A Academia de Letras José de Alencar começou como Associação de Cultura José de Alencar, em 04 de outubro de 1939, em Curitiba, Paraná. Atual presidente: Dra. Anita Zippin
sexta-feira, 28 de junho de 2013
O amigo e Bispo Dutra no Centro de Letras do Paraná
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 28, 2013
Nenhum comentário:
Para lembrar o passado
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 28, 2013
Nenhum comentário:
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Um livro, uma história e o Centro de Letras
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 27, 2013
Nenhum comentário:
Coquetel após solenidades de lançamento do livro “Um século de Cultura – história do Centro de Letras do Paraná”
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 27, 2013
Nenhum comentário:
quarta-feira, 26 de junho de 2013
O desembargador Luís Renato Pedroso, em nome do
Centro de Letras do Paraná, do qual é presidente, comemorando o centenário do
Centro de Letras do Paraná, apresentou o livro (fez o lançamento)
“Um
século de Cultura – história do Centro de Letras do Paraná”
de autoria dos confrades
Antônio Celso Mendes,
Ernani Straube e Paulo Roberto Karam.
Dia: 25 de junho de 2013
Local: Centro de Letras do Paraná
Endereço: Av. Fernando Moreira, 370 Fone: 3222-7731
Curitiba/Paraná.
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 26, 2013
Nenhum comentário:
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Um século de Cultura – história do Centro de Letras do Paraná
Centro de Letras do
Paraná
Centenário
CONVITE
O desembargador Luís
Renato Pedroso, em nome do Centro de Letras do Paraná, do qual é
presidente, convida Vossa Senhoria para o coquetel de lançamento do livro “Um século de Cultura – história do Centro
de Letras do Paraná” de autoria dos confrades
Antônio Celso Mendes, Ernani Straube e Paulo Roberto Karam.
Dia:
25 de junho de 2013
Horário:
18h00min
Local:
Centro de Letras do Paraná
Endereço:
Av. Fernando Moreira, 370 Fone: 3222-7731
Curitiba/Paraná.
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 24, 2013
Nenhum comentário:
terça-feira, 11 de junho de 2013
Escalada da violência e a maioridade Penal
Quem tem coragem de andar tranquilamente pelas grandes
cidades brasileiras? O que fazer? Deixar
de usar o transporte coletivo? Não participar de eventos públicos? Fugir?
A violência promovida pelo crime organizado e por criminosos
de qualquer espécie atinge um nível alarmante no Brasil. Estamos em ambiente de
guerra anarquista, onde ações extremamente agressivas são realizadas por
indivíduos e organizações, simplesmente criminosas, e outras sob a denominação
de movimentos sociais, devidamente organizados por ONGs e partidos políticos.
Estamos vendo nosso país a caminho de momentos mais violentos, até com
potencial de se transformarem em guerras civis a partir do treinamento de grupos
radicais já organizados no Brasil. Quem gosta disso precisa ver e lembrar no
que muitas nações mergulharam na fantasia das revoluções...
Com certeza as teorias marxistas, fascistas, nazistas, étnicas,
racistas, xenófobas, internacionalistas etc. podem servir de amparo para gente
politicamente poderosa organizar e equipar milícias, afinal as ideologias foram
a alternativa criada para as paixões religiosas.
Apesar de tudo continuam a motivar jovens ao sacrifício
heroico, que dão a velhos teóricos o prazer de alguma vingança. Qualquer ser
humano leva décadas para atingir um nível de conhecimento e descrença em teses
miraculosas.
Vivemos numa democracia relativa, como todas o foram e são
desde os primórdios da civilização universal. Qualquer sistema político é
formado por pessoas, com suas virtudes e defeitos.
Bertrand Russell disse que “A inveja é a base da
democracia” (Frases de Bertrand Russell) .
O livro (O Senhor das Moscas - "Lord of Flies") apresenta de forma
romanceada e magistral o comportamento de comunidades isoladas e sensíveis a
seus instintos.
