sexta-feira, 7 de maio de 2021

Violência ação policial na Favela do Jacarezinho

 

Violência ação policial na Favela do Jacarezinho

 

A violência no Brasil atual, vide “o Massacre na Favela do Jacarezinho”, é o resultado de uma contracultura de muitos séculos que se desenvolveu no Brasil e gerou guerras civis, caudilhos, cangaceiros, justiceiros e agora milícias e quadrilhas de traficantes e assaltantes de toda espécie.

O Brasil é um país de dimensões continentais, assim mostra índoles e culturas diferentes.

Infelizmente o nosso Presidente da República prometendo combater os bandidos com violência, não falou em aplicação da Justiça.

As desigualdades sociais brutais transformam crianças em criminosos e criminosas.

As elites, a “gente de bem” não é exatamente do bem. Elites privilegiadas de diversas formas, principalmente sobre o poder de riquezas lícitas e ilícitas mandam no Brasil.

Isso não é privilégio brasileiro.

Máfia, Tríades, Yakuza etc..; organizações criminosas existem por todo lado, algumas com características diferenciadas, mas todas explorando vícios, negócios ilegais, assaltos, contrabando e tudo o que der lucro sem muito esforço.

O trabalho honesto exige disciplina, respeito a leis aceitas formalmente, respeito a sociedade.

Empreendedores e empregados sérios e responsáveis procuram padrões honestos. Dificilmente farão fortunas, exceto alguns realmente competentes.

No Rio de Janeiro as contradições são explícitas.

As favelas existem junto a bairros de altíssimo luxo.

A Polícia é o exército de quem manda contra quem deve obedecer.

Jovens se alistam e passam por processos de lavagem cerebral e treinamento de guarda e guerrilhas.

Os cariocas, acima de tudo, recusam-se a ver e trabalhar pelo aprimoramento da Cidade Maravilhosa.

São as esquerdas do Chopp e tardes nas praias.

Com certeza isso é quase demonstração de preconceito nosso, mas todos deveriam zelar pela cidade e pensar que quando falam da Amazônia esquecem a Floresta da Tijuca e a poluição na Baía da Guanabara.

Querem serviços essenciais de primeira para quem, pode pagar. Grande parte da população carece de esgoto, água encanada, acessibilidade, segurança e escolas, creches e educação para a evolução necessária.

Nos tempos da escravidão os negros eram tratados como bichos e os donos das senzalas olhavam seus escravos como objetos comerciais.

A promiscuidade era estimulada e o racismo radical.

Em 13 de maio de 1888 a escravidão formal acabou, mas de fato os libertos foram jogados às traças para exploração de fazendeiros, comerciantes, industriais e muito mais “gente de bem”.

A vitória de Jair Messias Bolsonaro trouxe de volta o fantasma do fascismo, da lógica do mais forte. Venceu as eleições de goleada peala falsa esquerda brasileira degradou-se nos sabores do Poder.

As tentativas de administrar o Brasil estão balançando também pelo pesadelo do Covid, uma pandemia que mostrou a desinteligência inacreditável de nosso governante maior.

Felizmente à medida que o tempo passa os Três Poderes mostram vontade de mudar e compensar erros do Poder Executivo, nem sempre de forma correta.

O Rio de Janeiro mostra isso tudo: violência, pandemia descontrolada, corrupção, incompetência e gente desesperada.

Os policiais serão talvez punidos.

Jovens e adultos treinados para matar mataram gente demais.

De quem é a culpa?

Dos traficantes?

Dos criminosos donos do crime na Favela do Jacarezinho?

Quem mais?

O que fazer?

https://youtu.be/7tyKyxAuhww

https://youtu.be/cboeExRHG5Q

https://youtu.be/UCDMXx62KJ4

João Carlos Cascaes

Curitiba, 7 de maio de 2021

https://tinformando-meus-blogues.blogspot.com/

quarta-feira, 28 de abril de 2021

Balas Zequinha

 Balas Zequinha

Caixa de entrada

hamilton bonat

06:00 (há 3 horas)
para
Caras(os) amigas(os),
Famosas em Curitiba, as Balas Zequinha estão de volta.
Graças a isso, resolvi republicar um texto (Zequinha, o da bala) que escrevi há algum tempo.
Espero que gostem. Está no meu blog: www.bonat.com.br  
Um fraterno abraço. Bonat (Hamilton)

domingo, 25 de abril de 2021

A perda prematura do pai e a sobrevivência da família

 Nossas famílias (minha e de minha esposa) perderam os pais muito cedo. Em 1966 Pedro Cascaes faleceu após curto período de conhecimento do câncer que o fulminou e minha mãe não estava preparada para o desafio da viuvez.

