sexta-feira, 10 de março de 2017

O rebelde

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O rebelde
Cardosofilho

A cena, recente, me foi contada por um amigo. Um adolescente de cerca de quinze anos de idade, chega no saguão de entrada do edifício onde reside, encontra a avó esperando o táxi, vê o táxi parado lá fora e não titubeia em sua irritação e escoiceia: “Vó, você é burra, mesmo! Não viu que o táxi está lá fora, esperando?”. Presenciaram a descompostura, além de quem me contou, o porteiro e a zeladora do condomínio. Uma explosão pública, portanto, de desamor e desrespeito. E a avó, resignada, talvez acostumada ao destrato do neto, seguiu em silêncio em direção ao táxi.
Triste, meus amigos. O que esperar de um garoto que agride verbalmente a avó sem o menor constrangimento, sem o menor amor, sem o menor respeito?
E sabe-se lá se, na intimidade do lar, não a agrida, e à sua mãe (o pai não reside com eles), até fisicamente. Eis o perfil de meninão mimado, rebelde, criado sem limites e cheio de vontades atendidas, que imagina que o mundo só lhe deve facilidades e favores. Parte de uma legião de jovens que se considera dona de todos os direitos e poucos deveres, ou mesmo nenhum.
Quando o estrago começou? A pergunta é boa. Creio que foi quando os pais começaram a acreditar na teoria imbecil de que os filhos não podiam ouvir o “não”. E se não podiam ouvir “não”, também não podiam ser contrariados. Daí para o desastre foi um pulo. A receita recomendava que as crianças crescessem em ampla liberdade de ação, livres da educação repressora, para que suas personalidades se desenvolvessem exuberantes, sem traumas que as asfixiassem.
Cá de meu canto, em minha espessa desinformação, sempre tive comigo que o ser humano, sem uns traumazinhos, se converte em bicho intolerável. Continuo com o mesmo pensamento. Afinal, que seremos nós sem as decepções, sem os “não” que põem limites ao egoísmo e aos quereres sem fim, sem a noção clara de certo errado, de direito e dever, do que pode e do que não pode? Sem as quedas que nos obrigam aprender a se levantar? Sem as adversidades que nos fortalecem o brio? Sem respeito ao próximo e, sobretudo, aos pais?
Ainda bem que, aqui e ali, se observam famílias que criam seus filhos segundo o antigo e saudável modelo em que as relações entre pais e filhos são pautadas pela hierarquia, amor e respeito recíprocos. Não que famílias emocionalmente bem ajustadas estejam livres de produzir seus monstrinhos, pois a natureza humana guarda mistérios indevassáveis, mas esses desvios de comportamento mais ocorrem em lares degradados pela falta de regras básicas de ordem e disciplina. Em uma palavra, amor aos filhos, sim, mas sem excessos de mimos e tolerância a condutas inadequadas. Em tudo, a virtude da moderação e equilíbrio.
Ia escrever mais a respeito, mas reconheço minha insuficiência de conhecimentos. O pouco que sei trouxe de minha criação. Não foi perfeita e nenhuma é, e é bom reconhecer isso para não perpetuar erros. De todo modo, tenho convicção de que foi boa. Em irmandade numerosa, aprendemos todos a amar e honrar nossos pais, e com que ternura e reverência beijávamos suas mãos pedindo a bênção.

Março de 2017.


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