quinta-feira, 21 de julho de 2016

Ponderações sobre crime e culpa

Ponderações – Crime e castigo

(Quem não tiver pecado atire a primeira pedra)

Vivemos tempos inseguros, complexos. Assim, nada como procurar entender a mente daqueles que são qualificados como criminosos.
O cérebro é um arquivo, processador, produtor de software e hardware, ligado eletricamente e quimicamente a muitas glândulas, sensores, etc.
O que temos acima da cabeça só recentemente começou a ser realmente entendido, antes dependia mais da observação do comportamento humano. Freud e Jung deram início a uma cultura avançada que se completa com o trabalho de historiadores, sociólogos, filósofos, médicos, cientistas de primeira linha etc.
Livros imperdíveis serviram de base para essas ponderações amadoras: (Carcereiros), (Foucault, Vigiar e Punir), (Foucault, História da Loucura), (Memórias, Sonhos e Reflexões), (Sandel) e outros dos quais alguns registrei em  (Cascaes, Livros e Filmes Especiais).
Muito mais vimos, ouvimos e lemos ao longo dos anos assim como passamos por experiências fascinantes nesses temas: Justiça, Culpa, Crime, Inocência, Mérito, enfim Julgamentos que fazemos continuamente de tudo e todos. Mergulhando pessoalmente em bons livros e filmes ganhamos padrões de sensibilidade reforçados em atividades políticas e sociais ao longo de décadas de militância e, finalmente, no voluntariado.
Assim, na arrogância do tempo fazemos essas afirmações. Entre muitas, a Justiça humana e seus instrumentos merecem atenção especial.
É bom pensar nas bases da Justiça (Justiça). Isso exige saber detalhes sobre a natureza e história do ser humano. Leis, o que significam diante da imensidão de fatores que afetam a personalidade e decisões de cada indivíduo? É correto criar infinitas leis e acessórios para regular a vida humana?
Temos uma estrutura perfeita de organização dos Poderes? É realista? Eficaz?
Nada melhor do que observar os resultados para saber se vivemos em um quadro institucional compatível com a nossa capacidade de disciplina, criatividade, inovação, liberdade, sanidade, liberdade, etc. Nascemos e vivemos aqui, assim nossa pátria é o principal objeto de crítica e extensão à Humanidade. Tudo indica que no Brasil as perversões e irrealidades, rituais, crenças, lógicas e quase tudo são fantasias que vestimos conforme as oportunidades, principalmente quando estiver em foco o comportamento alheio. Neste cenário devemos fazer questionamentos e colocar hipóteses para que possamos, pelo menos, fazer ajustes possíveis, necessários e suficientes.
A ética nacional veio de cima para baixo, se podemos dizer isso. Entre seres humanos pré-colombianos aqui residentes, escravos, imigrantes, degredados, aventureiros e senhores “nobres” a nação brasileira produziu personalidades diferentes, mas com muitos defeitos importados e inéditos, criados nessas bandas tropicais.
Não é nosso objetivo falar do povo brasileiro, assim voltemos ao tema principal.
Qual é a materialidade do comportamento e caráter? Faz sentido atribuir culpa, punir?
A experiência com pessoas que envelhecem, nós mesmos, mostra como dependemos de muita química e estruturas internas e externas quando decidimos e agimos dentro de um padrão ou de outro.
Na Medicina encontramos exemplos radicais de mudança de personalidade a partir de intervenções cirúrgicas [ (Psicocirurgia), (Lobotomia), ] e utilização de medicamentos.
A utilização de drogas é o caso mais comum de afetação radical de comportamento nesses tempos de comércio universal. Remédios, calmantes, estimulantes, bebidas alcoólicas são o quê?
Ideologias e religiões ainda criam homicidas e suicidas surpreendentes, heróis ou mártires para alguns, terroristas para o entendimento de outros, acima de tudo vítimas da mídia que induz os jovens aos “esportes radicais e assemelhados”.
Precisamos, contudo, compreender, saber alguma coisa desse imenso universo que existe dentro e fora de nós.
E a Justiça?
Julgar, condenar ou absolver, decidir sobre o que fazer com alguém que “pecou” gravemente?
Evidentemente o Poder Judiciário precisa existir.
Como seria uma sociedade sem limitações e punições a assassinos, delinquentes, estelionatários, quadrilheiros etc.?
Demonizamos quem foge ao que é legalmente estabelecido por nossos políticos e sacerdotes, pregadores, repórteres, amigos...
Tudo o que transforma jovens, adultos e idosos em bandidos é objeto de uma infinidade de leis, decretos, regulamentos etc.; com base em que princípio filosófico construímos esse monstrengo burocrático que foge das soluções e trata dos efeitos?
A Humanidade segue leis darwinistas (Seleção natural) que certamente não atendem a vontade de muitos afinados com teses religiosas, mas essa é minha opinião e me dou ao direito de expressá-la.
Talvez estejamos convergindo para conceitos realmente saudáveis, mas, de modo geral, demoramos demais para amadurecer sentimentos de liberdade, fraternidade e igualdade. Nesse momento da história da Humanidade a sensação é exatamente oposta. A radicalização e o retrocesso em relação aos Direitos Humanos são assustadores, flagrantes de um “homo non sapiens”.
O Estado em geral é organizado para fazer acontecer as vontades de elites poderosíssimas.
A percepção de que isso existe, contudo, é um tremendo passo a favor das soluções, entre muitas as principais são a transparência absoluta para qualquer atividade, profissão, projeto, corporação, o acesso à cultura universal, descobertas científicas...
Felizmente a universalização das fontes de cultura e educação acontece graças a instrumentos criados por cientistas, viabilizados por investidores e ainda, infelizmente, sob estrita submissão ao capitalismo intelectual frequentemente radical, talvez o pior de todos.
A Tecnologia usada de forma adequada, como insiste em dizer Domenico de Masi (Domenico De Masi) em seus livros, palestras e entrevistas é a esperança de um futuro melhor, talvez por efeito de novas preocupações ambientais, sociais, de sustentabilidade com dignidade.
Lógicas de comportamento e valores subjugam, atualmente, os seres humanos num período em que todos poderiam ser beneficiados pelos progressos tecnológicos.
Temos religiões, confrarias, seitas, ideologias, clubes esportivos, famosos e famosas, ou seja, muitos figurinos que misturados afastam a pessoa negligente da educação e dúvidas que deveria cultivar a favor da Humanidade e da própria felicidade.
Vivemos tempos inseguros que ilustram tristemente nossas limitações.
Neste cenário existe a Justiça...
Até onde a Justiça existe?
Qual?
No Brasil os custos da corrupção endêmica atingiram limites absurdos; a Operação Lava Jato (Cascaes, As delações premiadas e a Operação Lava Jato) abriu nossos olhos e o comportamento diário dos Três Poderes deixa-nos mais confusos, qual será o final desse esforço de ajustes e teatro de absurdos?
Teremos então uma Justiça Revolucionária? Nas mãos e cabeças de quem?
Os brasileiros escalam montanhas perigosíssimas, principalmente aqueles que sonham com um Brasil mais justo, sério, honesto. Basta andar de forma atenta pelas cidades para descobrir desvios lamentáveis.
Sim, ninguém tem culpa absoluta do que fez de errado, todos erram eventualmente com a convicção de estarem certos, justos; e aqueles que se transformam em feras, bandidos, hostis à sociedade são em si vítimas de origens, DNA e acidentes, incidentes e muito mais; afinal não escolheram seus pais, ambiente de desenvolvimento intelectual, capacidade de raciocínio, glândulas e tudo o mais.
Por isso, exatamente por isso precisamos acreditar na Democracia que construímos, na esperança de que evoluindo, corrigindo excessos, educando, exercitando-se a partir de algum limiar no futuro ela venha a ser saudável e nos encha de orgulho.
Em tempo, é altamente válido lembrar que a perfeição nunca existirá.
Cascaes
Curitiba, 21 de julho de 2016

