quinta-feira, 14 de julho de 2016

Joguei a Toalha

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Joguei a toalha
Há dias em que estamos mais para secos do que para molhados. Confesso sentir-me assim faz algum tempo. As más notícias, que leio e ouço todos os dias, causam-me tanto aborrecimento, que acabaram secando a minha fonte de inspiração para transmitir, como gostaria, algo de positivo
Se, como dizem, a inspiração está em toda parte, creio que a minha fugiu de Curitiba. Escondeu-se em lugar incerto, bem longe do Brasil. Parece não ter suportado a verdadeira avalanche de maus acontecimentos, verdadeira tragédia promovida pelos nossos atuais dirigentes. Escapuliu de tanta corrupção, misturada à incompetência e a mentiras deslavadas. Livrou-se do desemprego e de uma velha e perigosa conhecida: a temida inflação.
E lá se foi a minha inspiração, envergonhada da crise moral que nos assola. Cansei de procurá-la e, há quatro meses, tenho poupado os leitores deste meu blog de qualquer crônica de minha lavra.
E olha que assunto é o que não falta para quem, como eu, é metido a cronista. É só abrir o jornal e ele está lá, quase pronto, escrito pelos nossos “representantes”. Basta lapidá-lo um pouquinho, e transformamos a roubalheira generalizada em um belo texto, agradável de ler, como bem merecem os nossos queridos leitores.
Mas lhe confesso: desisti, “joguei a toalha”, pois até a inspiração me roubaram. Assim, você, caro leitor, será poupado de mais uma crônica minha. Até quando? Sinceramente, não tenho ideia. Nem sei se voltarei a escrever algo saboroso de ler e de apreciar, como você merece.
Este artigo foi publicado em Wednesday, 13/07/2016 e está arquivado dentro de Cultura,Nacional. Você pode passar para o fim e deixar um comentário.



quarta-feira, 13 de julho de 2016

A barba

A barba
Cardoso Filho
De frente para o espelho, barbeador na mão direita, o rosto recoberto pela espuma alva. Mirou-se. No canto dos olhos, os primeiros sulcos anunciando a meia-idade. Nos cabelos, pinceladas brancas. E a constatação algo amarga: “É, estou envelhecendo! ”.
          O barbeador começou a correr pelo rosto, deixando rastros na espuma. Depois foi para debaixo do fio d’água que escorria da torneira.
          “E acabei não me casando! Curioso com tenho pensado nisso. Não faltou oportunidade. Houve várias. Mas sempre o receio, não sei bem por quê. Intuição, talvez. Queria liberdade, sem as amarras do casamento; livre para as noites e madrugadas, para as espichadas conversas em torno de uma cerveja. Para o violão e as cantorias. Ah, tempo das serenatas, de mocinhas palpitando de emoção por detrás das janelas cerradas! Pois aqui estou. Solitário, é certo, entrando na idade, com poucas chances de mudar de rumo. Os velhos amigos, quase todos, casaram-se, arrumaram filhos, tomaram-se de responsabilidades. Felizes? Quem sabe? E eu? Nem feliz, nem infeliz. Tanto faz se chove ou faz sol. Dias iguais, mesmos programas e o calendário virando as folhas. Levo como posso. Talvez devesse ter-me casado. Seria uma acomodação, com refeições regulares, em horários certos, roupa lavada, rotina bem estabelecida, filhos para ostentar meu nome por aí e ajudar a gastar dinheiro. Também mais problemas para resolver. Mas que adianta não ter incômodos? Um pouco de preocupação ajuda a viver, desafia. Mas não tenho essa luta. O que fazer? Já caminhei demais para querer voltar.”
          O pincel percorreu o rosto em círculos rápidos e espalhou nova camada de espuma. Ele observou as manchas arroxeadas sob os olhos. O olhar ainda firme, mas o brilho diminuira.
          “Ou será impressão? Não, não é. A gente tem de se acostumar. Natural que seja assim. Contingência de que não se escapa. Mas é desagradável. Nossa presença passa a impor respeito, tratam-nos de “senhor”. São indícios claros. Pior é que, trocando minha vida em miúdos, sobra pouco. Acho que fui egoísta. A Maria Clara me disse isto. Pensei demais em mim, não quis me dividir e acabei só. Dos bons tempos, poucos amigos disponíveis para uma conversa mais demorada; outros, mais conhecidos que amigos, de pouca intimidade, de cumprimentos ligeiros na rua, como vai indo?, bem, e você?, vamos nos ver, fica-se por aí, cada qual em seu caminho.”
          O barbeador reiniciou a marcha. Deslizou de baixo para cima, sulcou a espuma, depois voltou ao fio de água para lavar a lâmina.
          “Nem os bares são mais os mesmos. Também devo ter mudado bastante. Agora é a vez da rapaziada que não sabe beber seu chope discretamente, sem fazer barulho. Zoeiras me incomodam. Terei sido assim? Acho que não. Fazíamos algum ruído com nossas conversas e risadas, mas reservadamente, longe de olhos e ouvidos curiosos. Depois íamos para um banco de praça para deixar o álcool evaporar. Sem os perigos de agora. Foi por causa da boemia que Maria Clara brigou comigo. E dois anos depois se casou com um advogado... Casou-se bem, parece. Poderíamos ter-nos casado. Outra vez essa ideia. Interessante pensar nisso. Será que a amei de verdade? O que é amar? Sempre me pergunto e não concluo. Já se passaram tantos anos que nem me lembro bem de como me sentia ao lado dela. E seu rosto? Deve ter-se modificado. Casamento muda a gente. Engorda um pouco, às vezes demais, vêm os filhos, e os cuidados que eles exigem deixam marcas. Soube que ela chorou quando terminou nosso namoro. Desistiu de cansaço. Esperava que a procurasse com a promessa de deixar a vida meio irresponsável, de poucas regras e compromissos. Mas a vida estava tão boa!... Será que ela vive bem, feliz? Se a encontrasse agora, não saberia o que dizer-lhe, ou indagar-lhe. Perguntaria pelo marido?, pelos filhos?, por sua vida? Será que ela pensa em mim de vez em quando? Acharia que mudei muito? É, basta ver no espelho. Cabelos grisalhos, olheiras, algumas rugas na cara. Engordei, também. E meio sentimental.”
          O pincel percorreu o rosto pela última vez e deixou sobre a pele espuma rala, aguada. A lâmina retomou a tarefa, pouco mais demorada no queixo difícil de escanhoar.
          “Envelhecendo!... Na mocidade, não pensava a respeito, no desgaste do corpo, na saúde mais frágil. Ando tossindo um pouco, por sinal. Ainda não me sinto assim, debilitado, mas é questão de tempo. Alguns anos mais e chegará o que os românticos chatamente chamam de ‘inverno da vida’. O negócio é tentar afastar o que der a estação dos chinelos e das mantas sobre as pernas. Aproveitar o meio do caminho. Nem velho nem moço. Experiente. Mas o que vale a experiência? Só nos chega depois do feito e do desfeito. Constatações tardias. Nem serve para ser transmitida aos jovens. Cada qual faz a vida a seu modo. Foi assim comigo, sem perguntar, sem ouvir. Acabei meio solitário, nostálgico, mas sem grandes reclamações. Sem tristeza, apenas um pouco vazio. Que fazer? Ando meio confuso estes dias.”
          Lavou o rosto, sentiu o ligeiro choque da água fria. Retirou os restos de espuma e secou a pele com a toalha macia.
          “Devia romper com o passado. Mudar de ambientes, tentar esquecer. Lembrar às vezes dói e a idade acentua essa mania. Podia não se envelhecer jamais. Um dia, viria a morte, simplesmente, sem dores, sem sofrimentos, sem definhamento penoso. Apagar como chama de vela abatida por uma lufada. Sem marcas do tempo no corpo todo. Sempre jovem, as mulheres sempre belas. Mas estou me enfiando em pensamentos bobos. A vida é o que é. Acho que sinto é certa frustração, algo de amargo. Mas quem não acaba sentindo a mesma coisa, algum dia? Quem não carrega sonhos arquivados, dores na alma? Algum arrependimento, alguma culpa?”
          A loção cobriu o rosto, com leve ardência. Depois, a sensação da pele perfumada esfriando gostoso. Acabara-se a barba.

