segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

A ética da sobrevivência


A ética da sobrevivência

A ética da sobrevivência


A pirâmide de Maslow (Google) é uma sugestão de crescimento diante de um ambiente social num cenário equilibrado. E quando tudo se desmancha em volta? Em situações extremas a maioria dos seres humanos desce ao piso mais selvagem. Errado?
De alguma forma a Natureza testa seus componentes e daqueles submetidos às piores situações, o resultado tem sido a ascensão posterior de pessoas extraordinárias, se razoavelmente sadias.
Lutar por si é uma quase exigência natural diante de todas as possibilidades de destruição. Desde desastres provocados pelo ser humano até catástrofes naturais e monumentais, por todo lado a Humanidade já passou por violências incríveis, com reduções drásticas de população.
A sobrevivência torna-se o resultado de esquecer, superar, contornar dores imensas.
O medo, tem sentido? É justo?
Dentro da compulsão à sobrevivência o ser humano sente medo, ou seja, a mensagem íntima de sua existência poderá terminar. Não é natural querer sofrer ou morrer e isso só aparece em situações extremas ou após processos educacionais alienantes, sempre prometendo recompensas etéreas.
Queremos viver.
Nossos instintos só negam a vida quando sentimentos de baixíssimo amor próprio dominam nossas mentes ou somos o produto de sistemas de lavagem intelectual, algo fácil de ver entre torcidas organizadas. Os processos de dominação intelectual não se restringem a motivações nobres, o que é assustador.
Basicamente se educamos nossos filhos a querer viver estaremos lhes ensinando a cuidar de suas vidas em ambientes onde provocações devem ser superadas.
Devemos também mostrar que o padrão moral mais íntimo é pessoal, singular. Todos, sem exceção, formam códigos pessoais de conduta com a interpretação própria do significado das palavras que utilizam. Nesse sentido o livro Arqueologia do Saber (Foucault) é de leitura e reflexões obrigatórias assim como livro (OBSERVAÇÕES FILOSÓFICAS) de um gênio precursor da teoria da comunicação – Ludwig Wittgenstein (Wikipédia), pois precisamos sempre lembrar que a compreensão exata das palavras que usamos é algo pessoal e intransferível, pois quem nos ouve, lê, estuda etc. terá seu dicionário embutido em sua cabeça.
Criamos, portanto, um Ética Instintiva.
Com certeza nossos padrões podem variar, mas querer a felicidade e a vida com qualidade é algo natural. Sejam quais forem os argumentos e estereótipos procuraremos de coerência com aquilo que acreditamos realmente, na dimensão de n ossos instintos e crenças pessoais.
João Carlos Cascaes
Curitiba, 23 de janeiro de 2017

Foucault, Michel. A Arqueologia do Saber. Rio de Janeiro: Editora Forense Universitária Ltda., 2010.
Wikipédia. Ludwig Wittgenstein. s.d. <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ludwig_Wittgenstein>.


Um comentário:

  1. Excelente! Agradeço a citação em seu vídeo! Abraço fraterno! Caro Cascaes!

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