Minha irmã viu-se obrigada a cuidar dos negócios familiares ainda muito jovem pois todos aceitavam o fato de que eu, sendo casado, estudante em Minas Gerais e com uma filha recém-nascida deveria continuar os estudos.

Meu irmão, o Pedrinho para nós, era criança. Sentiu demais a falta do pai, o que lhe afetou a vida posterior de forma decisiva.

Com certeza o Pedro Cascaes não sonhava que isso pudesse acontecer. Tinha muita saúde, escapara com vida até da Gripe Espanhola que contraiu na infância, sucumbiu ao câncer. Fumava demais.

Pedro que os amigos chamavam de Pedrinho era espartano, lúcido, cauteloso, trabalhador e vivia para as famílias, em casa e em Florianópolis.

Deixou muito dinheiro e logo minha mãe e a Soneca mostraram o que fazer com o dinheiro. Compraram um belo carro, mais tarde um apartamento em Camboriú que muito pouco não se transformou em tragédia. O bloco de quatro pavimentos onde estava esse sonho de lazer desabou meio mês antes de ser ocupado.

Ir passar férias em Santa Catarina ganhou outra dimensão para nós em Curitiba.

O estilo folgado era o prêmio que meu pai sonhava ter após a minha formatura, imagino.

Minha irmã assumiu responsabilidades enormes soube cuidar da mãe enquanto aguentou. A velhinha era uma fera quando provocada.

NO principal reflexo da ausência do pai foi a educação do meu irmão. Ele unia suas gaiatices com o trabalho e seu estilo de líder o envolveu em atividades políticas que meu pai abominaria, imagino!

De longe vimos tudo isso e por azar quando o mano foi estudar no CEFET em Curitiba, 1972, mudamos para Florianópolis onde fiz mestrado. A liberdade que usufruiu em Curitiba levou o Pedrinho para amigos laboriosos e modernos. Vendeu até sandália na feirinha. Repetiu lá o que fizera em Blumenau vendendo limão do quintal de casa de um amigo. Eles foram surpreendidos pela mãe, insistentemente convidada a comprar as frutas.  Naturalmente tudo virou piada pois os vendedores deviam ter algo em torno de 5 a 6 anos.

Infelizmente nem tudo eram alegrias, mas situações divertidas aconteceram quando o Pedrinho pode dirigir carros e cuidar de uma loja na Rua 15. Um dia minha mãe foi ao dentista, Dr. Tonolli, e da cadeira de trabalho dele viu um carro atolado na prainha sendo empurrado por pessoas com o uniforme da Instaladora.  Era meu irmão que tinha atolado por lá durante a noite com uma namorada...

Os negócios prosperaram até a criação do Plano Real, foi um desastre em Blumenau.

Antes disso, contudo, compraram um apartamento no Edifício Aquarius em Balneário de Camboriú, lugar que minhas filhas aproveitaram ao máximo.

Quando foi possível eu e a Tânia passamos a ter nosso ninho num conjunto que tinha até piscina. A partir daí a praia perdeu importância e a Isabela e a Juliana ganharam um lugar especial. O Caio Lúcio também, praia para quê?

Isabela até ajudou o porteiro a controlar a cancela... O Caio um dia fez xixi na cabeça do zelador... as artes e festas eram rotina que eu aproveitava nos finais e semana e nas férias.

Deixando amenidades de lado fico pensando no que vemos agora, diariamente, com as viúvas, órfãos, pessoas que perdem a estrutura emocional e material morrendo de Covid e outras doenças por falta de atendimento pleno.

A tristeza é uma sombra diária...


João Carlos Cascaes

Curitiba, 25 de abril de 2021

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quinta-feira, 15 de abril de 2021

Destaque para apresentação da nova sede da ALJA - gravação interrompida ...