          Arrumou-se e saiu à rua. Esperava-o uma manhã de sol, e a claridade empurrou-lhe as inquietações para o fundo da mente. Ficassem para outro dia, outra hora. Haveria tempo para elas.

CRÔNICAS E ARTIGOS NÃO PUBLICADOS EM JORNAIS E REVISTAS - Francisco Souto Neto. : DINO ALMEIDA E SUA "CAIOBÁ, A DIVINA": HISTÓRIAS D...

CRÔNICAS E ARTIGOS NÃO PUBLICADOS EM JORNAIS E REVISTAS - Francisco Souto Neto. : DINO ALMEIDA E SUA "CAIOBÁ, A DIVINA": HISTÓRIAS D...: PORTAL IZA ZILLI Iza Zilli Comendador Francisco Souto Neto Dino Almeida e sua " Caiobá, a Divina" : histórias da ...

Divagações sobre as origens e fatores de criação do mundo moderno


As perturbações institucionais a partir da criação de novos conceitos de formação de estados e governos com a geração de propostas ideológicas laicas e radicalmente diferentes das utilizadas pelos estados monárquicos e feudais foram equivalentes a muitas chuvas de meteoritos, grandes terremotos, maremotos etc. sobre a cabeça dos seres humanos a partir do século 18 de nossa era.; com certeza foi o resultado do crescimento do número de pessoas em condições de ler, estudar mover-se pelos diversos cantos do planeta e assim, em redes sociais primitivas, escaparem do controle dos poderosos de plantão.
A Humanidade mudou, começou a se transformar aceleradamente, inovando, retomando valores antigos e esquecidos, duvidando e procurando novas soluções terrenas para seus problemas, um comportamento que na civilização ocidental estagnara com a preocupação radical de conquistar algum paraíso após a morte, no terrorismo criado por exércitos de fanáticos e submissão de nações inteiras a lideranças conservadoras.
A estruturação monárquica, feudal e clerical dos países europeus mais desenvolvidos era um obstáculo severo ao progresso intelectual. A prioridade determinada pelas crenças e seitas era a construção de templos, monastérios, ambientes públicos, discretos e secretos de discussões semânticas e filosóficas. Isso significou um atraso fatal diante de invasões de outros povos assim como o desprezo pela formação e organização de cidades e nações saudáveis.
Critérios da Idade Média fizeram lindíssimas catedrais e cidades cheias de templos, mas significaram também a exposição de seus habitantes a pragas, endemias, epidemias e, repetindo, à violência de outros povos que lutavam por espaços vitais aqui na Terra.
As mudanças de comportamento e cenários diferentes merecem estudos minuciosos, agora com muitos recursos de análise. Um fator decisivo na História do ser humano foi, é e sempre será o padrão de clima e topografia existente, base de migrações permanentes. Vale, por exemplo, pensar no que era a superfície terrestre há dez mil anos. Existindo há três milhões de anos, a espécie humana superou mudanças colossais. A diferença em relação aos tempos atuais é a fragilidade física e comportamental, a interdependência que cruza oceanos assim como a criação de centros extremamente concentrados de pessoas.
O que podemos imaginar para tudo isso se a Terra der um rearranjo de grandes proporções para nós, seres infinitesimais formigando a superfície terrestre?
A divisão rígida da sociedade humana em classes permanentes, modificando continuamente à força bruta fronteiras de domínio de dinastias (o povo “pertencia”, era parte das propriedades dos poderosos) era a regra entre seres humanos que nunca contestavam quem pudesse dominar tropas e sacerdotes. Isso é uma condição de sobrevivência de uma espécie de vida eventualmente racional e que tinha instintos de organização semelhantes às alcateias e famílias de feras que vagavam pelos campos, florestas e savanas.
A natureza humana é isso e tem sido objeto de estudos mais e mais detalhados de especialistas. As teorias de Charles Darwin, Sigmund Freud e outros e a constatação de que mudanças rápidas podem acontecer por acidentes, guerras e doenças, assusta ou encanta. Os principais fatores de mudança política entre seres humanos já intelectualmente capazes foram as revoluções dos meios de comunicação e as guerras, destruindo, substituindo e dando motivações para o desenvolvimento técnico acelerado e mudanças institucionais.
O crescimento da população em condições de ler e escrever é, com certeza, o principal fator revolucionário recente, apesar de períodos de penúria e desespero que ainda acontecem.
A vida lastreada em instintos primários e pregadores oportunistas até a invenção de Gutemberg e os ensinamentos de Martinho Lutero foi um tempo complexo e com variações imensas.
A redução dos custos e alfabetização em massa viabilizaram, a partir de Gutemberg, o sonho da Democracia, Liberdade, Fraternidade, Igualdade, Justiça e valores tão nobres que se colocaram sob a denominação de Direitos Humanos e similares. Pode-se dizer que eram sentimentos oportunistas, mas, inequivocamente e infinitamente mais nobres que os precedentes.
A Revolução Industrial quando aconteceu reforçou a base intelectual necessária e suficiente para a criação de novos valores.
A visão metafísica que se desenvolveu entre dois e três milênios passados prometendo benefícios após a morte deu lugar à vontade de viver antes do cemitério, algo que só as elites mais instruídas e espertas mantinham. O povo acordou!
A soberania do cidadão comum era desprezada tacitamente. A ignorância quase absoluta da população em geral e a concentração hereditária de riquezas e tropas especiais e sob comando de quem lhes pagava e convencia submetiam os povos (isso ainda existe, mas enfrentando coisas “assustadoras”, tais como os sistemas de comunicação alternativos) a vidas ao gosto e violência dos senhores da terra, das armas e almas.
