segunda-feira, 1 de março de 2021

LOCKDOWN

 LOCKDOWN (por mim, Vera Rauta)

Moro em Curitiba, Capital do Paraná

Aquela que já foi chamada de Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais

Sou guria, uso japona, adoro vina e pinhão

É a minha cidade do coração.

Minha cidade é para ser vista e apreciada, vivida e contemplada

Mas, eis que de repente...

Gente...

Não é que estamos novamente em lockdown?

Em tempos de pandemia, de agonia e de monotonia

Sei que se trata de uma medida de segurança

Que afeta não apenas a minha vizinhança.

Lockdown? Como funciona?

Temos restrição à circulação

Bloqueio total de uma região

É uma recomendação.

Já disse que Curitiba é a minha cidade do coração

E em tempos de lockdown

Esse coração fica sobressaltado e preocupado 

Aflito e solito.

Quantas vidas já se foram

Quantas famílias imploram

Um leito em um hospital

Para pacientes em estado terminal.

Quantos médicos e enfermeiros

Sem parar um dia inteiro

Tentando salvar vidas

E tanta gente, poxa vida

Nem aí para essa corrida...

Mas eis que vem a vacina

Que traz uma grande esperança

Que ela interrompa essa transmissão

Para também curar meu coração.

Para que Curitiba volte a ser a inspiração

A cidade do ligeirinho, da bolacha e do penal

Porque aqui não há lugar para esse mal

Apenas queremos voltar ao normal

Lockdown: tchau!



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

I CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE DIREITO DO CONSUMO

 De: Mário Frota <mariofrota@sapo.pt>

Enviado: terça-feira, 23 de fevereiro de 2021 08:36
Para: Mário Frota <mariofrota@sapo.pt>
Assunto: CELEBRAÇÕES DO DIA MUNDIAL DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR

 

 

CELEBRAÇÕES DO DIA MUNDIAL DOS DIREITOS DO CONSUMIDOR

 

apDC, pela sua Delegação de Leiria e em cooperação com o Politécnico de Leiria, leva a cabo a

 

I CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE DIREITO DO CONSUMO

 

sob o lema

 

CONSUMO SUSTENTÁVEL”

 

Para além dos Profs. Mário Frota, Susana Almeida e Fernando Silva, intervêm como oradores os Profs. Guillermo Orozco Prado (Universidade de Granada, Espanha) e Bruno Miragem (Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil).

 

Os temas versados são de uma importância ímpar para o presente e futuro da sociedade:

 

da “Economia Circular”

 

ao combate à “Obsolescência Programada

 

com realce para a “Transição Ecológica das Políticas de Consumidores”,

 

no quadro da Nova Agenda Europeia do Consumidor (2021/2025).

 

O evento realizar-se-á através de plataforma digital e principiará às 14.30 de 19 de Março do ano em curso.

 

A participação é gratuita.

 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Alguns cuidados de garoto de Blumenau

 


Alguns cuidados de garoto de Blumenau

 

Infelizmente as fotografias de minha infância são raras e não mostram o que era viver em Blumenau e passar as férias em Florianópolis ou Laguna. Era uma época radicalmente diferente da atual. Parece que nascemos em outro mundo.

Ainda pouco acendi um palito de citronela para afugentar as moscas. Pequeninhas, mas que aparecem principalmente sobre a fruteira. Fica a dúvida sobre o que fazer, mas é uma oportunidade de lembrar dos mosquiteiros, da espiral do “Boa Noite” e principalmente de um esporte que pratiquei durante muito tempo: matar esses insetinhos (pura covardia minha) com um elástico. Era bom na pontaria e na casa em que moramos passávamos o dia brincando na rua, florestas de Blumenaus, em casa e no quintal. O porão era muito alto e assim o andar piso da casa era multi uso. Não gostava quando a empregada limpava as paredes. Meus troféus desapareciam.

Blumenau foi espaço para uma infância e juventude especial.