Reunião da Diretoria da ALJA, Reunião a distância, planejamento ALJA, voluntariado, análises de desempenho, Academia de Letras José de Alencar


Momento democrático MVI 0788


Reunião da Diretoria da ALJA, Reunião a distância, planejamento ALJA, voluntariado, análises de desempenho, Academia de Letras José de Alencar


Com a palavra nossa Presidente Confreira Anita Zippin MVI 0787


Reunião da Diretoria da ALJA, Reunião a distância, planejamento ALJA, voluntariado, análises de desempenho, Academia de Letras José de Alencar


Confrade Engelbert com a palavra MVI 0786


Reunião da Diretoria da ALJA, Reunião a distância, planejamento ALJA, voluntariado, análises de desempenho, Academia de Letras José de Alencar


Critérios e expectativa dessa primeira reunião cibernética MVI 0785


Reunião da Diretoria da ALJA, Reunião a distância, planejamento ALJA, voluntariado, análises de desempenho, Academia de Letras José de Alencar


início de reunião da Diretoria da ALJA - preparativos MVI 0784




Reunião da Diretoria da ALJA, Reunião a distância, planejamento ALJA, voluntariado, análises de desempenho, Academia de Letras José de Alencar


quarta-feira, 7 de abril de 2021

ESPERANÇA VACINAL


ESPERANÇA VACINAL
Jadson Porto, 06/04/2021

Em uma caixa, era a sua morada
De lá, foi a última a sair
Com diversos males estava encaixada
A curiosidade fez a caixa abrir.

Esperança é a sua graça
Convivia entre males e desgraças
Em uma caixa fechada, com pirraças
Não se contaminou e com todos se engraça.

Da caixa saiu, pelo mundo percorre
Em diversas formas e boas intenções
Em expectativas e possibilidades discorre
Com curas, alegrias e aspirações.

Hoje, a Esperança tem nova morada
Pequena, transparente, a todos fascina
Em formato líquido, a ser inoculada
Seu novo nome é Vacina.



domingo, 28 de março de 2021

“Mulheres das Letras”, um evento marcante

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Centro de Letras do Paraná

Março de 2021

“Mulheres das Letras”, um evento marcante

            Alcançou excepcional repercussão o evento remoto “Mulheres das Letras”, que o Centro de Letras do Paraná realizou, em nove de março, homenageando mulheres de destaque no meio cultural paranaense.


Nove associadas do CLP 

presidem outras entidades!

            Abrindo o evento “Mulheres das Letras”, foram homenageadas nove associadas do Centro de Letras que se revelam líderes também em outras entidades, presidindo-as. Todas participaram e falaram sobre suas atividades e as instituições que presidem: Andréa Motta Paredes, Presidente da União Brasileira de Trovadores – Seção Curitiba e Estadual do Paraná;  Anita Zippin, Presidente da Academia de Letras José de Alencar;  Cássia Cassitas, Presidente da Academia Feminina de Letras do Paraná; Chloris Casagrande Justen, Presidente do Centro Paranaense Feminino de Cultura e que presidiu a Academia Paranaense de Letras; Lilia Maria Machado Souza, Presidente da Academia Paranaense da Poesia;  Maria Inês Borges da Silveira, Presidente da Academia de Cultura de Curitiba (ACCUR); Maria Teresa Marins Freire, Presidente da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritoras – Coordenadoria do Paraná;  Valéria Borges da Silveira, Presidente da Associação Literária Lapeana, do município da Lapa; e Vânia Maria Souza Ennes, Grã-mestra da Soberana Ordem do Sapo. A participação de todas abrilhantou o evento!


Presidentes homenageadas

            As homenagens se estenderam às cinco mulheres que já presidiram o Centro de Letras. As duas primeiras, Leonor Castellano, Presidente de 1949 a 1952, e Juril de Plácido e Silva Carnasciali, Presidente na gestão 1968/70, tiveram suas memórias exaltadas pelas escritoras Teresa Teixeira de Britto e Vânia Maria Souza Ennes, integrantes da atual Diretoria. Em seguida, participaram as outras três Presidentes: Alzeli Bassetti, Adélia Maria Woellner e Neumar Carta Winter, que relataram aspectos relevantes das suas gestões e da história da entidade. Momentos maravilhosos!


Lembradas outras colaboradoras

            Também foram lembradas outras mulheres de destaque e que colaboraram com a Diretoria do CLP, em diferentes épocas, e citadas todas as que hoje ocupam cargos na Diretoria e suas Comissões de Assessoramento.

