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sexta-feira, 21 de maio de 2021

Chorei para tomar vacina hoje


Chorei pra tomar vacina hoje.

 

Chorei de emoção.

Chorei lembrando dos que não tiveram tempo para tomar.

Chorei querendo que cada um que ainda não tomou, tenha essa oportunidade.

 

Naquele pequeno frasco de água transparente, continha além da vacina, suor dos cientistas, brigas políticas, noites mal dormidas por profissionais da saúde, esperança de todos.

 

No aquele frasco tinha também a reunião dos governos, as brigas de ego, o correr do relógio para conseguir realiza-la em tempo hábil, tinha a energia de que daria certo. 

 

Naquela seringa de plástico tinha o emprego de várias pessoas, novos empregos mesmo temporários, pessoas trabalhando em 3 turnos, pessoas pegando ônibus lotados para irem produzir. 

 

Naquela agulha tinha a criança esperando seus pais que demoravam pra chegar em casa pois estavam trabalhando, tinha a dor de quem perdeu um amigo ou familiar e tinha o orgulho daquele simples trabalhador da linha de produção. 

 

Naquele algodão tinha notícia de que um dia teríamos vacina, um dia teríamos cura, um dia teríamos insumos, um dia teríamos beijos e abraços. 

 

Chorei pois quando tudo isso entrou em mim, naquele momento, senti que estava ganhando além de vida,  estava recebendo nossa história de luta e esperança em meu sangue! 

 

Viva o SUS! Viva cada trabalhador que está lá fazendo o seu melhor. 

 

Chorei pelo amor que recebi. Chorei pois naquele momento tudo isso estava em mim.

 

Gratidão

 

Ariadne Zippin

Área de anexos




 


quinta-feira, 4 de junho de 2020

Não use máscaras


 
Não use máscaras

Antes de reclamar, leia o texto

Desde que a quarentena começou, eu tentei ficar o máximo em casa.Eu já tinha esse hábito de sair o mínimo possível entao não foi uma mudança tão drástica.

Precisei sair, por motivos pessoais sérios e me deparei com um mundo novo ou melhor com um mundo real, infelizmente.

O mundo está triste, as pessoas nos olham com medo, como se oferecessemos algum perigo, que de fato podemos oferecer, mesmo sem saber.

As máscaras nos deixam sentir um mundo mais melancólico pois não vemos o sorriso, não vemos o movimento facial e não vemos as pessoas.

Parada em uma rua observando o fluxo, me deparei com uma realidade pouco percebida por nós.USAMOS MÁSCARAS O TEMPO TODO mas elas eram invisíveis!

Sorrimos quando tristes.
Passamos batom para seduzir ou nos colorir e animar.
Não queremos que o outro nos veja como realmente somos.
Tentamos usar máscaras invisíveis por meio de palavras.
Já estamos habituados a isso e nem percebemos.
Quando percebemos nos machucamos.

O que está deixando o ar pesado e a tristeza é que por um lado estamos sendo obrigados a ver, com os olhos, o que nossa alma sempre soube.Usamos máscaras o dia todo!

Entramos em casa, fazemos a todo ritual de descontaminação mas esquecemos de tirar a máscara virtual.
A cada dia que passa, no isolamento, vamos descobrindo mais um pedacinho de nós, tirando um pouquinho dessa máscara, afinal estamos sozinhos.

Por um lado é salutar tirarmos a máscara mas por outro muitas vezes nos deparamos com alguém no espelho que nem sabemos mais quem é.
Ai vem a tristeza ou a depressão ou o medo ou o susto ou a ansiedade ou o nervosismo.
Estamos sozinhos em casa com alguém que não conhecemos mais!

Vamos as ruas e a sensação de usar a mascara acaba ficando de certa forma até confortável.
Não nos preocupamos com o mau halito, nem com o buço, nem com o sorriso e nem mesmo as palavras.

Sorte de quem consegue ver as pessoas por meio do olhar.

Desejo que tenhamos coragem para nos despir e tenhamos um mundo com mais máscaras de pano e menos máscaras na alma.

Ariadne Zippin
...

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Estou perdida

Estou perdida
August 23, 2016
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Ariadne Zippin

Estou recebendo mais convites nas redes sociais do que normalmente recebo, tenho sido convidada para jantares quase todos os dias da semana. Qual o motivo? Meu Voto!