O ser humano é o que é: extremamente complexo e
influenciável.
Maslow (Hierarquia de necessidades de
Maslow, 2012)
ilustra bem as prioridades de qualquer indivíduo sadio e o livro[1]
(Aprender a Viver - Filosofia para os novos tempos,
2006)
reúne pensamentos e propostas para quem deseja esquecer o mundo e ser feliz...
Todas as ciências dão explicações e sugestões de
aprimoramento da vida.
Afinal, podemos corrigir comportamentos e cenários tão ruins
quanto vemos surgir no Brasil? Os brasileiros são seres humanos, complexos,
sensíveis e ingênuos...
Não é privilégio nacional o desespero em que vivemos. Os
conhecimentos e sugestões de grandes pensadores estão à nossa disposição.
A história da humanidade pode ser contada de diversas
formas, entre elas com um viés ideológico e marxista em (Como Mudar
o Mundo)
com relatos magistrais de Eric Hobsbawm e em outros livros desse grande historiador
completando o que diz falando do Marxismo no livro citado. Temos
alternativamente romances que Gore Vidal fez e que merecem estudos profundos
assim como muitas outras coleções e filmes que destacamos em (Livros e Filmes Especiais) .
Em nossa pátria varonil a melhor leitura talvez seja (Assalto ao Poder - O Crime Organizado, 2012) que, por ironia, tem
referências elogiosas a pessoas que mais adiante se revelaram cúmplices do que
vemos atualmente.
A corrupção é de todos o pior câncer brasileiro, extrai
recursos de projetos e serviços essenciais, degrada e estraga o que poderia ser
bom. Vamos, contudo, tratar do que nos afeta visualmente, diretamente e
fisicamente, o direito de ser e estar com liberdade. Para isso descobrimos que
precisamos inibir gangues de jovens “de menor” que, armados e violentíssimos,
agem até em nome de quadrilhas de adultos, prevalecendo-se de privilégios
legais.
Faz sentido estabelecer uma idade fixa para enquadramento
severo de criminosos?
Obviamente ações criminosas não se submetem a fronteiras
cronológicas rígidas, assim a questão “Maioridade Penal” agora é tema de
discussão nacional. Temos um leque de assuntos que vão do Mensalão aos
assassinatos cometidos por jovens “de menor”. O Mensalão enfrenta no STF um
processo que seus autores nem imaginavam, também acreditavam poder agir
impunemente.
O Congresso Nacional procura criar um privilégio
inacreditavelmente obsceno (PEC 37 afronta Estado Democrático de Direito) e esse mesmo
Congresso Nacional estuda a questão da Maioridade Penal, plebiscitos? Nem
sonhar...
O Estatuto da Criança e do Adolescente (LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.) é um documento bem
intencionado, assim como muitos outros, mas seria funcional? Devemos fazer uma
análise do que significam esses documentos e como afetam a vida nacional. O
objetivo de nossas leis é fazer Justiça (JUSTIÇA É
UTOPIA?)
ou disciplinar a sociedade, viabilizando as monstrópoles e a vida em qualquer
outro lugar desse país continental?
A idade limite para ser “de menor” é critério sensato?
Os brasileiros optaram pelo formalismo e a amarração de tudo
o que fosse possível com leis, decretos, normas, regulamentos, certidões,
carimbos etc. Criaram até selo holográfico para enfeitar papeis que poderiam
ser dispensados ou racionalizados. Diante de tantos documentos os tribunais
caíram na comodidade da jurisprudência formalista, chegamos à Economia do (Vigiar e Punir) . Isso é Justiça?
Sociedade racional?
O aspecto tenebroso é a ascendência de grupos organizados de
poder sobre os demais, afinal têm o amparo de leis contra situações mais do que
evidentes de comportamento criminoso. Um bom exemplo norte americano do que
isso significa é a saga de Eliot Ness [2] (DESTAQUE DA SEMANA - OS INTOCÁVEIS, 2012) . O filme “Os
Intocáveis” é parte da realidade norte americana, mas um espelho do que
presenciamos em nossas cidades...