 

Poesia e música presentes

            O evento também teve poesia e música. Os poetas Emanuel Mascarenhas Padilha e Cyroba Cecy Braga Ritzmann apresentaram poemas, de suas autorias, em homenagem às mulheres. Na abertura, a compositora Ediméia Barreto da Silva executou, ao piano, uma das suas belas obras. Manoel Anísio Moscalewski encerrou o evento com apresentação musical em homenagem a todas mulheres. 


segunda-feira, 1 de março de 2021

LOCKDOWN

 LOCKDOWN (por mim, Vera Rauta)

Moro em Curitiba, Capital do Paraná

Aquela que já foi chamada de Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais

Sou guria, uso japona, adoro vina e pinhão

É a minha cidade do coração.

Minha cidade é para ser vista e apreciada, vivida e contemplada

Mas, eis que de repente...

Gente...

Não é que estamos novamente em lockdown?

Em tempos de pandemia, de agonia e de monotonia

Sei que se trata de uma medida de segurança

Que afeta não apenas a minha vizinhança.

Lockdown? Como funciona?

Temos restrição à circulação

Bloqueio total de uma região

É uma recomendação.

Já disse que Curitiba é a minha cidade do coração

E em tempos de lockdown

Esse coração fica sobressaltado e preocupado 

Aflito e solito.

Quantas vidas já se foram

Quantas famílias imploram

Um leito em um hospital

Para pacientes em estado terminal.

Quantos médicos e enfermeiros

Sem parar um dia inteiro

Tentando salvar vidas

E tanta gente, poxa vida

Nem aí para essa corrida...

Mas eis que vem a vacina

Que traz uma grande esperança

Que ela interrompa essa transmissão

Para também curar meu coração.

Para que Curitiba volte a ser a inspiração

A cidade do ligeirinho, da bolacha e do penal

Porque aqui não há lugar para esse mal

Apenas queremos voltar ao normal

Lockdown: tchau!



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

I CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE DIREITO DO CONSUMO

 De: Mário Frota <mariofrota@sapo.pt>

Enviado: terça-feira, 23 de fevereiro de 2021 08:36
Para: Mário Frota <mariofrota@sapo.pt>
Assunto: CELEBRAÇÕES DO DIA MUNDIAL DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR

 

 

CELEBRAÇÕES DO DIA MUNDIAL DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR

 

apDC, pela sua Delegação de Leiria e em cooperação com o Politécnico de Leiria, leva a cabo a

 

I CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE DIREITO DO CONSUMO

 

sob o lema

 

CONSUMO SUSTENTÁVEL”

 

Para além dos Profs. Mário Frota, Susana Almeida e Fernando Silva, intervêm como oradores os Profs. Guillermo Orozco Prado (Universidade de Granada, Espanha) e Bruno Miragem (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil).

 

Os temas versados são de uma importância ímpar para o presente e futuro da sociedade:

 

da “Economia Circular”

 

ao combate à “Obsolescência Programada

 

com realce para a “Transição Ecológica das Políticas de Consumidores”,

 

no quadro da Nova Agenda Europeia do Consumidor (2021/2025).

 

O evento realizar-se-á através de plataforma digital e principiará às 14.30 de 19 de Março do ano em curso.

 

A participação é gratuita.

 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Alguns cuidados de garoto de Blumenau

 


Alguns cuidados de garoto de Blumenau

 

Infelizmente as fotografias de minha infância são raras e não mostram o que era viver em Blumenau e passar as férias em Florianópolis ou Laguna. Era uma época radicalmente diferente da atual. Parece que nascemos em outro mundo.

Ainda pouco acendi um palito de citronela para afugentar as moscas. Pequeninhas, mas que aparecem principalmente sobre a fruteira. Fica a dúvida sobre o que fazer, mas é uma oportunidade de lembrar dos mosquiteiros, da espiral do “Boa Noite” e principalmente de um esporte que pratiquei durante muito tempo: matar esses insetinhos (pura covardia minha) com um elástico. Era bom na pontaria e na casa em que moramos passávamos o dia brincando na rua, florestas de Blumenaus, em casa e no quintal. O porão era muito alto e assim o andar piso da casa era multi uso. Não gostava quando a empregada limpava as paredes. Meus troféus desapareciam.

Blumenau foi espaço para uma infância e juventude especial.

Pensava, é normal até primos citarem relacionamentos com famílias. Lá em casa isso não existia, tralvez porque os sobrenomes das famílias tradicionais fossem alemães.. Virou diversão mais tarde, quando o turismo começou para valer, ouvir turistas dizerem aonde queriam ir...