Pensava, é normal até primos citarem relacionamentos com famílias. Lá em casa isso não existia, tralvez porque os sobrenomes das famílias tradicionais fossem alemães.. Virou diversão mais tarde, quando o turismo começou para valer, ouvir turistas dizerem aonde queriam ir...

O tempo era diferente, saíamos de casa com a recomendação sempre repetida, cuidado com coice de cavalo cobras, não pisem em xixi de cavalo, nada de pescar, etc.

Que recomendações os pais dão hoje? Poucas pois exceto crianças mais pobres saem de casa sozinhas.

Os carros mudaram a vida urbana, para pior...

A pandemia mais ainda, que adultos teremos?

Felizes ou malucos?

João Carlos Cascaes

Curitiba, 15 de fevereiro de 2021

domingo, 14 de fevereiro de 2021

O bloco da vacina sai à rua, com agendamento.


 ÊTA... ... ...

Caixa de entrada

familiabonat

Anexos13 de fev. de 2021 22:13 (há 19 horas)
para anitamim
Boa noite. Anita e os Cascaes.
Rei Mômo que reine, mesmo que esteja no sofá.
O bloco da vacina sai à rua, com agendamento.
Bem feito ao corona.
Abraços

Arquivos em PDF e JPG

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Ê T A, B I C H O L E V A D O!

                                                                         Ê T A, B I C H O   L E V A D O! 

                                                   Anita Zippin

Êta, bicho levado!

Chegou, viajou muito, fez turismo, percorreu todos os países em tempo recorde e, não quer ir embora.

Vem com ar de novidade, recebe o nome feio de Covid19. 

Já deveria ser Covid20, Covid21, mas resolveu aceitar o título que lhe deram. Vai que tem um mais bonito para tanta maldade.

Peludo! Ou será cheio de pontas? Redondo já chega repleto de manias. Gosta, não gosta, quer, não quer; até parece que vai reinar por muito tempo.

A gente demora anos para descobrir o que os filhos gostam ou não gostam. Maridos, então? Nem falar. Estes são bons, mas vem de outra formação. Tem gente que leva a vida inteira tentando agradar seu companheiro, ou companheira e, quase nunca acerta. 

Mas este bicho levado, que já está há um ano por aqui. A gente sabe tanto, mas tanto ! E a mídia, voltou-se inteira para ele; o dia inteiro nas manchetes:

Ele gosta de abraço. De beijinho, então? Deve se sentir muito bem. 

E tosse, então? Fica o bicho na torcida, mais tosse, mais tosse. Tomara que com muita gente ao redor.

Frio é sua estação preferida. Mas em sua viagem pelo mundo, gostou de tudo. Até do imenso calor da África.

Contam que não gosta de álcool líquido. Tem de ser em gel . As garrafas e mais garrafas tomadas por aí, parece que não o assustam, pelo contrário. Quanto mais gente a comemorar, mais tempo ele irá ficar. 

E que chato! Não abandona os idosos. Parece que nunca teve mãe, pai, ou avós? Gruda com todas as forças nestas pessoas e, quanto mais cabelos brancos, mais ele quer conhecer, dar trabalho e, quem sabe, ficar até esgotar a energia dos coitados que tem pouco tempo de vida.

Ele adora festa, aglomeração. Mas, como castigo, já que veio num carnaval e saiu dançando por aí, desta vez não terão os tradicionais. Sei, entendi muito bem! Já está de olho nas fantasias em festas clandestinas. Ah, vai querer ser um pierrô? Ou uma colombina? Azul ou rosa? Menino ou menina? Pelo seu mau  humor, nada combina.

Detesta gente que fica em casa. Ah! Estes nem recebem sua visita. Tem pavor de pessoas isoladas. Pode ser porque vão ficando tristes, de mal com a vida, ou até ficam rezando para que  o bicho vá embora de uma vez.


Adora passear pelas ruas de todas as cidades e, como a brisa voa e não deixa as pessoas enxergarem onde ele está a passar. Percorre  todos os lugares abertos, fechados e gosta mesmo de ônibus lotado, de  hospital sem leito, de idoso sem poder respirar. Ah! Isto sim, é a glória. Parece até que bate palmas quando vê as covas rasas a levarem gente que ele visitou e agora estão numa lista enorme a receber o adeus. Lágrimas dele? Só se for de crocodilo.