Pouco a pouco caminhamos para um estado que pretende ser
disciplinador, mas que desperdiça recursos inviabilizando a organização funcional
da sociedade [ (ALESSANDRA DUARTE, 2011) , (Atenção, leitores! Eles criam 1.150 leis por dia para infernizar a nossa
vida e nos tornar mais improdutivos menos felizes, mais pobres e menos
inteligentes , 2011) ].
Vivemos momentos de perplexidade que Hannah Arendt (Cascaes,
Livros e Filmes Especiais) explica
minuciosamente quando no século 20 escreveu e publicou inúmeros livros, mais
ainda com a perspectiva do totalitarismo e do racismo.
O (O Medo à Liberdade) pode levar nosso
povo a soluções extremas, como já aconteceu ao longo da história do Brasil. Até
a defesa de teses monárquicas aparece; talvez seus defensores esqueçam que
famílias reais, como em qualquer outra família, se degradam no luxo, na
opulência e no aconchego de ambientes faustosos e cercados pelos parasitas das cortes.
Nunca é demais insistir na leitura de (Humano, Demasiado Humano) .
O que assusta é saber que poderemos ter “ajustes” a partir
do Congresso Nacional e da Presidência da República.
Lamentavelmente os constituintes de 1988 partiram do
princípio de que o Brasil poderia viver com leis únicas, não diferenciadas em
função de suas regiões, criando-se camisas de modelo e tamanho único para
corpos tão diferentes.
Nosso país não deslancha e é fácil entender. As prioridades
dos políticos são as reeleições e a satisfação de companheiros e patrocinadores
de campanhas, com raras exceções que devem existir. O espírito de matilha é até
compreensível, afinal a Humanidade já tem mais sete bilhões de indivíduos.
Em tempos de internet dependemos de intermediários para
decidirem em nosso nome. Precisamos de representantes? Não seria oportuno
começar a transformação política rumo à Democracia Direta (Cascaes,
Democracia Direta sem intermediários) ?
Infelizmente é difícil mudar convicções, culturas e
comportamentos.
Entendemos, contudo,
que está na hora de estatutos, leis e decretos darem mais liberdade ao Poder
Judiciário para, por sua vez, fugir do formalismo e envolver com mais
disposição educadores, médicos, sociólogos e até urbanistas em suas decisões.
Os administradores públicos, por sua vez, precisam centrar
esforços e ter como prioridade a Educação. É lógico que para pagar tudo o que
for necessário devemos passar por reformas fiscais e aumentar nosso potencial
de investimentos sociais, crescendo economicamente.
O Brasil pode vir a ser mais capaz se investir em obras de
efeito real em seu desenvolvimento social e econômico. Entretanto, decisões e prioridades
brasilienses, principalmente, assustam.
Temos tudo a ser corrigido; as trapalhadas federais apavoram
e têm reflexos na criação de uma cultura de alienação, diante da desilusão
criada pela impotência de nossos jovens diante dos poderosos de plantão.
Na expectativa de dar vexame na Copa do Mundo, para agradar
nossa torcida padrão “Família Adams” e corrigir desvios absurdos, o debate
sobre a maioridade penal tornou-se matéria urgente na agenda política, mas é apenas
um detalhe do que é preciso fazer se quiserem agradar os gringos e avançar na
normalização jurídica do Brasil, o CNJ (Noblat, 2011) que o diga.
Cascaes
10.6.2013
Hierarquia de necessidades de Maslow. (5 de 6 de 2012). Fonte: Wikipédia, a enciclopédia
livre.: http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow
ALESSANDRA DUARTE, C. O. (18 de 6 de 2011). Brasil
faz 18 leis por dia, e a maioria vai para o lixo. Fonte: O GLOBO Política:
http://oglobo.globo.com/politica/brasil-faz-18-leis-por-dia-a-maioria-vai-para-lixo-2873389
Amorim, C. (2012). Assalto ao Poder - O Crime
Organizado. Rio de Janeiro -São Paulo: Record.