O tempo era diferente, saíamos de casa com a recomendação sempre repetida, cuidado com coice de cavalo cobras, não pisem em xixi de cavalo, nada de pescar, etc.

Que recomendações os pais dão hoje? Poucas pois exceto crianças mais pobres saem de casa sozinhas.

Os carros mudaram a vida urbana, para pior...

A pandemia mais ainda, que adultos teremos?

Felizes ou malucos?

João Carlos Cascaes

Curitiba, 15 de fevereiro de 2021

domingo, 14 de fevereiro de 2021

O bloco da vacina sai à rua, com agendamento.


 ÊTA... ... ...

Caixa de entrada

familiabonat

Anexos13 de fev. de 2021 22:13 (há 19 horas)
para anitamim
Boa noite. Anita e os Cascaes.
Rei Mômo que reine, mesmo que esteja no sofá.
O bloco da vacina sai à rua, com agendamento.
Bem feito ao corona.
Abraços

Arquivos em PDF e JPG

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Ê T A, B I C H O L E V A D O!

                                                                         Ê T A, B I C H O   L E V A D O! 

                                                   Anita Zippin

Êta, bicho levado!

Chegou, viajou muito, fez turismo, percorreu todos os países em tempo recorde e, não quer ir embora.

Vem com ar de novidade, recebe o nome feio de Covid19. 

Já deveria ser Covid20, Covid21, mas resolveu aceitar o título que lhe deram. Vai que tem um mais bonito para tanta maldade.

Peludo! Ou será cheio de pontas? Redondo já chega repleto de manias. Gosta, não gosta, quer, não quer; até parece que vai reinar por muito tempo.

A gente demora anos para descobrir o que os filhos gostam ou não gostam. Maridos, então? Nem falar. Estes são bons, mas vem de outra formação. Tem gente que leva a vida inteira tentando agradar seu companheiro, ou companheira e, quase nunca acerta. 

Mas este bicho levado, que já está há um ano por aqui. A gente sabe tanto, mas tanto ! E a mídia, voltou-se inteira para ele; o dia inteiro nas manchetes:

Ele gosta de abraço. De beijinho, então? Deve se sentir muito bem. 

E tosse, então? Fica o bicho na torcida, mais tosse, mais tosse. Tomara que com muita gente ao redor.

Frio é sua estação preferida. Mas em sua viagem pelo mundo, gostou de tudo. Até do imenso calor da África.

Contam que não gosta de álcool líquido. Tem de ser em gel . As garrafas e mais garrafas tomadas por aí, parece que não o assustam, pelo contrário. Quanto mais gente a comemorar, mais tempo ele irá ficar. 

E que chato! Não abandona os idosos. Parece que nunca teve mãe, pai, ou avós? Gruda com todas as forças nestas pessoas e, quanto mais cabelos brancos, mais ele quer conhecer, dar trabalho e, quem sabe, ficar até esgotar a energia dos coitados que tem pouco tempo de vida.

Ele adora festa, aglomeração. Mas, como castigo, já que veio num carnaval e saiu dançando por aí, desta vez não terão os tradicionais. Sei, entendi muito bem! Já está de olho nas fantasias em festas clandestinas. Ah, vai querer ser um pierrô? Ou uma colombina? Azul ou rosa? Menino ou menina? Pelo seu mau  humor, nada combina.

Detesta gente que fica em casa. Ah! Estes nem recebem sua visita. Tem pavor de pessoas isoladas. Pode ser porque vão ficando tristes, de mal com a vida, ou até ficam rezando para que  o bicho vá embora de uma vez.


Adora passear pelas ruas de todas as cidades e, como a brisa voa e não deixa as pessoas enxergarem onde ele está a passar. Percorre  todos os lugares abertos, fechados e gosta mesmo de ônibus lotado, de  hospital sem leito, de idoso sem poder respirar. Ah! Isto sim, é a glória. Parece até que bate palmas quando vê as covas rasas a levarem gente que ele visitou e agora estão numa lista enorme a receber o adeus. Lágrimas dele? Só se for de crocodilo.