Se o bicho escolhe quem levar primeiro? Tal qual produtos que usam contra ele, que chamam de vacinas, vai quem estiver pela frente. Não respeita família, posição social, importância da pessoa na sociedade, se é um artista, um escritor. Seja o que for, passa o dia e a noite ávido por mais vítimas. Mil? É pouco! Adora quando contam que foram 220.000, ou 400.000 de uma cidade com nome de santo, parece que São Paulo. Gosta tanto,  que é capaz de ir às igrejas ser conhecido. Basta que tenham vontade de olhar para o alto. Enquanto estão lá com suas bíblias e músicas, os sinos badalam por mais vítimas que ele deu causa, vai entrando disfarçadamente, sem deixar vestígios. E, como se sente bem!

Ah! Lembrando mais uma vez do carnaval, apareceu do nada  e exige de todo mundo máscaras. Bonitas, feias, grandes, pequenas, coloridas, lisas. Não importa. Pensa que o mundo é um grande baile de máscaras, como o famoso Baile em Veneza. Em vez de alegria, tristeza. 

Batom, maquiagem, mulheres belas? Está nem aí. Bonita ou feia caiu na rede, é peixe!

Etâ bicho levado!

Agora fazem filmes e livros sobre você e, nem vê, tampouco lê. Vaidoso!

Veio para incomodar. 

Irá embora um dia?  Daqui a 20, 30 anos, ou mais.

Por enquanto, receberá umas cócegas na barriga; vacinas fraquinhas que nem o afastam. Mas, fica meio assustado com outras que ainda podem chegar. Umas tem só perfume que ele não gosta. Outras? Quem sabe, quem sabe. 

Até lá, deita e rola! Ri e nunca chora.

Ama a desgraça alheia.  Vai e vem onde tem vontade. É o comentário do século e fica todo garboso, com o peito cheio de pelinhos, vira uma bolinha redonda de tanta alegria.

Êta, bicho levado!

Tomara um dia saia do nosso lado!

Por enquanto, vamos conviver. Você lá e eu cá. 

Como diz marchinha de carnaval: 

“Neste ano, tá combinado. Nós vamos pular separados”.

Xô, bicho levado!

(Anita Zippin, advogada, jornalista, Presidente da Academia de Letras José de Alencar e  membro do Observatório de Cultura do Paraná)


sexta-feira, 27 de novembro de 2020

REMEMORANDO – CORÔNICA CRÔNICA

REMEMORANDO – CORÔNICA CRÔNICA

24/5/20


“A bibliotheca, n’um concilio ecumênico de Lettras, ostenta, repleta e rica, o seo poder superior de chrysallida fecunda das civilisações”. Silveira Netto. Revista do Club Coritibano. Coritiba, 6 de janeiro de 1893. Anno VI – Número Especial – p.6.


Aspirador de pó num canto, fatigado de trabalho tanto, Cds, DVDs, Fitas de Vídeo e até uns Vinis foram redescobertos e descobertos das pátinas do esquecimento.

Mas gostoso, mesmo, foi revisitar as fotografias, aqueles álbuns no fundo da gaveta, outros na prateleira, na última e mais alta, fotos soltas naquela caixa marchetada com figuras de araucárias que antes ficava sobre a cômoda da vó.

Avidamente foi folheando aquele repositório de memórias familiares, paternais, maternais, amigas, aventureiras, cheio de saudades e histórias.

Há tempos não sentia necessidade dessas informações, apagadas pareciam, porém, ao mesmo tempo em que as imagens eram revistas, os nichos de memória foram  sendo encontrados.

Pegou, por primeiro, modo aleatório, o álbum da infância da mãe, falecida há 2 anos.

Viu, com admiração, semelhanças físicas, ah, pensou, a genética.