As revoluções de fato começaram muito antes. Profetas e filósofos da era clássica da História da Humanidade (com “H” maiúsculo) formaram a base das mudanças mais recentes. As dificuldades de registro e transmissão de ideias eram barreiras colossais, algo que só começou a implodir (é bom repetir) com Gutemberg e na sociedade cristã com Martinho Lutero (repetindo). A Reforma propondo o estudo pessoal da Bíblia estimulou a alfabetização, assustando o clero tradicional e mudando radicalmente o potencial de transformação.
Matar fisicamente qualquer ser vivo não é difícil. Pensamentos, culturas, convicções são decisões íntimas e facilmente desenvolvidas sem percepção dos poderosos; quando têm informação suficiente tornam-se, eventualmente, forças avassaladoras. Ou seja, não se destrói ideias com a violência física. Isso entre nós, humanos, foi essencial à nossa evolução. Passo a passo a Humanidade criou, padeceu, sofreu muito para crescer.
O desafio no século 21 é mais sofisticado, pois já chegamos a níveis elevados, com fortes oscilações...
Atingimos, contudo, padrões de existência insustentáveis e à percepção da nossa fragilidade diante da Natureza, para onde vamos?
Temos aí o desafio de novas visões éticas e morais, quais?
Quais serão os direitos e deveres de todos?
E a qualidade das Cortes e corporações?

Cascaes
13.07.2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

É Fundamental


É Fundamental
É bem possível que muitos de nós tenhamos algum conhecido que era intransigente defensor das práticas e políticas do Partido dos Trabalhadores e que, com o desencadeamento dos últimos acontecimentos político-jurídicos pelos quais passa o país, tornou-se crítico severo e até mesmo cruel do partido e de seus membros.
Há também aqueles que com o advento desta crise político-econômica, tendo ou não em alguma época se identificado com a ideologia defendida pelo Partido dos trabalhadores, tornaram-se adversários ácidos e agressivos dos agentes, dos vários partidos, que estão sendo acusados e responsabilizados por ilícitos no exercício de suas funções.
Ao tempo que detratam e execram aqueles a quem culpam por todos os recentes males que afetam o país, devotam uma extraordinária admiração por aqueles que conduzem o processo moralizador; em especial à Polícia Federal, aos Procuradores Federais e ao Juiz Sérgio Moro.
E naturalmente há os que continuam convictos de que, a despeito dos acontecimentos condenáveis que se descortinaram, ainda a melhor escolha político-partidária, dentre as que se apresentam à sociedade brasileira, é a que se apoia nos partidos da base de sustentação do governo afastado.
Sem dúvida alguma, todas as posições merecem respeito, já que a aceitação da posição do outro é o que legitima a posição, as ideias e os entendimentos de cada um de nós.
Como sabemos, seja a favor ou contra uma determinada posição há sempre defesas com argumentos pífios e simplórios, como também, aqueles que apresentam defesas bem elaboradas e consistentes.
A atribuição de culpa àqueles que se elegeram para conduzir os nossos destino é atitude correta, entretanto, não podemos nos esquecer que essas pessoas são os nossos mandatários e que talvez tenhamos responsabilidade pelos atos que praticaram, senão legalmente, quiçá moralmente.
Isto é, se votamos displicentemente, com comprometimento ou se nem ao menos nos preocupamos em escolher um representante e se deixamos de acompanhar os seus atos e as decisões que tomam, em nosso nome, como poderemos deixar de ser indiretamente responsáveis?
Talvez esta seja a lição mais importante que estamos tendo a oportunidade de receber: primeiro, e mais importante, é preciso participar séria e idoneamente da eleição dos nossos representantes; segundo, é absolutamente necessário que as ações dos nossos representantes sejam acompanhadas por todos nós, para que efetivamente nos representem.
E estejamos certos, não basta mudar o governo, nem mesmo pelo modo excepcional que está em curso. Indiferentemente do nível administrativo, todo governo, para se manter fiel à sua proposta eleitoral precisa ser fiscalizado, não só pelos eleitores, mas, especialmente, por uma oposição, legítima e comprometida com os direitos sociais dos cidadãos.
O que é sem dúvida nenhuma dispensável, é esta atitude revanchista ou de represália. Nada justifica o ataque às pessoas que estão envolvidas nos fatos ímprobos. É lamentável assistir aos cidadãos dirigindo ofensas aos envolvidos, quando os encontram nos aeroportos, nos restaurantes, nas ruas, enfim, nos lugares públicos.
Injuriar as pessoas, sem prejuízo do comportamento delas, a saber, se são ou não honestas, ou respondem a processos e mesmo se já foram condenadas, é crime. Seguramente, este comportamento não revela uma atitude democrática ou cidadã.
Não se trata de minimizar, desculpar ou perdoar os atos praticados por estes agentes; ao contrário, devem todos ser exemplar e rigorosamente responsabilizados; mas, os débitos que tem para com a sociedade não lhes retiram a dignidade.
Ninguém pode ser despossuído de todos os seus direitos. Os direitos fundamentais são garantias que não nos podem ser retirados. Cabe-nos, tão somente, respeitá-los.
Curitiba, 11 de julho de 2016
Joatan Marcos de Carvalho
Da Academia de Letras José de Alencar




