segunda-feira, 11 de julho de 2016

É Fundamental


É Fundamental
É bem possível que muitos de nós tenhamos algum conhecido que era intransigente defensor das práticas e políticas do Partido dos Trabalhadores e que, com o desencadeamento dos últimos acontecimentos político-jurídicos pelos quais passa o país, tornou-se crítico severo e até mesmo cruel do partido e de seus membros.
Há também aqueles que com o advento desta crise político-econômica, tendo ou não em alguma época se identificado com a ideologia defendida pelo Partido dos trabalhadores, tornaram-se adversários ácidos e agressivos dos agentes, dos vários partidos, que estão sendo acusados e responsabilizados por ilícitos no exercício de suas funções.
Ao tempo que detratam e execram aqueles a quem culpam por todos os recentes males que afetam o país, devotam uma extraordinária admiração por aqueles que conduzem o processo moralizador; em especial à Polícia Federal, aos Procuradores Federais e ao Juiz Sérgio Moro.
E naturalmente há os que continuam convictos de que, a despeito dos acontecimentos condenáveis que se descortinaram, ainda a melhor escolha político-partidária, dentre as que se apresentam à sociedade brasileira, é a que se apoia nos partidos da base de sustentação do governo afastado.
Sem dúvida alguma, todas as posições merecem respeito, já que a aceitação da posição do outro é o que legitima a posição, as ideias e os entendimentos de cada um de nós.
Como sabemos, seja a favor ou contra uma determinada posição há sempre defesas com argumentos pífios e simplórios, como também, aqueles que apresentam defesas bem elaboradas e consistentes.
A atribuição de culpa àqueles que se elegeram para conduzir os nossos destino é atitude correta, entretanto, não podemos nos esquecer que essas pessoas são os nossos mandatários e que talvez tenhamos responsabilidade pelos atos que praticaram, senão legalmente, quiçá moralmente.
Isto é, se votamos displicentemente, com comprometimento ou se nem ao menos nos preocupamos em escolher um representante e se deixamos de acompanhar os seus atos e as decisões que tomam, em nosso nome, como poderemos deixar de ser indiretamente responsáveis?
Talvez esta seja a lição mais importante que estamos tendo a oportunidade de receber: primeiro, e mais importante, é preciso participar séria e idoneamente da eleição dos nossos representantes; segundo, é absolutamente necessário que as ações dos nossos representantes sejam acompanhadas por todos nós, para que efetivamente nos representem.
E estejamos certos, não basta mudar o governo, nem mesmo pelo modo excepcional que está em curso. Indiferentemente do nível administrativo, todo governo, para se manter fiel à sua proposta eleitoral precisa ser fiscalizado, não só pelos eleitores, mas, especialmente, por uma oposição, legítima e comprometida com os direitos sociais dos cidadãos.
O que é sem dúvida nenhuma dispensável, é esta atitude revanchista ou de represália. Nada justifica o ataque às pessoas que estão envolvidas nos fatos ímprobos. É lamentável assistir aos cidadãos dirigindo ofensas aos envolvidos, quando os encontram nos aeroportos, nos restaurantes, nas ruas, enfim, nos lugares públicos.
Injuriar as pessoas, sem prejuízo do comportamento delas, a saber, se são ou não honestas, ou respondem a processos e mesmo se já foram condenadas, é crime. Seguramente, este comportamento não revela uma atitude democrática ou cidadã.
Não se trata de minimizar, desculpar ou perdoar os atos praticados por estes agentes; ao contrário, devem todos ser exemplar e rigorosamente responsabilizados; mas, os débitos que tem para com a sociedade não lhes retiram a dignidade.
Ninguém pode ser despossuído de todos os seus direitos. Os direitos fundamentais são garantias que não nos podem ser retirados. Cabe-nos, tão somente, respeitá-los.
Curitiba, 11 de julho de 2016
Joatan Marcos de Carvalho
Da Academia de Letras José de Alencar




 


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