Prestou mais atenção, recordou da mãe contando de uma boneca que nunca largava e lá estava ela, não dava para ver direito, foto antiga, desgastada, pequena, mas tinha alguma coisa com cabeça, braços e pernas, só podia ser aquela boneca!

A casa dos avós maternos nas fotos, chegou a conhecer, mexia tanto na caixa marchetada que a avó se rendeu e a presenteou no aniversário de 12 anos: relicário que ninguém podia tocar.

Mamãe tão pequena, tão frágil, nem figurava viria a ser a mulher resoluta e obstinada na defesa da família.

Outro álbum e lá estava com primos num verão no interior de São Paulo – rostos felizes.

A filha de 7 anos vendo a atenção dada, aninhou-se no colo e pedia explicações, quem eram, aonde estavam, quantos anos tinham.

Vencido outro caderno de fotos, pegou o da formatura, 34 anos passados. Encontrava-se, até hoje, com alguns amigos. O grupo mais próximo seguia saudável, sem baixas, agora todos no whatsapp.

Tinha uns bilhetes no meio, mensagens de um Amigo-Secreto. Eram animados os jovens bacharelandos.

O menino de 12, arisco nos limites do apartamento, num acesso de ciúmes e curiosidade, sentou ao lado, e riu dos “tios” com cara de novos.

Unidos, prospectaram aquelas fotos, as coladas, as soltas, filho e filha questionando sobre pessoas e lugares.

Os arquivos do backup cerebral se foram abrindo e contou aos filhos as brincadeiras com os primos, como era sua escola, como era antes do smartphone, o que a mãe cozinhava, no que trabalhavam os avós.

Assim feitas as provocações, viu-se contando sobre sua vida na infância e na adolescência, no seu trabalho, como se apaixonou e casou, eles não perguntaram, mas ficou buscando as causas do divórcio. Não pareciam nítidas ante o dilúvio de lembranças. 

Claro, sabia, um amadureceu, o outro não, pronto!

Uma pontinha de saudade, de falta daquela companhia, insistia em não ir embora.

Lembrou dos namoros, de gente que não via fazia tempo, quais suas andanças?

Estavam os três juntinhos no quarto de televisão, a menina dormindo, o guri matraqueando com seu inquérito sobre o passado dos pais.

Ele perguntou se sabia fazer a torta de coco da avó, disse que sim, faria na terça-feira, depois da vídeoconferência do trabalho.

O menino perguntou, pela enésima vez, naqueles 45 dias de recolhimento doméstico, porque não iam para a escola, porque trabalhar em casa, queria ir no parquinho?

Explicou, paciente e novamente, de uma doença que veio da China e que estava deixando muita gente, no mundo todo, doente e que como não tinha remédio, para as pessoas não pegarem a gripona os médicos diziam para ficar em casa, não era bom muita gente junta, como na escola, no trabalho, no cinema, no campo de futebol.

Ele meneou a cabeça dando a entender que compreendera a explicação, depois ficou quieto, passados momento silenciosos, com olhar fixo, perguntou se quando acabasse a doença ainda ficariam juntos contando histórias, falando de comida, de brincadeiras, dos avós, dos tios.

Teve que pensar e não soube responder. Comoveu-se, olhos úmidos, imaginou se não negligenciara os filhos no corre-corre-4a revolução-industrial e cismou se não estava   substituindo a vida em família e a si, pelos professores, cursos de línguas, celulares, pelo conforto-consumismo-imposição-mídia? Já ouvira e lera a respeito, nunca crendo que a quantidade de tempo fosse melhor que um tempo curto, mas com qualidade. Ócio Criativo, do De Masi, suspirou.

Aaah, teve sentido a frase da menina, quando do aniversário do irmão, na semana anterior: no meu aniversário quero bolo, pastel, você e meu irmão, sem toda aquela gente da outra vez.

A fala fez perceber, devia mudar certos comportamentos, já estavam trancados havia 40 dias no apartamento de 3 quartos. Mal saíam para comprar alimentos e, mesmo assim, o menino ficava no carro e ia com a menina, máscaras no rosto, rapidamente comprar o que fosse necessário e voltavam para casa.