 


sexta-feira, 8 de julho de 2016

Quem sabe, na primavera, no verão...

Quem sabe, na primavera, no verão...
Cardoso Filho

          Algo está acontecendo. Talvez seja resultado do inverno, mas o fato é que o grupo de amigos que frequento na Boca Maldita, aos sábados, encolheu. Nas manhãs frias ou chuvosas, até faz sentido a redução, e num desses dias éramos apenas três, o que, convenhamos, é desolador. A explicação para o fenômeno parece ser fácil: estamos envelhecendo. Sim, o envelhecimento nos faz mais tímidos diante de clima frio ou chuvoso e nos prende mais ao abrigo doméstico e calor agradável dos cobertores. Mas a resposta simples pode esconder mais alguma coisa.
          Tem a casa ou apartamento na praia. Sim, são concorrentes de respeito, especialmente quando espaçosos e confortáveis e situam-se no litoral do Paraná, de rápido acesso, embora nenhuma estrada brasileira, mesmo que bem cuidada, seja segura sob o excesso de carros e caminhões e a frágil repressão a infrações por excessos de velocidade e ultrapassagens proibidas. Por sinal, é incrível como tombam os nossos caminhões em rodovias e sempre pela explicação fácil de que os freios falharam, justificativa que, se aceita, nos levaria a concluir que os fabricantes de caminhões, apesar de há tanto tempo no ramo, ainda não aprenderam a fabricá-los bem.
          Outra explicação plausível para as ausências na Boca é a saúde. Aliás, em dois anos sofremos duas perdas bastante sentidas: Hugo Barreto e Francisco Macedo, frequentadores quase infalíveis dos encontros dos sábados. Infelizmente, foram chamados para onde suponho que estejam muito melhor do que neste mundo nem sempre ameno e pouco sensato.
          Há também as viagens, e alguns vivem de malas prontas para a próxima. Ora é turismo para o exterior ou a praias do norte e nordeste do Brasil, ora são pescarias em remotos rios. Motivos sobram. Enfim, seja por isso ou aquilo, o grupo tem-se ressentido dos afastamentos e transmite a sensação de caminhar para a extinção, o que não se espera. Mas é certo que sua vitalidade acusa o peso do tempo, dado que, convenhamos, é natural, embora não faça o processo ser menos doloroso. Cada ausência retira um pouco do tempero e ânimo das conversas e faz o café menos saboroso, e assim os encontros se descolorem como fotografias que empalidecem sob o envelhecimento.
          Aguardemos a primavera ou o verão. Sob sábados cálidos e azuis, pode ser que os antes habituais frequentadores retornem e revelem a boa disposição de sempre. E descubram que a filial das Casas Pernambucanas, que nos incomodava com a caixa de som colocada à porta de entrada transmitindo barulhentamente músicas de gosto duvidoso, para dizer o menos, pois descubram que fechou, talvez forçada pela catástrofe econômica brasileira, e que aquelas portas cerradas transmitem algo de melancólico, algo da tristeza que advém das despedidas.


Julho de 2016.  

sábado, 2 de julho de 2016

Convite Posse Secretários

Convite Posse Secretários

Entrada
x
...

que honra para a nossa Academia de Letras José de Alencar termos a Luislinda como nossa associada atuante e simpática.
que bela entrevista ela concedeu no Programa do Jô,nestes dias, além de ser convidada para segurar a Tocha Olímpica, quando esta passou pela Bahia.
agora vem o convite para sua posse em Brasília.
que ela seja feliz e deixe nossa entidade cultural cada vez mais bela e orgulhosa de todos os seus membros e pensadores desta época.


Cascaes, se puder, colocar no nosso blog.

saudações

Anita Zippin
Presidente
Academia de Letras José de Alencar

...
Date: Fri, 1 Jul 2016 18:29:33 -0300
Subject: Convite Posse Secretários





https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhKgRePxV8YF8SJkX3JY97jRMkVwQt1cHzIUfHz7LGoQ-nJHGE2TJYo0Y9La6vsOUBx2cMB2sV5HyrMvH1zbAmZHeRU1XYbgjuI9pggM4nE-cD72_IjHB6hcwKFpgVhP6q_u5BDVFj5KQ2O/s1600/brasao+armas+republica+brasil+BAIXA+resolu%C3%A7%C3%A3o+JPG+TONS+DE+CINZA.jpg

MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E CIDADANIA 


O Ministro de Estado da Justiça e Cidadania, Alexandre de Moraes, convida Vossa Senhoria para a cerimônia de posse dos novos Secretários deste Ministério, titulares da Secretaria Especial de Políticas Para as Mulheres, Fátima Lúcia Pelaes, Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luislinda Dias de Valois Santos, Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, Roberto Allegretti, e Secretaria Nacional de Segurança Pública, Celso Perioli.

