terça-feira, 21 de junho de 2016

Te desejo O nada!

Te desejo O nada!
June 20, 2016
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Ariadne Zippin

Você já se pegou pensando sobre como preencher um vazio em sua vida? Parou para sentir o que estava faltando em sua empresa?

O que normalmente está faltando em nossa vida e para que tenhamos o equilíbrio necessário para chegarmos onde queremos é o vácuo!

Quando criança estudamos sobre as descobertas de Arquimedes. Ele descobriu que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Sendo assim, em nossas vidas, vamos em busca de preencher tanto um “vazio” que não sobra espaço para coisas novas e boas. As coisas precisam fluir e para fluir elas precisam encontrar espaços vazios.

Parece um tanto complicado, mas é simples, para nos preencher, precisamos nos esvaziar.

Digamos que você more em um apartamento com apenas uma garagem e não tenha outra para alugar. Você ganhou um carro em um sorteio. O que você faz? Se desfaz de um deles para que o outro (que for melhor pra você) fique! Em nossos relacionamentos acontece a mesma coisa. Não existe espaço para algo novo e bom, se não deixarmos a vaga vazia. Na nossa empresa muitas vezes nos vemos cheio de tarefas que acabamos cancelando compromissos que nos fariam bem e poderiam até nos dar mais lucro do que o compromisso que já tínhamos. O medo de não ter o que fazer ou o sentimento de ociosidade nos deixa aflitos e estamos sempre em busca de ficarmos “lotados” de serviço. Pense quanta coisa boa para seus negócios poderiam acontecer se você tivesse espaço vazio em sua agenda.

A meditação, hoje em dia, mais que moda, já está virando uma necessidade. As pessoas estão em busca de encontrar e criar esse vácuo. A necessidade e ao mesmo tempo a dificuldade de criar esse silêncio da mente, tem feito com que mais e mais pessoas busquem meditar. A meditação, nada mais é que colocar o vácuo, dentro de si. Acalmar a mente para deixar que coisas boas entrem.

O desapego também é extremamente importante para nosso bem estar. Perceba a diferença entre duas pessoas. Uma pessoa guarda dinheiro pois no final da vida tem medo de envelhecer e não ter onde morar ou não ter dinheiro para comprar remédios e a outra que guarda dinheiro para fazer uma viagem de volta ao mundo quando se aposentar. Qual você diria que está certa? Não cabe a mim julgar as escolhas mas cabe a mim apontar a diferença vibratória e o preenchimento errôneo de seu ser.

A que guarda dinheiro com medo de envelhecer já carrega o medo e atrai o envelhecimento para sua vida. Atrai também o medo e a doença. Atrai o medo da solidão. Essa pessoa está preenchendo a vida dela de coisas negativas, atraindo tudo que ela não deseja, pois só em pensar nessas possibilidades, elas são lançadas ao universo, trazendo a elas aquilo que deseja. A outra almeja viajar, conhecer e viver.  Qual das duas você acredita que terá um futuro melhor?

Quando falo que dois corpos não conseguem ocupar o mesmo espaço, afirmo que se você está preenchido de coisas boas as ruins não entram e a recíproca é verdadeira.

Se você está na porta do mercado segurando suas sacolas e alguém joga para você um vale presente de um ano de mercado grátis, você não consegue pegar, não é mesmo? Você pode se perguntar agora, mas qual a possibilidade disso acontecer? Eu te digo que acontece todos os dias.

Você reclama do seu trabalho e não tem tempo de ir procurar outro. Você é convidada para jantar mas devido ao trabalho resolve recusar e deixa de conhecer o amor de sua vida, um grande cliente ou um novo amigo. Te convidam para ser sócia de uma empresa e o medo de arriscar faz com que desista. Isso se chama ser preenchida!

Busque o vácuo. Deixe com que as oportunidades fluam. Deixe espaço para que as energias boas circulem.

