ficou contado. Mas é bom irmos com calma. Diante da indecência reinante na vida pública brasileira, é não é de hoje, nossas certezas se desfizeram e cederam lugar à desconfiança generalizada. Sobreviveria ele, Tancredo Neves, e outros e outros desaparecidos bem-considerados, a uma devassa como a que a Lava-Jato realiza? Não sei e ninguém sabe.
Tem hora que a gente se põe a cismar. É tanta sujeira, tanta bagunça e imoralidade nos três poderes da República, em todos os níveis, que vem a ideia de que talvez fosse melhor o Brasil acabar e dar lugar ao um novo país. Vai ver podia dar certo.

Junho de 2017.  

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