Não gosto de escrever sobre política, embora ela faça parte de nossas vidas, respeito o voto de cada um e suas escolhas, então poucas vezes discuto isso por meio de redes sociais. Alguns vão falar que eu devo me envolver mais, outros que não vale a pena, enfim, cada um sabe como agir e essa é a minha forma.

O que me fez escrever a respeito? Tive algumas grandes decepções com políticos paranaenses, um amigo do peito, idealista, batalhador, se jogou nas redes do governo e dormiu em berço esplêndido nem me reconhecendo mais nas ruas. Medo de que eu pedisse alguma coisa? Não sei mas fiquei com medo, penso que o cérebro de pessoas do bem, podem estar sendo reprogramado e quase totalmente adulterado, fazendo com que esqueçam de todos e de tudo e só enxerguem a vil metal.

Outros, sim, no plural, chegam de mansinho, como amigos, como papo mole de quero te conhecer e saber de suas ideias, gostaria de ouvir o que tem a dizer. Quando digo que pretendo ouvir dele antes, sou deletada e nossa amizade “eterna” se esvai.

Ah! Tem também aquela amiga do colégio, que você não vê desde o primeiro grau e aparece cheia de saudades. Te convida para jantar, no comitê é claro! Por que em todos estes anos ela não me convidou pra jantar na casa dela, em um barzinho, no boteco, no banco da praça? Aparece agora, como papo de que o tempo não passou! Passou sim! E aliás, você colava da minha prova.....ética ZERO!

Aparecem também os tementes a Deus, aqueles que usam as palavras do senhor em nome de uma vaga de vereador, sendo que até um ano atrás estava na umbanda e fazendo festa na casa do pai de santo. Não estou falando sobre religião, respeito a todas, mas não acho justo trocar de time só por que a torcida é maior!

Ai aparece o “vizim”, uma amigo dizendo que está ajudando um vizinho gente boa e que quer meu voto. Quem é o vizinho? Não quero saber onde mora, quero saber quem é? Suas escolhas, pensamentos, ideais, ética, propostas. Hummmm!  Propostas eu não sei, segundo meu amigo, a campanha está super sem dinheiro mas posso ver com ele se ajuda no seu combustível......WHATTTTTTTTT?????????????????????????? Quero que seu vizim, chegue perto de mim!!!!!!

Temos também as pessoas que amam animais. Eu amo animais! Cuido dos meus e dos demais, ajudo quando posso e isso desde pequena, aliás em fotos antiquíssimas de família, aquela pretas e brancas com marcas de bolor, sempre tem alguém agarrada em um animalzinho, seja gato, cachorro, cobra, coelho, enfim, o amor aos animais nasceram comigo. Desta forma vamos dar chance para a “nova melhor amiga” até o dia das eleições. O que? Ah, ela tem aviário? Cria canário? Quer liberar ou proibir justamente aquilo que a beneficia, huuummmm, mais uma deletada.

Ex político. Deletado! Mas ele era bonzinho. De gente boazinha o inferno está cheio. DELETADO!

Sou de extrema......DELETADO!

SOU, SOU, SOU, SOU!!!!!! No meu mais grandioso sonho egoico, não penso em ser 1 milésimo do que eles já acham que são. Imagine se forem eleitos!

Estou perdida. Tenho meu voto. É um só, eu sei, mas é meu. Devo honrá-lo. Não vou sortear, não vou leiloar, não vou doar e não vou estragar. Isto está definido.

Então por que estou perdida? Pois esse simples voto, não tem destino. Ainda não encontrou quem o mereça, ainda não encontrou quem o use em prol do bem maior.

Estou perdida, por não saber se até as próximas eleições eu terei alguém que realmente eu possa dar meu voto e sentir que fiz a coisa certa.

Posso garantir que só me senti pedida, quando me encontrei!

P.S: Queridos pretensos políticos poupem meu trabalho, se quiser tentar me engambelar, nem me adicione, assim não perco tempo te excluindo! Tenho dito!


terça-feira, 21 de junho de 2016

Te desejo O nada!

Te desejo O nada!
June 20, 2016
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Ariadne Zippin

Você já se pegou pensando sobre como preencher um vazio em sua vida? Parou para sentir o que estava faltando em sua empresa?