                                  Data:  06 de julho de 2016
                                  Horário: 16h30
                                  Local: Salão Negro, Palácio da Justiça, Brasília/DF

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   

Comemorações da Semana Guilherme de Almeida

Olá, Cascaes.
Olá, amiga, Tânia
 
Tenho lido o blog da ALJA e outros seus.
Na medida do possível.
 
Quero comunicar -lhe e aos colegas da ALJA que estamos envolvidos com as Comemorações da Semana Guilherme de Almeida - cidadão campineiro e com múltiplas ligações nacionais:
 
- poeta, escritor, tradutor, conferencista e sobretudo combatente na Revolução de  1930.
     Os Eventos serão distribuídos na semana de 04  a 11 de julho de 2016.
     Teremos as  Bandas de EsPCEx - e Banda da PM com Hinos de Guilherme de Almeida e Declamação de Poesias.
      Palestra do Secretário de Educação do Estado de S. Paulo, sr.  Renato Nalini
      " Guilherme de Almeida e a Revolução de 1932"
      - Palestra " A Revolução que eu não vi" -  no Rotary Club Carlos Gomes.
      - Mesa redonda: Os  Perfis de Guilherme de Almeida - Casa Guilherme de Almeida : Dr. Marcelo Tápia
 e Profs da PUCC.
      - Associação Brasileira de Artistas Líricos de Campinas: " Canções Guilherminianas".
      - Teatro, infantil e adulto.
     -  Solenidade cívico - militar Praça Voluntários de 1932
11 de julho - Encerramento da Semana Guilherme de Almeida - no Paço Municipal, com Banda e solenidade literário - cultural.
 
Em resumo é isso. 
Espero que seja alguma notícia, já que Guilherme de Almeida foi chamado " Príncipe dos poetas Brasileiros"
 
Beijos e abraços saudosos.
     

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Espera

Espera
Cardoso Filho

          Olhou pela janela o entardecer bonito, o Sol baixando e alaranjando o poente. Um resto agradável de calor e claridade flutuavam na tarde que se desfazia. Com leve emoção, apreciava a beleza da despedida. Cenários assim, quase indiferentes antes, sensibilizavam mais, agora. O coração vinha fraquejando, sinalizava cansaço, podia ser a qualquer instante a pane definitiva, como o motor fatigado de um velho avião. De sua parte, havia momentos de querer ir, outros, de não querer. Reconhecia que o coração tinha dado o que podia e a existência cheia de não pode isso e aquilo cansava e desanimava. Mas queria um pouco mais. Abrigava ainda alguns planos, alguns desejos, entre os quais ver Toninho, o último neto, graduar-se na universidade. Queria também andar outra vez de motocicleta. Uma loucura, achavam, talvez fosse, mas que importava? Loucura boa que traria prazer e seria como voltar no tempo vinte, trinta anos. Sentiu o coração se acelerar. Palpitava com lembranças guardadas com carinho. O Sol se deitou mais e o céu ganhou tons violáceos, cedendo às primeiras sombras. Logo surgiriam as estrelas, as poucas que o céu da cidade ainda mostrava, e lembrou-se de outro desejo, agora tão remoto que se convertia em tolice: ver o céu de um deserto. Que fosse o de Atacama, no Chile, mais próximo, e lembrou-se de Saint-Exupéry referir-se poeticamente ao céu noturno do Saara, empoeirado de astros, como um áquario de estrelas. Ah, que felicidade seria contemplar o firmamento saturado delas! E suprema ventura seria, num estalo, num último clarão de consciência, partir contemplando a amplidão faiscante de cristais. Adormecer para sempre sob a luz pálida de bilhões e bilhões de estrelas, recoberto pela beleza do universo. Não seria pedir muito. Seguir tendo por última visão o que mais apreciava. Para o mar, não ligava. Tinha medo, e a ideia de morrer afogado sempre o apavorara. Achar doce morrer no mar era coisa para Dorival Caymmi. E o que menos gostava era da cidade entulhada de edifícios, de carros, de gente. O caos urbano. Triste fim, acabar nesse amontoado fuliginoso e barulhento, distante dos campos verdes e das montanhas azuis. Os últimos raios de sol se apagavam e havia agora no horizonte apenas tênue claridade. Mais um dia se esgotava nessa espera sem angústia, sem tortura, apenas incerta e vedadora de planos mais encompridados. Não fora hoje, podia ser amanhã. Estava preparado para o encontro marcado desde o começo, sem nenhum medo especial. Sem se entregar, mas sem resistir, deixando que as coisas tomassem seu livre curso, como a natureza desejasse e o coração abatido permitisse. Só queria que houvesse sol. Que fosse um dia claro e cálido, melhor se de primavera. Um desejo à toa, sabia, porque não desfrutaria dessa derradeira luz.
          O alarido da casa o retirou da janela e afastou os pensamentos. A vida seguia em seu compasso imutável e eterno. Se não fosse naquela noite, se não fosse no outro dia, e enquanto não viesse, continuaria a sonhar com campos verdes, montanhas azuis e o céu estrelado sobre um deserto.


Junho de 2016.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

O Universo dentro e fora do ser humano



1 – A complexidade da Natureza ultrapassa tremendamente nossa capacidade de compreensão
2 – A existência do Universo para fora e para dentro de nós é possível graças a leis perenes e se mudam isso acontece em função de outras leis.
3 – A vida é um fato acima de nossa compreensão.
4 – afirmações sobre a “criação” do Universo são frágeis diante da complexidade de tudo o que existe.