Deixe espaço na sua vida para as coisas que são suas e estão a caminho. Pare um pouco de pensar, apenas seja e sinta. Deixe o vácuo tomar conta da sua vida. No vácuo o som não se propaga. Nele você não ouve os outros. Você não ouve o medo. Você escuta a sua intuição. Você escuta o seu ser e aí sim saberá o caminho a seguir e saberá o que deve ficar e o que deve desapegar, deixar ir para que o novo e o bom tenha espaço de chegar em sua vida e na sua empresa.


Desejo a você leitor, que sua vida seja repleta de nada e que esse nada seja repleta de vácuo e que isso te faça feliz!!!

domingo, 19 de junho de 2016

O que entendo por Deus

O que entendo por Deus


O livro (Ética - Demonstrada à Maneira dos Geômetras) de Baruch Spinoza[1] dá uma visão dele sobre a figura do Criador em uma época em que se declarar ateu ou até agnóstico poderia significar a morte e torturas aplicadas pelos fanáticos após qualquer denúncia. Seu livro só foi publicado após sua morte e sob cuidados especiais. É uma obra extraordinária que merece leitura e releitura inúmeras vezes.
Assim, lembrando, mas fugindo do seu rigor matemático, o roteiro de Spinoza proponho a seguinte definição para o que seria ou é Deus:
1 – Entendo como ser universal, a quem denomino Deus, o ente formado pelo conjunto das leis que governam a Natureza (não o contrário).
2 – O Universo é absolutamente tudo o que existir de forma material (no binômio “matéria- energia” enquanto não se descobrir mais nada).
3 – A natureza de Deus é inacessível por qualquer objeto ou ser de sua criação.
4 – Deus, sendo o que é, não modifica sua vontade arbitrariamente.
5 – Deus é absolutamente infinito, isto é, um conjunto material/energia eterno e com leis definidas objetivamente (sem paixões).
6 – O que é perfeito e onipotente não muda e não depende de esforços humanos.


Ponderações


A Humanidade inventou a figura de Deus para ter proteção e esperanças. O conceito do que possa ser Deus é manipulável, pois é vago e pessoal, apesar dos seres humanos fazerem afirmações peremptórias, tanto mais veementes quantos mais ingênuas, ignorantes, oportunistas e/ou medrosas forem. A falta de instrução, a ausência de conhecimentos em Ciências Exatas assim como de História e Filosofia fortalecem comportamentos radicais, que também aparecem quando o jovem é submetido a uma educação dirigida fortemente para alguma religião.
Podemos qualificar a Humanidade e o comportamento de nações a partir de suas religiões dominantes. A história e o noticiário atual em qualquer época (antes, agora e ) adiante sempre ilustrarão as convicções existentes.
Deus, existindo de alguma forma, seja ela qual for, estará infinitamente acima de nossa capacidade de verificação e questionamentos diretos. Podemos, quando muito, intuir e aceitar, até mesmo acreditar com forte convicção, mas isso será sempre algo singular, íntimo.
Imaginando que Deus exista e de alguma forma transmita seus “recados” temos o direito de fazer meditações, análise de nossas consciências mais nobres e até perversas. É pouco verossímil imaginar que um Ser Supremo seja instigador de atos agressivos, maus, vingativos etc.
A visão antropomórfica do Grande Arquiteto do Universo é perigosa, pois temos defeitos demais para acreditar que fomos “feitos à imagem e semelhança de Deus”.
Imaginar Deus com atributos positivos e lembrar que Ele não será bajulável, não é algo à espera de rituais, rezas e promessas ajuda a entender a responsabilidade que carregamos sobre nossos destinos.
O peso da consciência é monumental e proporcional à inteligência e cultura que pudermos acumular. Quem não as tem por natureza e, ou educação é inimputável, é um simples animal. Tendo tido a oportunidade de crescer intelectualmente tornamo-nos reféns do que aprendemos...