O que normalmente está faltando em nossa vida e para que tenhamos o equilíbrio necessário para chegarmos onde queremos é o vácuo!

Quando criança estudamos sobre as descobertas de Arquimedes. Ele descobriu que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Sendo assim, em nossas vidas, vamos em busca de preencher tanto um “vazio” que não sobra espaço para coisas novas e boas. As coisas precisam fluir e para fluir elas precisam encontrar espaços vazios.

Parece um tanto complicado, mas é simples, para nos preencher, precisamos nos esvaziar.

Digamos que você more em um apartamento com apenas uma garagem e não tenha outra para alugar. Você ganhou um carro em um sorteio. O que você faz? Se desfaz de um deles para que o outro (que for melhor pra você) fique! Em nossos relacionamentos acontece a mesma coisa. Não existe espaço para algo novo e bom, se não deixarmos a vaga vazia. Na nossa empresa muitas vezes nos vemos cheio de tarefas que acabamos cancelando compromissos que nos fariam bem e poderiam até nos dar mais lucro do que o compromisso que já tínhamos. O medo de não ter o que fazer ou o sentimento de ociosidade nos deixa aflitos e estamos sempre em busca de ficarmos “lotados” de serviço. Pense quanta coisa boa para seus negócios poderiam acontecer se você tivesse espaço vazio em sua agenda.

A meditação, hoje em dia, mais que moda, já está virando uma necessidade. As pessoas estão em busca de encontrar e criar esse vácuo. A necessidade e ao mesmo tempo a dificuldade de criar esse silêncio da mente, tem feito com que mais e mais pessoas busquem meditar. A meditação, nada mais é que colocar o vácuo, dentro de si. Acalmar a mente para deixar que coisas boas entrem.

O desapego também é extremamente importante para nosso bem estar. Perceba a diferença entre duas pessoas. Uma pessoa guarda dinheiro pois no final da vida tem medo de envelhecer e não ter onde morar ou não ter dinheiro para comprar remédios e a outra que guarda dinheiro para fazer uma viagem de volta ao mundo quando se aposentar. Qual você diria que está certa? Não cabe a mim julgar as escolhas mas cabe a mim apontar a diferença vibratória e o preenchimento errôneo de seu ser.

A que guarda dinheiro com medo de envelhecer já carrega o medo e atrai o envelhecimento para sua vida. Atrai também o medo e a doença. Atrai o medo da solidão. Essa pessoa está preenchendo a vida dela de coisas negativas, atraindo tudo que ela não deseja, pois só em pensar nessas possibilidades, elas são lançadas ao universo, trazendo a elas aquilo que deseja. A outra almeja viajar, conhecer e viver.  Qual das duas você acredita que terá um futuro melhor?

Quando falo que dois corpos não conseguem ocupar o mesmo espaço, afirmo que se você está preenchido de coisas boas as ruins não entram e a recíproca é verdadeira.

Se você está na porta do mercado segurando suas sacolas e alguém joga para você um vale presente de um ano de mercado grátis, você não consegue pegar, não é mesmo? Você pode se perguntar agora, mas qual a possibilidade disso acontecer? Eu te digo que acontece todos os dias.

Você reclama do seu trabalho e não tem tempo de ir procurar outro. Você é convidada para jantar mas devido ao trabalho resolve recusar e deixa de conhecer o amor de sua vida, um grande cliente ou um novo amigo. Te convidam para ser sócia de uma empresa e o medo de arriscar faz com que desista. Isso se chama ser preenchida!

Busque o vácuo. Deixe com que as oportunidades fluam. Deixe espaço para que as energias boas circulem.

Deixe espaço na sua vida para as coisas que são suas e estão a caminho. Pare um pouco de pensar, apenas seja e sinta. Deixe o vácuo tomar conta da sua vida. No vácuo o som não se propaga. Nele você não ouve os outros. Você não ouve o medo. Você escuta a sua intuição. Você escuta o seu ser e aí sim saberá o caminho a seguir e saberá o que deve ficar e o que deve desapegar, deixar ir para que o novo e o bom tenha espaço de chegar em sua vida e na sua empresa.


