quinta-feira, 24 de março de 2016

Sem Saída

Sem saída
Cardoso Filho

          Escreve-me um amigo dizendo que não entende mais nada da barafunda político-jurídica em que o Brasil se encontra e confessa certo desânimo. Assiste-lhe alguma razão. O filme é mesmo intrincado e em muitos momentos fica difícil saber quem é bandido e quem é mocinho e a fita parece não ter fim. Dirigi-lhe uma palavra de ânimo. Disse-lhe que ele, gaúcho raçudo, não há de desanimar da luta de resistência ao mal, e completo aqui, por mais encarniçado, satânico e venenoso como a jararaca seja o inimigo.
Muita coisa virá por aí. Novas e demolidoras delações premiadas estão na bica. Nesta altura, o Brasil não possui escolha. Tem de levar a Operação Lava-Jato até às últimas consequências, atinja a quem atingir, apesar de todas as tentativas de freá-la ou anulá-la dos que sabem que ela lhes será politicamente mortal. A hipótese de não fazê-lo é tão trágica e perigosa que não é bom nem considerá-la.
Outra hipótese fora de cogitação é a permanência de Dilma Rousseff na presidência da república. Não há saída para ela. Tem de sofrer o impeachment, quanto mais não seja, por infringir a lei de responsabilidade fiscal, violada para permitir que o governo petista torrasse dinheiro para ela, Dilma, vencer a eleição de 2014, fato que enterrou o Brasil na maior crise econômica da história. Dizem os petistas, porém, que não é motivo suficiente, argumentando em cima da velha e abominável cultura nacional do atraso e da impunidade que admite o absurdo de existir lei que pega e lei que não pega; de lei que vale e lei que vale mas nem tanto. Parte da cultura do jeitinho, do compadrio, do achego espúrio, do acerto por fora, das negociatas, da facilitação em troca de favores escusos ou pixulecos, da malandragem e crimes que fizeram o Brasil essa sujeira política venenosa e nauseabunda que nos envergonha e rebaixa perante o mundo civilizado. Outro argumento dos petistas é que corrupção sempre houve na política brasileira, pretendendo se socorrer no que chamo de jurisprudência do crime, ou seja, se não se puniu a corrupção no passado, não é justo punir a de agora.
Repito que o Brasil não tem escolha. É fazer ou fazer a limpeza moral de suas instituições, rolem quantas cabeças rolarem, não importando a que partido político pertençam. Quem deve tem de pagar, e se a conta petista for maior, será porque o PT (Partido dos Trabalhadores) está há treze anos no poder e, portanto, bem mais enfiado na corrupção que a Operação Lava-Jato vai escancarando aos olhos estarrecidos dos brasileiros. Frear ou anular a devassa que a Justiça está promovendo no mundo da política e dos grandes negócios a ela ligados enterrará o País numa crise institucional de consequências imprevisíveis.
Preveem alguns que haverá reação ao impeachment de Dilma Rousseff. Que as milícias armadas do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), sob o comando de João Pedro Stédile, sairão às ruas e não será para agitar bandeiras vermelhas, como, aliás, Lula faz pouco tempo ameaçou. Que a Bolívia e seu índio Morales interferirão. Que o tragicômico Nicolás Maduro, também. Que isso e aquilo poderão acontecer. Vamos ver. O Brasil caminhou em tão mau rumo nos últimos treze anos sob governos petistas que fazer meia-volta talvez tenha um custo além do econômico. É possível que dias escuros venham a ser o tributo a pagar para a limpeza moral e recomeço do País. Quem há de dizer?, e me vem à cabeça o samba-canção de Lupicínio Rodrigues.


Março de 2016.

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