Cascaes
19.6.2016



[1] Baruch de Espinoza1 (também Benedito Espinoza; em hebraico: ברוך שפינוזהtransl. Baruch Spinoza) (24 de novembro de 1632Amsterdã — 21 de fevereiro de 1677Haia) foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Nasceu em Amsterdã, nos Países Baixos, no seio de uma família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Wikipédia

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Antologia ALJA

Com a Palavra o confrade Celso Portugal

Leitura e análise de ata da última reunião da ALJA

Ponderações iniciais e o destaque: Desembargadora, Embaixadora da Paz e Secretária Nacional Luislinda Dias de Valois Santos

Início de reunião ALJA em 15 de junho de 2016

O orador

O orador
Cardoso Filho

          Conversavam no velório. “Foi um bom sujeito”, disse um. E o outro: “É verdade, muito boa gente”. Seguiram nas frases convencionais dessas ocasiões, entre elas a inevitável “para morrer basta estar vivo”, dita sempre com um suspiro filosófico de quem afirma algo inédito, definitivo e incontestável. Amado lá estava, esticado no caixão, com expressão serena, parecia dormir, efeito da boa maquiagem. “Mas cometeu lá seus deslizes”, disse o primeiro, fazendo concessão aos fatos. “É, cometeu, mas quem não comete, né?”, ressalvou o outro. Um terceiro, desconhecido, bem-trajado, de terno e gravata, ouvia ao lado e se aproximou. Apresentou-se como velho amigo de Amado, sabedor como ninguém de sua vida, conviveram desde a adolescência, assistira aos seus altos e baixos. “Creio que ninguém o conheceu mais do eu”, afirmou com certa arrogância, chamando para si toda a competência sobre a matéria. “E vou lhes dizer uma coisa: no fundo da alma, foi um romântico, um sonhador, um nostálgico. Coisas que só a nossa estreita convivência permitia perceber.  Além do mais, carregava segredos que nem eu descobri. Sabe aquela caixa escondida que cada um tem guardada no peito, na alma, sei lá, e não abre para ninguém? Pois é, Amado tinha a sua, não falava a respeito, mas arrisco dizer que um pouco do conteúdo eu sabia.  Outro detalhe é que deixou de acreditar na humanidade, sem endurecer o espírito. Continuou o mesmo, fazendo o que achava certo e preciso, embora com certa amargura”. Parou um instante e foi atalhado: “Desilusão, na certa. O Amado teve algumas”. Retomou a apreciação: “Teve sim suas decepções, mas nunca culpou ninguém. Achava que, no final das contas, era ele o responsável pelas coisas que lhe aconteciam, não jogava responsabilidade para os outros e reconhecia os erros. Teve lá seus impulsos, aquelas decisões fatais que cobraram seu preço”.
          Afastou-se dali, circulou por outras rodas na condição de amicíssimo de Amado. Até que foram chamados para a oração que um padre capuchinho faria. O padre, idoso, de longa barba branca, apoiado numa bengala, vestido numa gasta batina marrom e calçado de velhas sandálias, de vez em quando precisando sentar-se para breve descanso das pernas e costas doídas, fez as orações, entremeando-as com considerações sobre a vida e a morte. A morte não era o fim, se morria para renascer na ressurreição prometida, segundo a crença em Cristo. E acrescentou que Amado tivera, afinal, uma existência cristã, se não pela presença assídua nos templos, pelo menos no comportamento em geral. Por isso, seria bem acolhido na outra vida, na que não se morre, pois Deus haveria de lhe conceder o perdão pelos eventuais pecados não saldados por aqui, e cada qual dos presentes refletiu sobre suas dúvidas e misérias.
          Antes de o corpo baixar à sepultura, um familiar indagou se alguém queria dizer algumas palavras, e os olhos se voltaram para o amigo que alardeara ser o que mais o conhecera. Ele aceitou aparentando modéstia, abeirou-se mais da cova, pigarreou para limpar a garganta, apanhou um lenço no bolso e começou: “Conheci muito bem o Amado. Não sei se conseguirei dizer o que gostaria em sua homenagem, não por falta de motivos, que muitos há, mas porque a emoção ameaça me embargar a voz. Pois bem, serei breve, meu fraterno Amado, amigo de tantas jornadas e confissões mútuas. Nós, aqui presentes neste momento solene e pleno de mistério, e todos os que o conheceram, somos testemunhas desta verdade: se todos os homens fossem como você, o mundo seria um lugar bem melhor e mais digno. Viveste com dignidade o que te foi dado viver. Segue, pois, Amado amigo, para a Eternidade, sob os louros de teus bravos feitos e acompanhado de nosso sentido pranto e saudade. Foste um vencedor! Que Deus, em Sua misericórdia infinita, te acolha e os Anjos exultem à tua passagem! Colhe nos páramos celestiais a recompensa que fez por merecer”. Enxugou os olhos com o lenço e recolheu-se ao silêncio contristado e profundo, só interrompido por cumprimentos ligeiros, sob os olhares agradecidos e emocionados dos familiares do morto.
          Findo o sepultamento, um dos presentes dirigiu-se ao orador, que se afastava com bastante pressa. Cumprimentou-o pelo breve mas belo discurso e manifestou a curiosidade de não o ter conhecido antes, pois também fora muito amigo do Amado. O orador segurou-o pelo braço, pararam, aproximou-se como se fosse cochichar e confidenciou: “Vou lhe revelar um segredo: gosto muito de enterro. Não sei por quê, mas desde pequeno sou assim. É esquisito, eu sei, mas é o meu jeito. Chega a ser vício. E gosto demais de discursar. Vou a todos os funerais que posso e faço isso, de discursar, sempre que dá. Aproveito qualquer deixa. Só não discurso em enterro de suicida. Aí fica difícil. Também não dá em enterro de criança ou de jovem e muito menos de mulher, que pegaria mal. No restante, é fácil. Na verdade, não conheci o Amado, mas isso não importa, o discurso é sempre o mesmo. Circulo pelo velório, converso, colho alguns dados junto aos presentes, mudo um pouco aqui e ali, adapto ao caso, à religião, dou uns enfeites e pronto! Não tem erro”. E despediu-se feliz.