O Universo vai da tremenda complexidade do menor segmento material ao conjunto de galáxias e outros imensos fenômenos naturais ultrapassando nossa capacidade de compreensão e demonstração da própria vida.


Em noite limpa e local sem as luzes das cidades podemos ver um número enorme de estrelas, pontinhos luminosos sem cintilação que são os planetas, uma parte da Via Látea, eventualmente meteoros e olhando melhor nebulosas numa abóbada que parece querer despencar sobre a gente.
Mais e mais observatórios do Universo são criados assim como veículos automatizados disparados para o infinito. Gradativamente astrônomos, físicos e até filósofos aprendem mais e se surpreendem com inúmeras descobertas.
Com certeza muitos cientistas usam o que sabem para fazer afirmações imperativas, mas notamos que não é raro tudo mudar graças a supergênios capazes de unir conhecimentos e deduzir hipóteses e teses surpreendentes. Note-se que vivemos tempos de imensos centros de processamento de dados, e daí?
Em qualquer laboratório ou filme científico teremos condições de mergulhar dentro de nós mesmos, descobrindo complexidades inimagináveis e até simbioses que nos mantêm vivos.
Sentimos nossa dimensão infinitesimal olhando para cima e percebemos a distância de explicações simplificadas e a realidade da vida estudando simples bactérias.
Nesse cenário é difícil querer explicar tudo, pior ainda, simplificar atribuindo tudo a um ser mais complexo. As dúvidas, se tivermos coragem de alimentá-las, são enormes.
A impossibilidade de saber e entender é algo real, inevitável. Muitos pensadores partiram desse princípio (céticos)[1] e estavam certos. A Ciência descobre mais e mais detalhes sobre o Universo, criando mais dúvidas do que certezas.
Não é prático, contudo, simplesmente duvidar, assim a adoção de algum figurino pode acontecer por puro pragmatismo, ingenuidade ou “revelação”[2].
Precisamos, contudo, fazer opções, pois elas são exigidas e listadas por terceiros. Não temos liberdade de fazer afirmações contrárias às convicções dos poderosos e de muitas pessoas com tantas convicções.
De qualquer forma a Humanidade precisa evoluir para poder sobreviver. Dos povos mais rudes aos mais sofisticados, todos, sem exceção, precisam rever comportamentos e se ajustarem aos desafios da sobrevivência, para isso todos têm direitos e deveres de ajustamento de conduta.
Uma boa ferramenta no desenvolvimento de códigos realistas de ética é o Cálculo aplicado a todas as hipóteses de sobrevivência. Precisamos de condições de contorno, parâmetros, bancos de dados, ferramentas de cálculo e simulação etc. para podermos criar recomendações sensatas e honestas.
Ou seja, a Lógica (A LÓGICA NA MATEMÁTICA) merece aplicação em nossos comportamentos e sua evolução é uma demonstração de limitações e esperanças.



1 – O Universo, por si só, merece nossa admiração e respeito.


1 -  Exercitar a humildade intelectual.
 2 – Admitir que estaremos abaixo do potencial necessário e suficiente à compreensão do Universo.
3 – Estimular o prazer de ser e estar num cenário tão fantástico.
4 – Estudar sempre a Natureza como um todo.
Cascaes
27.06.2016

Adelmo R. de Jesus, Eliana P. Soares, Elinalva V. Vasconcelos, Graça Luzia D. Santos, Ilka Rebouças Freire, Miriam F. Mascarenhas. A LÓGICA NA MATEMÁTICA. s.d. 3 de 9 de 2015. .





[1] O ceticismo filosófico se manifestou na Grécia clássica, aparentemente um de seus primeiros proponentes foi Pirro de Elis (360-275 a.C.) que estudou na Índia e defendia a adoção de um "ceticismo prático". Carneades discutiu o tema de maneira mais minuciosa e contrariando os estoicos, dizia que a certeza no conhecimento, seria impossível. Sexto Empírico (200 a.C.) é tido como a autoridade maior do ceticismo grego.9 Mesmo atualmente o ceticismo filosófico costuma ser confundido com o ceticismo vulgar e com aquilo que a tradição cética denominou de "dogmatismo negativo". Nada mais está tão em desacordo com o espírito do ceticismo do que a reivindicação de quaisquer certezas, seja as positivas ou as negativas. 10 11
Na Filosofia islâmica, o ceticismo foi estabelecido por Al-Ghazali (1058–1111), conhecido no Ocidente como "Algazel", era parte da Ash'ari, a escola de teologia islâmica, cujo método de ceticismo compartilha muitas semelhanças com o método de René Descartes. Wikipédia

[2] Revelação divina é a denominação, de modo genérico, para todo conhecimento transmitido ao homem diretamente por um deus ou deuses (muitas vezes o meio por onde este conhecimento foi passado também é chamado assim).
A revelação é o ato de revelar ou desvendar ou tornar algo claro ou óbvio e compreensível por meio de uma comunicação ativa ou passiva com a Divindade. A Revelação pode originar-se diretamente de uma divindade ou por um intercessor ou agente, como um anjo ou santidade; alguém que tenha experienciado tal contato é denominado profeta. Wikipédia em 27 de junho de 2016.