Tinham as lições da escola virtual, as reuniões de trabalho que monopolizavam o único computador, as horas de irritação, mas, especialmente, aqueles momentos de comunhão.

O peito apertou com um sentimento de culpa, alguma negligência com aquelas 2 criaturas tão dependentes, tão submissas ao modo familiar de ser, tirânico de alguma maneira, já que, claro, nunca foram consultadas para saber se queriam menos ou mais tempo com os pais.

Mas quais mudanças?

A resposta não era certa. Como tudo, reflexão era necessária, mas a incerteza do mundo pandêmico mostrava seu outro lado: a importância do mundo familiar, mais pensado, sem as imposições despóticas dos modelos sociais e econômicos.

O núcleo familiar estava em transformação, verdadeira crisálida em tempo de maturação, aguardando metamorfose de hábitos e usos, impulsionada por um microorganismo; o germe verdadeiro, entanto, só estava esperando o solo fértil da atenção para se manifestar e transmutar atitudes e percepções, metanoia diriam os filósofos.


segunda-feira, 9 de novembro de 2020

A lembrança de Lili Zippin - hoje, 9 de novembro de 2020 faria 107 anos



 

DECÁLOGO DO BRINQUEDO SEGURO

 

DECÁLOGO DO BRINQUEDO SEGURO

DEZ MANDAMENTOS
cuja observância se impõe

“Grande é a alegria, a bondade e as danças,
Mas o melhor do mundo são as crianças…”

Fernando Pessoa

Criança
a rimar com segurança
E BRINQUEDO seguro
Como prenúncio de FUTURO

 

Cumpre formular, na circunstância,

em homenagem à segurança das crianças
(que tantos elegem como "o melhor do mundo"!),

uma mancheia de princípios, de forma breve mas impactante e de molde a incutir em todos e em cada um a necessidade de rigor na selecção e na aquisição de brinquedos e jogos.

Porque há brinquedos que matam
Porque “o Diabo deu um tiro com a tranca de uma porta”!
Porque há, como se dizia outrora, numa interessante e oportuna campanha da Comunidade Europeia ("o tempora, o mores"!), "brinquedos menos inocentes que as crianças"!

Milhões (milhões!) de brinquedos provenientes do Sudeste asiático foram, há não muitos anos, retirados do mercado porque inseguros, susceptíveis de causar graves danos às crianças.

A Mattel viu-se envolvida em tal escândalo de consequências inenarráveis!

Dentre tais brinquedos contavam-se a "Barbie", o "Batman" e alguns bonecos da “Rua Sésamo”.

Daí que nos tenhamos de rodear de cautelas sem par.

Precaução e prevenção – princípios nucleares a eleger como dominantes neste segmento.

Eis o DECÁLOGO.

Dirigido aos que no mercado de consumo importam brinquedos e promovem a sua oferta à massa anónima de consumidores, assistida de uma comunicação intensa, persuasiva, insinuante.

Nele se resumem, afinal, as regras constantes da Directiva Europeia da Segurança dos Brinquedos com tradução nos normativos nacionais:

“1.º Não enredarás crianças e jovens em PUBLICIDADE que explore a sua vulnerabilidade psicológica com o fito de lhes impingir brinquedos nem as exortarás a que comprem ou exijam aos adultos que lhos comprem

2.º Preservarás SAÚDE E SEGURANÇA DE CRIANÇAS E JOVENS, prevenindo riscos e perigos causados pelos brinquedos

3.º Cuidarás em particular de CRIANÇAS até aos 36 MESES face à peculiar condição e à hipervulnerabilidade da primeira infância

4.º Acautelarás os riscos inerentes às PROPRIEDADES FÍSICAS e MECÂNICAS dos brinquedos, tal como as normas harmonizadas o impõem

5.º Terás em conta as regras sobre INFLAMABILIDADE dos brinquedos para evitar que crianças e jovens se queimem quando inocentemente pegarem num desses objectos para brincar

6.º Observarás com rigor as exigências técnicas quanto às PROPRIEDADES QUÍMICAS que os brinquedos incorporem, evitando riscos e perigos desnecessários