Junho de 2016

Ideologias


A visão idealista criou ideologias[1] e uma coleção interminável de derivativos. A visão idealista da vida é um dos efeitos das religiões, sempre induzindo as pessoas a acreditarem em seres superiores e verdades transcendentais. Muitas desses figurinos de opção política serviram para o endeusamento de ditadores e políticos, simplesmente. Em tempos modernos, graças a tecnologias de marketing e repressão é fácil inventar fórmulas e deuses.
Os séculos 19 e 20 [ (Hobsbawm, A Era do Capital 1848 - 1875), (Arendt, As Origens do Totalitarismo), (Hobsbawm, A Era das Revoluções 1789-1848), (U. Eco, O Cemitério de Praga), (Ferry), (Foucault, A Arqueologia do Saber), (Hobsbawm, Era dos Extremos)] serviram de campo de conflitos entre teóricos e militantes de propostas de organização social que mergulharam a Humanidade em muitas guerras colossais.
A negação do conhecimento pleno, saber da impossibilidade de dominar ciências tão difusas quanto muitas que afetam a vida humana ajuda no desprezo pelos figurinos, e isso é extremamente importante.
Não existe ainda outra proposta melhor do que a da defesa da liberdade, a da igualdade de oportunidades e a preocupação com a fraternidade entre os povos, nações, tribos, pessoas.
Acrescente-se a tudo isso a preocupação crescente com o meio ambiente, o futuro próximo das condições de sobrevivência e veremos que a união dos povos em torno de sua sobrevivência é essencial.
Temos condições técnicas de até desviar corpos celestes previamente identificados, poderemos, entretanto, desaparecer por efeito de montanhas de lixo que produzimos sem pensar no que isso significa.
Podemos considerar valores comportamentais como essenciais ao aprimoramento da vida humana, talvez entre elas a valorização da sinceridade, da verdade, da preparação das pessoas para ouvirem e falarem a verdade.
Michel Foucault ([org.], Foucault - a coragem da verdade) ] desenvolve com profundidade o tema “a força da verdade” e resgata a Escola Cínica[2] talvez querendo valorizar o imperativo categórico de Kant:
(fonte Wikipédia) Imperativo categórico é um dos principais conceitos da filosofia de Immanuel Kant. Sua ética tem como conceito esse sistema. Para o filósofo alemão, imperativo categórico é o dever de toda pessoa doar conforme os princípios que ela quer que todos os seres humanos sigam, se ela quer que seja uma lei da natureza humana, ela deverá confrontar-se realizando para si mesmo o que deseja para o amigo. Em suas obras Kant afirma que é necessário tomar decisões como um ato moral, ou seja, sem agredir ou afetar outras pessoas.
O imperativo categórico é enunciado com três diferentes fórmulas (e suas variantes), são estas:
1)Lei Universal: "Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal."
a)Variante:"Age como se a máxima da tua ação fosse para ser transformada, através da tua vontade, em uma lei universal da natureza."
2)Fim em si mesmo: "Age de tal forma que uses a humanidade, tanto na tua pessoa, como na pessoa de qualquer outro, sempre e ao mesmo tempo como fim e nunca simplesmente como meio"
3)Legislador Universal(ou da Autonomia): "Age de tal maneira que tua vontade possa encarar a si mesma, ao mesmo tempo, como um legislador universal através de suas máximas."