Desejo a você leitor, que sua vida seja repleta de nada e que esse nada seja repleta de vácuo e que isso te faça feliz!!!

terça-feira, 12 de abril de 2016

O P Ã O D A V I D A

O  P Ã O    D A   V I D A

                                                   Anita Zippin

No meio da tarde, uma tarde entre o sol e a chuva, o telefone toca.
Quem será? Vem a curiosidade interna de todos os que estão vivos e bem vivos a sonhar com o minuto seguinte de vida bem vivida.
Minha filha Ariadne quem fala, dá o depoimento do que se passou há poucos minutos, que logo contarei.
O interessante é ela ligar logo para mim, no meio de tantos amigos, colegas de trabalho e duas boas filhas.
Mas os laços de ternura que unem mãe e filha são muito fortes no momento da emoção, daí eu ser a escolhida para ouvir um dos depoimentos mais belos de um entardecer comum para mim, mas marcante para mim e para os que comigo irão saber qual o motivo.
Contou ela, ainda ofegante, que estava passando com sua camionete da Pani em Casa, no Batel, quando viu um senhor sendo agarrado por duas enfermeiras, mas que logo se soltou de uma e deixou a outra no chão, indo direto para o meio dos carros em movimento.
Na frente, uma Casa de Repouso. Por certo, ele queria fugir e as duas jovens quem tentaram detê-lo, não conseguiram até aquele momento, lograr êxito.
Foi quando Ariadne por lá passava, feliz e faceira, sim com dois efes, e previu o possível desastre. Lembrou por certo da manchete do dia seguinte, tipo:
‘morre idoso que fugiu da casa de repouso, após se livrar das enfermeiras ou,.
Demente que tentava escapar do asilo, escolheu a morte à prisão da alma.
Tétrico, mas cabeça de escritor, como é de minha filha e a minha, passou por este estágio.
Mas, vamos ao que interessa, que ao que indica, é bom à beça!
Imediatamente, vendo o senhor solto sem saber o que acontecia vir para cima dos veículos em movimento, Ariadne jogou o seu carro para o acostamento e procurou ali dentro o que teria para socorrer o aflito.
Viu pães, pães e mais pães, produto de seu trabalho e de seu marido, a entregar de casa em casa.
Pegou um nas mãos e gritou para o idoso:
-‘Quer pão? Quer pão?”
O ser desnorteado, talvez a se lembrar do tempo em que entregavam pão fresquinho em sua casa, quando adolescente, foi em direção ao pacote que estava no alto da janela da camionete.
E, este momento em diante, entrou em outra fase, aceitando conversar e dizia:
“eu quero pão. Me dá o pão”!
Foi quando as enfermeiras, novamente o tinham sob controle e, mesmo assim, minha filha ficou a conversar com ele, prometendo que ele teria pão, que naquela casa ali, ou seja, a casa de repouso, a moça que o segurava pelo braço iria lhe dar um pedaço para comer.
Ele saiu alegre, feliz como quem ganha na loteria.
E Ariadne me ligou.
Que dizer a esta menina, sempre menina, doce mulher?
Sim, que só esta tarde justifica seu trabalho dia e noite para que novas casas tenham alimento bom, conversa franca e astral dos melhores em suas visitas. E, de brinde, podem ter pães, broas, doces e outras guloseimas.
Que o carinho dispensado a todos, e hoje espelhado nesta vida que ela acabou de salvar, vale pela vida que eu salvei ao tê-la num feliz dia 30 de março.
Se tivesse de repetir, mais uma Ariadne eu faria!
Este é o pão da vida, esta é a história que talvez não se repita, mas que merece ficar registrada nesta tarde que estava entre o sol e a chuva, mas que deu Vida!
Agradeço minha menina pela graça de ser sua mãe, sua colega do palco da bela história de amor ao próximo onde eu estava bem perto dela, do outro lado da linha de um celular... mas dois corações estavam a fibrilar na mesma frequência, em busca de salvação.
Este é o Pão da Vida, narrado e protagonizado pela minha ganhadora do Oscar, Ariadne Zippin.
A todos que comigo caminharam nestas linhas, que a vida de todos seja leve e bela como o sol que venceu a tempestade deste dia comum, mas um dia muito especial.


(Anita Zippin, advogada, jornalista, presidente da Academia de Letras José de Alencar)

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