Se o bicho escolhe quem levar primeiro? Tal qual produtos que usam contra ele, que chamam de vacinas, vai quem estiver pela frente. Não respeita família, posição social, importância da pessoa na sociedade, se é um artista, um escritor. Seja o que for, passa o dia e a noite ávido por mais vítimas. Mil? É pouco! Adora quando contam que foram 220.000, ou 400.000 de uma cidade com nome de santo, parece que São Paulo. Gosta tanto,  que é capaz de ir às igrejas ser conhecido. Basta que tenham vontade de olhar para o alto. Enquanto estão lá com suas bíblias e músicas, os sinos badalam por mais vítimas que ele deu causa, vai entrando disfarçadamente, sem deixar vestígios. E, como se sente bem!

Ah! Lembrando mais uma vez do carnaval, apareceu do nada  e exige de todo mundo máscaras. Bonitas, feias, grandes, pequenas, coloridas, lisas. Não importa. Pensa que o mundo é um grande baile de máscaras, como o famoso Baile em Veneza. Em vez de alegria, tristeza. 

Batom, maquiagem, mulheres belas? Está nem aí. Bonita ou feia caiu na rede, é peixe!

Etâ bicho levado!

Agora fazem filmes e livros sobre você e, nem vê, tampouco lê. Vaidoso!

Veio para incomodar. 

Irá embora um dia?  Daqui a 20, 30 anos, ou mais.

Por enquanto, receberá umas cócegas na barriga; vacinas fraquinhas que nem o afastam. Mas, fica meio assustado com outras que ainda podem chegar. Umas tem só perfume que ele não gosta. Outras? Quem sabe, quem sabe. 

Até lá, deita e rola! Ri e nunca chora.

Ama a desgraça alheia.  Vai e vem onde tem vontade. É o comentário do século e fica todo garboso, com o peito cheio de pelinhos, vira uma bolinha redonda de tanta alegria.

Êta, bicho levado!

Tomara um dia saia do nosso lado!

Por enquanto, vamos conviver. Você lá e eu cá. 

Como diz marchinha de carnaval: 

“Neste ano, tá combinado. Nós vamos pular separados”.

Xô, bicho levado!

(Anita Zippin, advogada, jornalista, Presidente da Academia de Letras José de Alencar e  membro do Observatório de Cultura do Paraná)


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

REMEMORANDO – CORÔNICA CRÔNICA

REMEMORANDO – CORÔNICA CRÔNICA

24/5/20


“A bibliotheca, n’um concilio ecumênico de Lettras, ostenta, repleta e rica, o seo poder superior de chrysallida fecunda das civilisações”. Silveira Netto. Revista do Club Coritibano. Coritiba, 6 de janeiro de 1893. Anno VI – Número Especial – p.6.


Aspirador de pó num canto, fatigado de trabalho tanto, Cds, DVDs, Fitas de Vídeo e até uns Vinis foram redescobertos e descobertos das pátinas do esquecimento.

Mas gostoso, mesmo, foi revisitar as fotografias, aqueles álbuns no fundo da gaveta, outros na prateleira, na última e mais alta, fotos soltas naquela caixa marchetada com figuras de araucárias que antes ficava sobre a cômoda da vó.

Avidamente foi folheando aquele repositório de memórias familiares, paternais, maternais, amigas, aventureiras, cheio de saudades e histórias.

Há tempos não sentia necessidade dessas informações, apagadas pareciam, porém, ao mesmo tempo em que as imagens eram revistas, os nichos de memória foram  sendo encontrados.

Pegou, por primeiro, modo aleatório, o álbum da infância da mãe, falecida há 2 anos.

Viu, com admiração, semelhanças físicas, ah, pensou, a genética.

Prestou mais atenção, recordou da mãe contando de uma boneca que nunca largava e lá estava ela, não dava para ver direito, foto antiga, desgastada, pequena, mas tinha alguma coisa com cabeça, braços e pernas, só podia ser aquela boneca!

A casa dos avós maternos nas fotos, chegou a conhecer, mexia tanto na caixa marchetada que a avó se rendeu e a presenteou no aniversário de 12 anos: relicário que ninguém podia tocar.

Mamãe tão pequena, tão frágil, nem figurava viria a ser a mulher resoluta e obstinada na defesa da família.

Outro álbum e lá estava com primos num verão no interior de São Paulo – rostos felizes.

A filha de 7 anos vendo a atenção dada, aninhou-se no colo e pedia explicações, quem eram, aonde estavam, quantos anos tinham.

Vencido outro caderno de fotos, pegou o da formatura, 34 anos passados. Encontrava-se, até hoje, com alguns amigos. O grupo mais próximo seguia saudável, sem baixas, agora todos no whatsapp.