a)Variante: "Age como se fosses, através de suas máximas, sempre um membro legislador no reino universal dos fins."
 Ou seja, desde tempos imemoriais, de uma forma ou de outra, grandes profetas e filósofos defenderam ou estruturaram suas propostas a partir de algo tão simples como poderíamos dizer: ame seu próximo como a si mesmo sendo sincero, honesto, justo. Naturalmente na submissão a seres superiores a maioria absoluta desses líderes passados e presentes escora suas convicções no medo de desagradar algum ser superior e/ou na convicção de trocas de simpatias com os deuses, quem sabe usando esses argumentos para serem aceitos...
O essencial, contudo, é que a vida pode ser muito melhor, gratificante e produtiva quando a maioria das pessoas acredita na força da verdade e trabalha com a preocupação de interagir e ser útil.
Qualquer que seja a relação econômica e política entre as pessoas os resultados podem ser bons.
Qualquer estrutura dá bons resultados se as pessoas forem boas, competentes, e esse é o grande mandamento de qualquer empresa ou sociedade: bons resultados.
Convicções que criam conflitos violentos, inimizades, rancores e demolição mútua são a negação da inteligência.
A prática da sinceridade é o grande instrumento de aprimoramento da vida, é a grande ideologia.
Mas, e as ideologias?
Apesar dos discursos não passam de leves tinturas que desaparecem ao primeiro esforço de tirá-las. Com raras exceções as pessoas se apegam a modismos e figurinos mentais sem convicção, na maioria das vezes a partir de motivações triviais [merecem leitura (U. Eco, O Pêndulo de Foucault), (Llosa, Conversa no Catedral)].
O que fazemos ao escolher um clube de futebol para torcer e até morrer de melancolia ou explosões de fúria é o que criamos ao declarar simpatias políticas, raramente lúcidas.
Ao longo da vida vimos a evolução e regressão de praticamente todos os líderes que nos empolgaram. Simplesmente mostraram que eram humanos, demasiadamente humanos, lembrando Nietsche (NIETZCHE).

Cascaes
16.6.2016

[org.], Frédéric Gros. Foucault - a coragem da verdade. Trad. Marcos Marcionilo. Parábola Editorial, s.d. <http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com/2013/09/foucault-coragem-da-verdade.html>.
Arendt, Hannah. As Origens do Totalitarismo. Trad. Roberto Raposo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
Eco, Umberto. O Cemitério de Praga. São Paulo: Editora Record, 2011.
—. O Pêndulo de Foucault. Bestbolso, 2009.
Ferry, Luc. Aprender a Viver - Filosofia para os novos tempos. Trad. Vera Lúcia dos Reis. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006.
Foucault, Michel. A Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária Ltda., 2010.
Hobsbawm, Eric. A Era das Revoluções 1789-1848. Trad. Marcosd Penchel Maria Tereza Lopes Teixeira. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2004.
—. A Era do Capital 1848 - 1875. Trad. Luciano Costa Neto. São Paulo: Paz e Terra, 2007.
—. Era dos Extremos. Trad. Maria Célia Paoli Marcos Santarrita. Companhia das Letras, 1998.
Llosa, Mario Vargas. Conversa no Catedral. ALFAGUARA, s.d.
NIETZCHE, FREDERICO. Vols. HUMANO, DEMASIADO HUMANO. s.d. 16 de 6 de 2016. <https://saudeglobaldotorg1.files.wordpress.com/2013/08/te1-nietzsche-humano.pdf>.










