sexta-feira, 6 de maio de 2016

Funeral

Funeral
Cardoso Filho
Tempos atrás, escrevi que Dilma Rousseff já era um cadáver político. Faltava fechar o caixão. Pois bem, o funeral está próximo de acontecer. E, dado curioso, me assalta uma certa tristeza. Não aprecio tragédias e lamento que a primeira mulher eleita para presidência do Brasil esteja terminando a carreira de forma tão melancólica. Menos mal que sua condição feminina nada tem a ver com o fracasso. Com certeza, dispomos de mulheres capacitadas a comandar o País. Haveremos de ter nossas Ângelas Merkel  e Margarets. Thatcher Tivemos foi a má sorte de a escolha ter sido feita por Lula, o mago das trevas.
Lula quis, para sucedê-lo, alguém sem expressão política que pudesse lhe fazer sombra, lhe permitisse continuar mandando no País por trás dos panos e, findo o mandato da marionete, esta se recolhesse à insignificância de origem e lhe abrisse caminho para concorrer a nova eleição presidencial. Deu tudo errado. Dilma não aceitou deixar de concorrer à reeleição, meteu os pés pelas mãos e Lula deve chorar, hoje, lágrimas amargas pela empulhação que enfiou na goela dos que acreditaram no embuste. Dilma Rousseff, sua criatura, implodiu o governo e levou de roldão o Partido dos Trabalhadores (PT).
 Sejamos justos, porém. Ela não merece responder sozinha pela tragédia. A obra pertence também, e principalmente, a Lula. Dilma Rousseff é, por ora e pela circunstância de estar no poder, o símbolo maior do desastre. Mas por que a morte solitária? Lula tem de acompanhá-la no óbito político. O mal que o PT, sob o comando de ambos, mais dele do que dela, cometeu ao Brasil não pode ser esquecido e jamais perdoado. Se esquecermos o terrível equívoco, fantasmas malignos voltarão a assombrar-nos em futuro próximo.
          Nesta altura e apenas a título de argumentação, vale a indagação singela: o que causou a derrocada petista? As esquerdas bradarão, eternidade afora, que as forças conservadoras e reacionárias – as elites, os ricos, a burguesia, os banqueiros etc. –, contrárias ao progresso social dos pobres, foram as responsáveis. Argumento gasto e imprestável como a ideologia que elas perseguem com cegueira e idiotice históricas e tragicamente danosas à liberdade e busca da felicidade dos homens. A verdade, só negada por fanáticos imunes aos fatos e à razão, é que o governo petista foi tragado por seus próprios crimes e incompetência. A derrota, como um suicídio, nasceu dentro de si mesmo. Desde o primeiro governo de Lula, o PT partiu para o jogo pesado, apostando tudo no chamado aparelhamento do estado e no aliciamento de parlamentares mediante subornos, com vistas à execução de seu ilícito projeto de poder, que excluiria a alternância de governantes e, mais adiante, a própria democracia. Nessas manobras bandidas, arrecadou fortunas para seu caixa e para o caixa os dos partidos aliados, além, é claro, para os bolsos dos companheiros, por meio do saqueamento de empresas estatais e fundos de pensão. A par disso, torrou dinheiro que o estado não tinha e prometeu o que não podia cumprir, para garantir a reeleição de Dilma Rousseff, no mais escandaloso caso de trapaça eleitoral.
No fim de tudo, viu-se que o PT se resumia à corrupção e ao populismo tapeador de ingênuos e simples, orientado no rumo proposto pelo teórico comunista Antonio Gramci de comer a democracia por dentro em busca do sonhado estado comunista, e nesse passo e propósito uniu-se à escória latino-americana aglutinada no chamado Foro de São Paulo. Não contava com a Operação Lava-Jato, que começou com uma investigação menor em um posto de gasolina em Brasília e, de repente, como que por acaso, rompeu os diques de um mar de lama no qual o petismo se afundou. Suponho que, aí, houve a mão de Deus a nos dar mais uma chance de regeneração. A grande oportunidade foi oferecida; o mais corre por conta dos brasileiros de bom juízo.


Maio de 2016.

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