PERCA TEMPO - O BLOG DO MURILO: Cuidar das delações – EDITORIAL FOLHA DE SP

PERCA TEMPO - O BLOG DO MURILO: Cuidar das delações – EDITORIAL FOLHA DE SP: Folha de S. Paulo - 27/06 Para sorte de todos os brasileiros que desejam um país melhor, a Operação Lava Jato alterou o paradigma de combate...

domingo, 26 de junho de 2016

Intolerância


Tolerância
O ex-prefeito de Nova York, Rudolf Giuliani tornou famosa a defesa da tolerância zero, adotada como norma pela polícia de sua cidade. A iniciativa mais elogiada do que criticada, rendeu bons resultados e até hoje há quem a defenda como solução para a criminalidade.
Parece não haver divergência de que a medida funcionou para a cidade de Nova York, contudo, em relação ao resto do país, a fórmula não se mostrou verdadeira. Muito ao contrário, o sistema jurídico-penitenciário americano vem buscando soluções mais adequadas à nova realidade social.
A despeito de posições mais conservadoras, os responsáveis pela política jurídico-criminal americana vem levantando fortes questionamentos sobre a descriminalização das drogas, mas, também de outros delitos, especialmente daqueles relacionados à contrafação de direitos autorais – copyright, no sistema americano.
Se a questão da tipologia penal vem sendo posta em cheque, a que se refere a cumprimento das sansões e as formas de cumprimento sofrem um debate ainda mais acirrado, especialmente no que se refere aos estabelecimentos prisionais administrados pela iniciativa privada.
Ante um quadro mundial de grandes mudanças, de avanços tecnológicos de ritmo alucinante, a ambiência social vem sendo palco de necessárias e inexoráveis transformações que exigem respostas efetivas, sob pena do sistema legal deixar de atender à realidade dos fatos.
Face aos surpreendentes acontecimentos jurídico-legais que se verificam no país, que vem se desencadeando na esteira dos procedimentos legais, denominados de operação Lava-Jato e de seus desdobramentos, grande número de cidadãos brasileiros questionam o fato de alguns dos réus, altamente comprometidos, estarem já a cumprirem pena em regime domiciliar, ainda que com tornozeleiras eletrônicas.
É compreensível que assim pensem, mas, com um pouco mais de reflexão, veremos que não há razão para se manter em regime fechado condenados que não representem real perigo para a sociedade; além do mais é elevado o custo de manutenção de detentos nas penitenciárias, entre muitos outros argumentos que se pode arrolar.
Ademais, o isolamento e o alienamento que daí advém já vem sendo criticado há muitas décadas como demonstra Erving Goffman, em seu livro “Manicômio, Prisões e Conventos”.
Naturalmente, estas penas mais brandas decorrem dos dispositivos legais – “delação premiada”, que permitem ao juiz considerar o auxílio prestado pelo réu na elucidação do delito, quando da aplicação de sua pena; por outro lado, não fosse essa possibilidade quantos outros réus teriam seus delitos revelados e sujeitos à apreciação do judiciário?
Qualquer tendência ao acomodamento, em uma época como a nossa, se afasta da realidade dinâmica e mutante que nos conduz ao futuro. Prevejo que teremos grandes problemas sociais se deixarmos de participar com consistência das discussões e polêmicas que nos afetam.
A multidisciplinariedade, tão louvada na doutrina e em trabalhos acadêmicos, não pode mais ser negligenciada, seja na elaboração legislativa, seja na aplicação da lei ou de suas decisões. E mais, é preciso que os agentes que participam dessas fases se comuniquem, mantenham um constante diálogo institucional.
Se quisermos ter um Estado eficiente, e a época em que vivemos exige, precisaremos ter a coragem de acabar com as divisões e as compartimentações; o que não é fácil, já que até hoje não conseguimos unificar as polícias; ainda que tenhamos plena consciência do exercício de funções diferenciadas.
Alternativa interessante, adotada em outros países seria o juizado multidisciplinar, tanto para o julgamento quanto para a execução das decisões, que pode ser utilizado para a questão penal, mas, igualmente, de menores, família e outros casos, tais como meio ambiente e consumo.  Estamos avançando. Não vejo razão para intolerância.

Curitiba, 26 de junho de 2016

Joatan Marcos de Carvalho












sábado, 25 de junho de 2016

Alerta Total: Vamos além dos remédios amargos?

Alerta Total: Vamos além dos remédios amargos?: - Deixa eu lhe falar uma coisa. Esses meninos da Polícia Federal e esses meninos do Ministério Público, eles se sentem enviado de Deus...

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Não passarão

Não passarão
Cardoso Filho
          Nada como a dor, o sofrimento ou o medo para despertar a solidariedade entre as pessoas. Em momentos de aflição, surge vigoroso o sentimento de fraternidade. Duas pessoas que, no corriqueiro dos dias, jamais se olhariam e jamais se cumprimentariam, em situação de sofrimento em comum são capazes de se abraçar, de conversar, de querer saber da dor alheia e, no extremo, de se expor ao risco de morrer para salvar o outro. Relatos de guerra contam sobre isso. A fraternidade nascida em campos de batalha, sob medo e riscos de vida intensos, é das mais fortes que os seres humanos podem desenvolver. Os combatentes se tornam irmãos de farda, se cuidam mutuamente e, se preciso, entregam a vida pelo outro. E sofrem com atroz intensidade a perda de um companheiro.
          Dias atrás, tive contato com o cotidiano de um hospital e testemunhei o sofrimento alheio motivado, no caso, por enfermidades. Vê-se de tudo, e se constata que, em situações como essa, nasce entre as pessoas um sentimento de solidariedade, de irmandade. Conversam entre si, se perguntam sobre os males e as dores, confortam-se e compartilham o momento difícil. Rebrota aí, na consciência de cada uma, a fragilidade comovedora de nossa existência, e esse perceber as aproxima e as faz mais irmãs. Sentimentos que costumamos esquecer em dias melhores.
Por esse caminho, chego à realidade da saúde pública brasileira, tão precária que comove e indigna. Precisava ser muito melhor, e o brasileiro, para escapar dela, necessita pagar caro por planos de saúde nem sempre corretos na hora de atendimento a doenças mais dispendiosas. Mas paga por eles quem pode; quem não pode, a maioria esmagadora, vai engrossar a fila dos desassistidos e desesperados, condenados a filas, agendamentos de consultas médicas para meses depois, como se as enfermidades pudessem esperar com resignação, greves dos funcionários públicos e, não raro, consulta ligeiras com o doutor cheio de pressa e impaciência porque a fila lá fora é grande. De quebra, a possibilidade de morrer sem assistência médica, numa maca num corredor lúgubre de um hospital em miséria. Ou na porta.
          Essa é uma das tragédias produzidas pela corrupção desenfreada e desgoverno. Bilhões e bilhões de reais se perdem na sangria provocada pelos criminosos de colarinho branco, enquanto serviços essenciais, como saúde segurança públicas, seguem afundados em precariedade vergonhosa. Então, se olha para a Operação Lava-Jato. Ela é o começo de nossa redenção moral. Mas há perigo no ar. Os enrolados em corrupção com o dinheiro público trabalham em sinistra surdina para melar as investigações e ações da Justiça. A ideia seria um enorme conluio, um acordão envolvendo partidos de todas as cores, para salvamento das ratazanas gordas via mudanças na legislação. Como aconteceu na Itália com a Operação Mãos Limpas.
          Pois ficamos assim: se correr por conta da livre vontade da classe política, altamente infeccionada pela corrupção, a Operação Lava-Jato vai para o brejo e teremos jogado fora a oportunidade histórica de moralizar o País. A alternativa é a opinião pública manter-se atenta, mobilizada e intransigente em defesa da Lava-Jato.  Não se pode, meus amigos, em nenhuma hipótese, entregá-la aos bandidos. Eles não passarão.