[1] Ideologia é um termo que possui diferentes significados e duas concepções: a neutra e a crítica. No senso comum o termo ideologia é sinônimo ao termo ideário, contendo o sentido neutro de conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas ações sociais e, principalmente, políticas. Para autores que utilizam o termo sob uma concepção crítica, ideologia pode ser considerada um instrumento de dominação que age por meio de convencimento (persuasão ou dissuasão, mas não por meio da força física) de forma prescritiva, alienando a consciência humana.
Para alguns, como Karl Marx, a ideologia age mascarando a realidade. Os pensadores adeptos da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt consideram a ideologia como uma ideia, discurso ou ação que mascara um objeto, mostrando apenas sua aparência e escondendo suas demais qualidades. Já o sociólogo contemporâneo John B. Thompson também oferece uma formulação crítica ao termo ideologia, derivada daquela oferecida por Marx, mas que lhe retira o caráter de ilusão (da realidade) ou de falsa consciência, e concentra-se no aspecto das relações de dominação.
A ideologia também foi analisada pela corrente filosófica do pós-estruturalismo, a qual é apontada por muitos autores como a superação do marxismo.

[2]cinismo foi uma corrente filosófica fundada por um discípulo de Sócrates, chamado Antístenes, e cujo maior nome foi Diógenes de Sínope, por volta de 400 a.C., que pregava essencialmente o desapego aos bens materiais e externos. O termo passou à posteridade como caraterização pejorativa de pessoas sem pudor, indiferentes ao sofrimento alheio (que em nada se assemelha a origem filosófica da palavra).
Esta atitude era parte de uma procura da independência pessoal. Alguns foram longe demais, rejeitando mesmo as decências básicas. Para poderem manter a compostura face à adversidade, reduziam as suas necessidades ao mínimo para garantir a sua autossuficiência. Mais do que uma teoria, era um modo de vida.  Para os Cínicos, a vida virtuosa consiste na independência, obtida através do domínio de desejos e necessidades, para encorajar as pessoas a renunciarem aos desejos criados pela civilização e pelas convenções. Os cínicos empreenderam uma cruzada de escárnio anti-social, na esperança de mostrar, pelo seu próprio exemplo, as frivolidades da vida social. Wikipédia

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Lembrando um grande momento da Secretária Des. Luislinda Dias de Valois Santos




http://g1.globo.com/bahia/noticia/2016/06/luislinda-valois-e-nomeada-secretaria-de-promocao-da-igualdade-racial.html

ORGULHO PARA ALJA - Confreira Luislinda é nomeada secretária

ORGULHO PARA ALJA - Confreira Luislinda é nomeada secretária

Entrada
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lilianguinski@bol.com.br

13:53 (Há 1 hora)
para anitazippinhamiltonbonatmim
http://atarde.uol.com.br/politica/noticias/1778449-luislinda-valois-e-nomeada-secretario-do-governo-temer

Compartilho a grande notícia da nomeação da Confreira Luislinda.
Orgulho para a ALJA, esperança franca para o Brasil.

Lilian Guinski

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Des. Luislinda Dias de Valois Santos em Curitiba - Desembargadora é Secretária da Igualdade Racial do Governo Temer

De: Francisco Souto Neto]
Enviada em: sexta-feira, 10 de junho de 2016 09:16
Para: 'Luislinda Dias de Valois Santos'
Assunto: RES: PARABÉNS!!!

Querida confreira Drª Luislinda!

A veiculação da sua notícia
está sendo feita pelo Portal Iza Zilli. A Iza é também nossa confreira e minha afilhada na Academia de Letras José de Alencar. O endereço geral da Iza é este: http://www.izazilli.com/

Estou passando a notícia à Anita.

Beijo fraterno do
Souto.


De: Luislinda Dias de Valois Santos 
Enviada em: quinta-feira, 9 de junho de 2016 16:22
Para: Francisco Souto Neto
Assunto: Re: PARABÉNS!!!

