terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Há esperança ainda

Há esperança ainda
Cardosofilho

Ainda bem que 2016 chega ao fim. Ano duro, de crises políticas, crise econômica e escândalos de corrupção, pacotaço de maldades que a gente esqueceria logo, se pudesse. Para fechar, como se uma mão sinistra quisesse marcá-lo ainda mais, em 28 de novembro um avião da empresa aérea Lamia caiu na Colômbia e matou 71 pessoas, entre as quais o time de futebol da Chapecoense, comissão técnica, dirigentes e jornalistas. Salvaram-se apenas cinco. Tragédia tecida com o fio de incompreensível erro humano: faltou combustível ao avião – a fatal “pane seca”. Miguel Quiroga, comandante da aeronave, arriscou voar com o combustível no limite, sem margem de segurança. Bastou pequeno imprevisto para o desastre acontecer. Sobre o acidente já se escreveu bastante, embora não demais, todos conhecem os detalhes e a comoção ainda provoca lágrimas. Daqui a cem anos ainda se falará dele.
          Apesar de tudo, algo muito importante e bom aconteceu em 2016. Ao longo dele, as vísceras da corrupção da política brasileira foram expostas por inteiro. Doze meses de faxina moral, e dessa purgação, que seguirá em 2017, poderá sair um país renovado e apto a encontrar o tal grande destino, até agora existente apenas na retórica ufanista sem sentido. Diante de tanta sujeira, vem a pergunta: como chegamos a esse ponto? Como o País pôde abrigar – ainda abriga – e suportar, no mundo político e dos grandes negócios, tantos demagogos populistas, trapaceiros, canalhas e larápios do dinheiro público? Dinheiro que falta na saúde, na educação, na segurança, em estradas, portos, ferrovias e por aí vai. Roubalheira que mata.
          Fica-nos uma certeza: ou o Brasil prossegue até o fim na desratização, caiam quantos caírem sem importar a que partido político pertençam, ou não sairá da desgraça. Quem deve precisa pagar até o último centavo. Haverá gritos e ranger de dentes, mas é preciso drenar o pântano.
          O novo ano chega desafiador. Há muito a fazer nessa limpeza ética, e os corruptos, com as cabeças prestes a irem para o cepo, invocarão e farão o diabo para salvar o pescoço. Exatamente como o PT prometeu e fez para ganhar a eleição presidencial de 2014, mesmo quebrando o Brasil e deixando, na esteira da ruína, a inflação, a estagnação dos negócios, o fechamento de empresas, o desemprego e desespero de milhões de trabalhadores. Um caos completo. Uma crise como nunca dantes vivida, provocada pela ação criminosa e má-fé dos governos petistas, particularmente de Dilma Rousseff, de triste memória. Mas a cadeia haverá de chegar para a bandidagem.
          Escreveu-me um amigo leitor confessando-se cansado da luta contra a corrupção e que jogava a toalha. É até compreensível. O combate desgasta para valer e chega a nos tentar largá-lo. Respondi, no entanto, que é isso que os bandidos querem: a exaustão e a entrega dos pontos por parte dos mocinhos.
          O que virá? Na Itália, a luta contra a grossa corrupção ficou pela metade. Os políticos reagiram e aprovaram leis que manietaram a Justiça. A lição deixada pelos italianos é exemplar. Mostra o perigo que nos espreita de sombras sinistras, à espera de que relaxemos a vigilância.
          Devidamente alertados, vamos em frente com fé e coragem. Feliz Ano-Novo, meus amigos. Como diz a marcha-rancho “As Flores Estão Voltando”, de Paulo Soledade: Vê como é bonita a vida, vê, há esperança ainda.


 Dezembro de 2016.

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