Junho de 2016.   

terça-feira, 21 de junho de 2016

Te desejo O nada!

Te desejo O nada!
June 20, 2016
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Ariadne Zippin

Você já se pegou pensando sobre como preencher um vazio em sua vida? Parou para sentir o que estava faltando em sua empresa?

O que normalmente está faltando em nossa vida e para que tenhamos o equilíbrio necessário para chegarmos onde queremos é o vácuo!

Quando criança estudamos sobre as descobertas de Arquimedes. Ele descobriu que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Sendo assim, em nossas vidas, vamos em busca de preencher tanto um “vazio” que não sobra espaço para coisas novas e boas. As coisas precisam fluir e para fluir elas precisam encontrar espaços vazios.

Parece um tanto complicado, mas é simples, para nos preencher, precisamos nos esvaziar.

Digamos que você more em um apartamento com apenas uma garagem e não tenha outra para alugar. Você ganhou um carro em um sorteio. O que você faz? Se desfaz de um deles para que o outro (que for melhor pra você) fique! Em nossos relacionamentos acontece a mesma coisa. Não existe espaço para algo novo e bom, se não deixarmos a vaga vazia. Na nossa empresa muitas vezes nos vemos cheio de tarefas que acabamos cancelando compromissos que nos fariam bem e poderiam até nos dar mais lucro do que o compromisso que já tínhamos. O medo de não ter o que fazer ou o sentimento de ociosidade nos deixa aflitos e estamos sempre em busca de ficarmos “lotados” de serviço. Pense quanta coisa boa para seus negócios poderiam acontecer se você tivesse espaço vazio em sua agenda.

A meditação, hoje em dia, mais que moda, já está virando uma necessidade. As pessoas estão em busca de encontrar e criar esse vácuo. A necessidade e ao mesmo tempo a dificuldade de criar esse silêncio da mente, tem feito com que mais e mais pessoas busquem meditar. A meditação, nada mais é que colocar o vácuo, dentro de si. Acalmar a mente para deixar que coisas boas entrem.

O desapego também é extremamente importante para nosso bem estar. Perceba a diferença entre duas pessoas. Uma pessoa guarda dinheiro pois no final da vida tem medo de envelhecer e não ter onde morar ou não ter dinheiro para comprar remédios e a outra que guarda dinheiro para fazer uma viagem de volta ao mundo quando se aposentar. Qual você diria que está certa? Não cabe a mim julgar as escolhas mas cabe a mim apontar a diferença vibratória e o preenchimento errôneo de seu ser.

A que guarda dinheiro com medo de envelhecer já carrega o medo e atrai o envelhecimento para sua vida. Atrai também o medo e a doença. Atrai o medo da solidão. Essa pessoa está preenchendo a vida dela de coisas negativas, atraindo tudo que ela não deseja, pois só em pensar nessas possibilidades, elas são lançadas ao universo, trazendo a elas aquilo que deseja. A outra almeja viajar, conhecer e viver.  Qual das duas você acredita que terá um futuro melhor?

Quando falo que dois corpos não conseguem ocupar o mesmo espaço, afirmo que se você está preenchido de coisas boas as ruins não entram e a recíproca é verdadeira.

Se você está na porta do mercado segurando suas sacolas e alguém joga para você um vale presente de um ano de mercado grátis, você não consegue pegar, não é mesmo? Você pode se perguntar agora, mas qual a possibilidade disso acontecer? Eu te digo que acontece todos os dias.

Você reclama do seu trabalho e não tem tempo de ir procurar outro. Você é convidada para jantar mas devido ao trabalho resolve recusar e deixa de conhecer o amor de sua vida, um grande cliente ou um novo amigo. Te convidam para ser sócia de uma empresa e o medo de arriscar faz com que desista. Isso se chama ser preenchida!

Busque o vácuo. Deixe com que as oportunidades fluam. Deixe espaço para que as energias boas circulem.

Deixe espaço na sua vida para as coisas que são suas e estão a caminho. Pare um pouco de pensar, apenas seja e sinta. Deixe o vácuo tomar conta da sua vida. No vácuo o som não se propaga. Nele você não ouve os outros. Você não ouve o medo. Você escuta a sua intuição. Você escuta o seu ser e aí sim saberá o caminho a seguir e saberá o que deve ficar e o que deve desapegar, deixar ir para que o novo e o bom tenha espaço de chegar em sua vida e na sua empresa.


Desejo a você leitor, que sua vida seja repleta de nada e que esse nada seja repleta de vácuo e que isso te faça feliz!!!

GRATIDÃO OS HEROIS DA PANDEMIA