Muito obrigada caro amigo.
Suas palavras são verdadeiras obras de arte no meu viver.
Abraços de agradecer.
Luislinda Valois
Enviado do aplicativo myMail para Android
quinta, 09 junho 2016, 01:41PM -03:00 de "Francisco Souto Neto" <fsoutoneto@terra.com.br>:
Querida confreira Drª Luislinda!
Para mim, a sua brilhante presença é a primeira notícia auspiciosa do Governo Temer, e uma das únicas que me motivam ao aplauso. Parabéns, querida amiga, por representar um raio de esperança nas expectativas do novo governo.
Com o beijo fraternal do


Francisco Souto Neto

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Retribuição

Retribuição
Cardoso Filho

          Matilda tem três pernas. Não, não. Não se trata de aberração da natureza. É uma cachorrinha basset que Maura, minha filha, adotou. Já veio assim, com nome e falta da perna traseira esquerda, e se desconhece a causa da mutilação. Pode ser sido atropelamento, mas também maus tratos. É mistério indevassável. Quando a entregaram à minha filha, já se encontrava amputada. É de desconfiar que tenha sido vítima de alguma violência humana, por seu comportamento em relação a pessoas que lhe são estranhas: reage com latidos a aparentar alguma agressividade, provável que em autodefesa motivada por algum trauma.
          Começou que Maura queria uma cachorrinha. Perdera Dona, uma cadelinha também basset, depois de uma convivência de uns quinze, dezesseis anos. Vieram a saudade e a sensação de que o apartamento ficara vazio. Faltava-lhe vida; faltava a presença alegre e carinhosa da amiga de tanto tempo, que, a certa altura, desenvolveu enfermidade identificada como lúpus, e a doença, com os cuidados adicionais que requeria, mais apertou o vínculo afetivo entre ambas.
          Já escrevi outras vezes sobre Dona. Narrei, inclusive, sua morte assistida diante da velhice inapelável e cruel. Sem motivo para prolongar o sofrimento, Maura tomou a decisão dolorosa de oferecer-lhe a misericórdia do fim. Pois bem, sem Dona, Maura resolveu arrumar outra cachorrinha. Comentou a respeito e a aconselhei a pensar mais sobre o assunto. Bichinho em apartamento dava trabalho, dava despesas, mas isso e mais aquilo, argumentos que eu utilizava para convencer a mim mesmo de não arrumar um cão, ainda que sentisse saudade do tempo em que desfrutei da companhia desses animais tão doces e amigos. Mas ela estava decidida e mais: queria um animal sem pedigree, e podia ser um vira-latas qualquer, e que tivesse algum dano físico.
          Eis o admirável de tudo: querer um bichinho deficiente, mutilado. Um animal que precisasse, mais que outros, de carinhos e cuidados. Não lhe bastaria amar uma cachorrinha como tantas, fisicamente perfeita; precisava de uma que lhe exigisse mais generosidade do coração, mais desprendimento e dedicação. Seu desejo se concretizou quando uma entidade protetora de animais lhe avisou que havia uma cadelinha mutilada à espera de adoção. Foi até lá, viu e se apegou na hora, e nem o fato de a cadelinha não possuir controle sobre suas funções fisiológicas, outra sequela da mutilação sofrida, a fez recuar.
          Foi assim que Matilda ganhou acolhimento, carinho e morada. Dói vê-la   em sua deficiência e mais ainda quando se cogita que isso tenha decorrido de violência humana. É hipótese atroz; melhor supor que tenha sido por, digamos, atropelamento involuntário, embora não saia da mente que a capacidade humana para a maldade não encontra limites. Diante da radiografia de sua coluna, um veterinário admirou-se de que Matilda conseguisse andar. O dano sofrido seria para lhe impedir de locomover-se sem arrastar a parte traseira do corpo. No entanto, caminha bem, a seu modo. E não apenas anda. Corre, e como corre!, Vai meio de lado, compensando a ausência da perna traseira esquerda, e dispara pelos parques.
          Narrei o caso a meu sobrinho Nelson Cardoso Filho, profissional em Biossíntese e Psicoterapia Somática, e ele definiu, de modo inspirado, a disposição e acolhimento de minha filha em relação a Matilda: comovente retribuição à Existência. E recomendou-me que pusesse tudo numa crônica para repartir a história com os amigos leitores. Foi o que fiz.