7.º Cumprirás escrupulosamente as prescrições acerca das PROPRIEDADES ELÉCTRICAS para evitar descargas lesivas da integridade física de crianças e jovens

8.º Excluirás a RADIOACTIVIDADE dos brinquedos, impondo aos fabricantes a observância de todas as regras a tal propósito prescritas

9.º Só neles aporás a declaração de conformidade CE, se em rigor tudo, absolutamente tudo, estiver em consonância com as exigentes normas em vigor

10.º Farás acompanhar os brinquedos de MANUAIS de INSTRUÇÃO inteligíveis, em linguagem simples, acessível e compreensível a todos os públicos.”

A Quadra cujos contornos ora se esboçam força é vivê-la de modo redobrado em segurança:

. Segurança nas estradas
. Segurança nas iguarias de Natal e Ano Novo (nos géneros alimentícios em geral, como no tradicional Bolo-Rei)
. Segurança nas decorações alusivas à Quadra
. Segurança portas-adentro, no conforto do lar para os que dele possam fruir
. Segurança nos gestos, na atitude, perante as circunstâncias!

Segurança, em suma, nos brinquedos.
Para que BRINQUEDO não rime com medo.
E teime (e persista) em rimar com folguedo…

Nesta Quadra ofereça segurança.
Segurança - um dos pilares da sociedade.
Segurança - um dos esteios da cidadania.
Segurança - pressuposto de cultura cívica.

A segurança começa em nós e nas exigências que nos propomos fazer a nós mesmos.

A segurança é o expoente da nossa condição cidadã, mormente em período em que a incerteza e a insegurança veiculadas pelo surto pandémico que nos assola reclamam um atitude distinta perante o fenómeno..

Esse o voto que a

apDC – sociedade científica de DIREITO DO CONSUMO -

formula à comunidade envolvente, num amplexo de solidariedade pelas tristes perspectivas de festas sombrias e sem o aconchego dos que nos tornam mais "nós mesmos", no eixo eu/outro e no seio da sociedade familiar!

Mário Frota
apDC - DIREITO DO CONSUMO - Coimbra

 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

Bem-te-vi assobia o que o Sabiá sabia

 Bem-te-vi assobia o que o Sabiá sabia 17.10.20COVID20 

Nesses tempos de pandemia,  

Isolado no mato, medo do humano vetor Mais do que do micróbio terror, Deparei com rica algaravia. 

De fato, a passarada no seu vai-e-vem, Fez passar melhor o demorado tempo, Vi chuva pouca, muito vento, 

E vários bichos que por aqui tem. 

Rendi em fazer comedouro, 

Perto da janela, das aves fotografia. E qual foi a surpresa, um estouro, Os matizados pássaros fazem folia. 

O dono da manjedoura é o Sabiá, Disputa os nacos de fruta 

Com a passarada renhida luta, 

Cedo finda o manjar que ponho lá. 

Outro dia, tempo frouxo, cousa de Pandemia, 

Câmera na mão, a mirar o alimentador, Chegou o Sabiá, o rei do poleiro, E ali pousou, também, Bem-te-vi faceiro, 

Maior e mais soberbo dizia: 

Bem te vi Sabiá comedor, 

Minha vez agora da iguaria. 

O Sabiá, malaco, rápido, voador, 

Foi pra cima do Amarelo, 

Piando, dizia: eu já Sabia, eu já Sabia Que você é só de ver, mas fraquelo Já Sabia, aqui chegando você ia. 

A flava ave tomou altura, 

Trinava lá na lonjura, 

Sabiá, bem te vi, bem te vi, bem te vi, E comendo a fruta, Sabiá respondia: Sabia que você só sabia assoviá. Pipila aí à vontade, que eu chilreio aqui.


sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Saudades de um pai inesquecível

 

Anita: era 17 de outubro de 1981. Dálio Zippin, meu pai disse à sua amada Lili: "hoje eu não venho. vou jantar com a Anita, grande amor da minha vida".