2013, Wikipédia dezembro de. Lobotomia. s.d. <http://pt.wikipedia.org/wiki/Lobotomia>.
2013, Wikipédia em dezembro de. Psicocirurgia. s.d. <http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicocirurgia>.
Cascaes, João Carlos. s.d. .
—. As delações premiadas e a Operação Lava Jato. 8 de 3 de 2016. <http://afavordademocracianbrasil.blogspot.com.br/2016/03/as-delacoes-premiadas-e-operacao-lava.html>.
Domenico De Masi. s.d. 13 de 7 de 2016. <https://pt.wikipedia.org/wiki/Domenico_De_Masi>.
Foucault, Michel. História da Loucura. Trad. José Teixeira Coelho Neto. 1 vols. São Paulo: Pespectiva, 1972.
—. Vigiar e Punir. Vozes, s.d.
Justiça. s.d. 13 de 7 de 2016. <https://pt.wikipedia.org/wiki/Justi%C3%A7a>.
Quem não tiver pecado atire a primeira pedra. s.d. 21 de 7 de 2016. <https://imagensbiblicas.wordpress.com/2008/07/29/quem-nao-tiver-pecado-atire-a-primeira-pedra/>.
Sandel, Michael J. JUSTIÇA O que é fazer a coisa certa. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
Seleção natural. s.d. 13 de 7 de 2016. <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sele%C3%A7%C3%A3o_natural>.

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