Junho de 2016.

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Uma entrevista informal com a Dr. Silvane Marchesine

Dra.Silvane Marchesine, O processo de vida e morte na atualidade, Educação, modismos, miséria inteletual

Universidade da Maturidade Positivo, Dra. Silvane Marchesine, continuando palestra O processo de vida e morte na atualidade


O processo de vida e morte na atualidade - Dra. Silvane Marchesine

    





O processo de vida e morte na atualidade, eutanásia, ética, Medicina, Psiquiatria, interdição, França, Europa, estudos sobre a morte, Direito e Psicanálise, LCC Batel, 

  

quinta-feira, 2 de junho de 2016

No tempo dos faroestes

No tempo dos faroestes
Cardoso Filho
Em antigos filmes de faroeste, quando ocorriam confrontos entre brancos e índios, já se sabia: no final, quase não sobravam índios. Essas cenas de matança poderiam ser consideradas lamentáveis aos olhos de hoje, mas, na época, a molecada que lotava os cinemas nas matinês de domingo, na simplicidade da infância e ainda distante do engulhoso e trapaceiro “politicamente correto”, explodia em gritos, assovios e bateção de pés no assoalho, especialmente quando, em situação de extremo apuro para os brancos, a cavalaria do exército americano surgia para salvá-los.
Lembrei-me delas diante dos acontecimentos da política nacional, sob a ação da Operação Lava-Jato ora empreendida pela Justiça, Ministério Público e Polícia Federais. Do jeito que caminham as investigações, estimuladas pelo fogo nutrido das delações premiadas, sobrarão poucos índios.
Eis por que boa parte dos políticos de Brasília, aterrorizada pelo avanço das investigações, tenta por todos os modos brecá-las. Eles não conseguiram e não conseguirão. A Operação Lava-Jato se tornou um patrimônio moral que a população não entregará aos bandidos. Um símbolo da justiça que queremos.
Observei esse ânimo em recente episódio. Apanhara um táxi e no trajeto até minha residência conversava com Marco, o taxista. Como é quase inevitável nos dias que correm, acabamos falando sobre a terrível situação econômica em que se encontra o Brasil, por obra dos nefandos governos petistas, e ele me contou que sua classe estava sofrendo bastante com a contração da economia; povo sem dinheiro evita tomar táxi. Próximo de meu destino, ele, a coroar seu ponto de vista sobre a situação, manifestou enorme orgulho pela República de Curitiba.
A expressão nasceu de uma conversa de Lula com Dilma Rousseff, em que ele, Lula, atormentado pelo avanço da Lava-Jato, dizia temer a República de Curitiba. O dito ajustou-se como luva à realidade e caiu no gosto popular. Em virtude da ação do Juiz Federal Sergio Moro, da 13ª. Vara Federal de Curitiba, ao lado do Ministério Público e Polícia Federais, Curitiba protagoniza e emblematiza a já histórica devassa promovida pela referida Operação, a ponto de parecer pairar sobre a realidade brasileira, marcada pela impunidade secular, como fosse um estado independente a mostrar o modelo de uma justiça digna e tenaz no combate aos crimes praticado por figurões da política e dos grandes negócios.
Naquele momento, o taxista Marco verbalizava o ufanismo paranaense e a disposição da maioria massacrante dos brasileiros de não permitir interferências que emperrem a Lava-Jato. Somos, pois, a República de Curitiba, berço da Operação que vai mudando a história brasileira.
Mas voltemos à lembrança dos velhos filmes de faroeste. Preocupa demais haver por aqui muito índio e muito bandoleiro. Mocinho tem pouco. Ainda bem que a cavalaria azul, comandada por Sérgio Moro, avança a toda brida contra os malfeitores, sob a intensa emoção do antigos meninos.

Junho de 2016.

          

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