Era meu aniversário. 29 anos, eu ia dar um jantar para parentes e amigos em meu apartamento.

Dálio Pai estava na sauna do Graciosa Country Club, onde ia há décadas. Contam eu lá ele descansava, afinal era o advogado das soluções na ponta da língua, segundo amigos. Sempre a trabalhar com o cérebro e orientar os perdidos na noite, ou no dia.

E o telefone meu tocou: Dálio Pai tinha partido na sauna, de infarto fulminante. Tinham médicos ao redor, também a usufruir da sauna mas nada puderam fazer.

Foi velado no Tribunal de Justiça com pompa de Desembargador, graças aos bons amigos que encontrou e manteve acesa a chama da bondade e dignidade pelo caminho.

E a  palavra dele para sua querida Lili começou a fazer sentido. Sim, Dálio Zippin não veio para casa. Foi jantar com o grande amor de sua vida, Anita , sua mãe. Eu sempre fui a neta dela, sua Anitinha.

Era num sábado, como ele gostaria. Dizia para nós, os seis filhos: "quando eu partir, quero que seja num sábado. Assim, meus fregueses de caderno(quem ele ajudava) só vão saber na segunda-feira pelo jornal, e então, não precisarão gastar com passagem de ônibus".

Foi Dálio Zippin, ficou a saudade.

Na segunda-feira, nós advogados, Dálio, Sérgio e eu fomos abrir o escritório de advocacia de Dálio Zippin, para vermos se tinham processos em andamento, etc.

Encontramos um bilhete numa mãozinha de metal, esta que olho agora ao lado do computador .Dizia mais ou menos assim:

"meus filhos. Favor Publicar. Dálio comunica seu próprio falecimento ocorrido no dia 17 de outubro do corrente. Não houve flores porque eu criei a flor simbólica e todo o que gastarem, façam doação para a Sociedade Socorro aos Necessitados. Recebi em vida muito mais do que mereci. Depois de morto, nada mais preciso. Seu irmão , universalista, Dálio Zippin.

Poderia parar por aqui esta história que aconteceu há 41anos.

Mas tem a graça que levamos ao Dr. Francisco Cunha Pereira para publicar na Gazeta do Povo. E ele perguntou-me, com ternura e emoção:

"mas , doutora Anita, quer que publique também com a assinatura de seu saudoso pai"?

Eu disse que sim, e acredito que metade de Curitiba se emocionou.

Agora, neste dia , ou nesta noite, recebo o sinal como gosto de sentir perto de mim os que me são caros e como dizia o jornalista Wanderley Dias,,, partiram antes;

Quando estava pensando, será que irei escrever algo aos meus amigos e colegas de vida bem vivida, eis que um dos filhos de Dálio Zippin, daqueles filhos de estimação, o Amadeu Geara coloca o sinal de Dálio Pai, bem aqui.

Conto, esta canção, que Geara escolheu hoje no face, Dálio Pai nos chamava depois do jantar, em noite bela de lua cheia, pedia que fôssemos em silêncio. Ele pegava o violino e ia à janela de sua amada Lili cantar a música Lua Branca.

e quero mais sinal que este?

agradeço todos que nos querem bem, que nos cuidam, nos protegem, nos dão momentos lindos nesta vida e fazem com que acreditemos que, numa linda noite de luar, ainda irei fazer uma serenata na janela da eterna Lili, mãe de ouro, com o violinista Dálio Zippin e meus irmãos que subiram antes José, Dálio Filho, Sérgio e Marilu.

Por enquanto, ficarei mais um bom tempo com a irmã Diana a tentar praticar o bem como eles nos ensinaram e, quem sabe, quando estiver subindo venha um violinista deste o telhado a me saudar, meu amado pai Dálio Zippin.

para ele, a eterna frase que escreveu bem grande na parede do quarto das meninas para nunca esquecermos, hoje tão bela para saudar sua subida à eternidade:

"quando só se pretende a prática do bem, sempre se triunfa" (J. J. Rousseau)

GRATIDÃO OS HEROIS DA PANDEMIA