Tinha uns bilhetes no meio, mensagens de um Amigo-Secreto. Eram animados os jovens bacharelandos.

O menino de 12, arisco nos limites do apartamento, num acesso de ciúmes e curiosidade, sentou ao lado, e riu dos “tios” com cara de novos.

Unidos, prospectaram aquelas fotos, as coladas, as soltas, filho e filha questionando sobre pessoas e lugares.

Os arquivos do backup cerebral se foram abrindo e contou aos filhos as brincadeiras com os primos, como era sua escola, como era antes do smartphone, o que a mãe cozinhava, no que trabalhavam os avós.

Assim feitas as provocações, viu-se contando sobre sua vida na infância e na adolescência, no seu trabalho, como se apaixonou e casou, eles não perguntaram, mas ficou buscando as causas do divórcio. Não pareciam nítidas ante o dilúvio de lembranças. 

Claro, sabia, um amadureceu, o outro não, pronto!

Uma pontinha de saudade, de falta daquela companhia, insistia em não ir embora.

Lembrou dos namoros, de gente que não via fazia tempo, quais suas andanças?

Estavam os três juntinhos no quarto de televisão, a menina dormindo, o guri matraqueando com seu inquérito sobre o passado dos pais.

Ele perguntou se sabia fazer a torta de coco da avó, disse que sim, faria na terça-feira, depois da vídeoconferência do trabalho.

O menino perguntou, pela enésima vez, naqueles 45 dias de recolhimento doméstico, porque não iam para a escola, porque trabalhar em casa, queria ir no parquinho?

Explicou, paciente e novamente, de uma doença que veio da China e que estava deixando muita gente, no mundo todo, doente e que como não tinha remédio, para as pessoas não pegarem a gripona os médicos diziam para ficar em casa, não era bom muita gente junta, como na escola, no trabalho, no cinema, no campo de futebol.

Ele meneou a cabeça dando a entender que compreendera a explicação, depois ficou quieto, passados momento silenciosos, com olhar fixo, perguntou se quando acabasse a doença ainda ficariam juntos contando histórias, falando de comida, de brincadeiras, dos avós, dos tios.

Teve que pensar e não soube responder. Comoveu-se, olhos úmidos, imaginou se não negligenciara os filhos no corre-corre-4a revolução-industrial e cismou se não estava   substituindo a vida em família e a si, pelos professores, cursos de línguas, celulares, pelo conforto-consumismo-imposição-mídia? Já ouvira e lera a respeito, nunca crendo que a quantidade de tempo fosse melhor que um tempo curto, mas com qualidade. Ócio Criativo, do De Masi, suspirou.

Aaah, teve sentido a frase da menina, quando do aniversário do irmão, na semana anterior: no meu aniversário quero bolo, pastel, você e meu irmão, sem toda aquela gente da outra vez.

A fala fez perceber, devia mudar certos comportamentos, já estavam trancados havia 40 dias no apartamento de 3 quartos. Mal saíam para comprar alimentos e, mesmo assim, o menino ficava no carro e ia com a menina, máscaras no rosto, rapidamente comprar o que fosse necessário e voltavam para casa.

Tinham as lições da escola virtual, as reuniões de trabalho que monopolizavam o único computador, as horas de irritação, mas, especialmente, aqueles momentos de comunhão.

O peito apertou com um sentimento de culpa, alguma negligência com aquelas 2 criaturas tão dependentes, tão submissas ao modo familiar de ser, tirânico de alguma maneira, já que, claro, nunca foram consultadas para saber se queriam menos ou mais tempo com os pais.

Mas quais mudanças?

A resposta não era certa. Como tudo, reflexão era necessária, mas a incerteza do mundo pandêmico mostrava seu outro lado: a importância do mundo familiar, mais pensado, sem as imposições despóticas dos modelos sociais e econômicos.

O núcleo familiar estava em transformação, verdadeira crisálida em tempo de maturação, aguardando metamorfose de hábitos e usos, impulsionada por um microorganismo; o germe verdadeiro, entanto, só estava esperando o solo fértil da atenção para se manifestar e transmutar atitudes e percepções, metanoia diriam os filósofos.


Violência ação policial na Favela do Jacarezinho

  Violência ação policial na Favela do Jacarezinho   A violência no Brasil atual, vide “o Massacre na Favela do Jacarezinho”, é o result...