Azevedo, R. (25 de 9 de 2011). Atenção, leitores!
Eles criam 1.150 leis por dia para infernizar a nossa vida e nos tornar mais
improdutivos menos felizes, mais pobres e menos inteligentes . Fonte: Veja
- Blogs e Colunistas:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/atencao-leitores-eles-criam-1150-leis-por-dia-para-infernizar-a-nossa-vida-e-nos-tornar-mais-improdutivos-menos-felizes-mais-pobres-e-menos-inteligentes/
Cantarini, P. (s.d.). PEC 37 afronta Estado
Democrático de Direito. Fonte: Consultor Jurídico:
http://www.conjur.com.br/2013-jun-10/paola-cantarini-pec-37-afronta-estado-democratico-direito
Cascaes, J. C. (s.d.). Fonte: Livros e Filmes
Especiais: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/
Cascaes, J. C. (s.d.). Democracia Direta sem
intermediários. Fonte: A favor da Democracia no Brasil:
http://afavordademocracianbrasil.blogspot.com/2011/03/democracia-direta-sem-intermediarios.html
Ferry, L. (2006). Aprender a Viver - Filosofia para
os novos tempos. (V. L. Reis, Trad.) Rio de Janeiro: Objetiva.
Foucault, M. (s.d.). Vigiar e Punir. Vozes.
Fromm, E. (s.d.). O Medo à Liberdade. Zahar.
Golding, W. (s.d.). O Senhor das Moscas -
"Lord of Flies". Editora Nova Fronteira.
Hobsbawm, E. (s.d.). Como Mudar o Mundo. (D. M. Garschagen,
Trad.) Editora Schwarcz S.A.
LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. (s.d.). Fonte: Presidência da República:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
Nietzsche, F. (s.d.). Humano, Demasiado Humano
(2 ed.). (A. C. Braga, Trad.) escala.
Noblat, R. (15 de 11 de 2011). Eliana Calmon, do
CNJ, reafirma "existe bandidos de toga". Fonte: O Globo Blogs:
http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2011/11/15/eliana-calmon-do-cnj-reafirma-que-ha-bandidos-de-toga-416650.asp
Russell, B. (s.d.).
Frases de Bertrand Russell. Fonte:
RONAUD!COM:
http://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-de/bertrand-russell
Sardinha, L. A. (22 de 5 de 2012). DESTAQUE DA
SEMANA - OS INTOCÁVEIS. Acesso em 10 de 6 de 2013, disponível em
blogdasmariasmq:
http://blogdasmariasmq.blogspot.com.br/2012/05/destaque-da-semana-os-intocaveis-eliot.html
Souza, D. (s.d.). JUSTIÇA É UTOPIA? Fonte: Jus
navegandi: http://jus.com.br/forum/75917/justica-e-utopia/
[1] Luc Ferry
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Luc
Ferry (nasceu a 1º
de janeiro de 1951 em Colombes no departamento de Hauts-de-Seine, França), é um filósofo francês e antigo professor de filosofia e político
engajado em favor da União para um movimento popular (UMP). Biografia
Ele
casou-se em primeiras núpcias com Dominique Meunier, com quem teve uma filha,
Gabrielle. Após o seu divórcio, ele casou-se com Marie-Caroline Becq de
Fouquières e teve 2 outras crianças.
Ele foi
Ministro da Educação Nacional, França, sob o governo de Jean-Pierre Raffarin de
2002 a 2004.
Ele critica
algumas tendências do ambientalismo no seu livro A Nova Ordem Ecológica. Na
conferência, 9 de Abril de 2005 naSorbonne, com o tema "O que é filosofia? ". Ele a define como uma
soteriologia, isto é, uma doutrina da salvação. É, portanto, um concorrente dos
grandes religiões. A filosofia não é uma reflexão crítica.
De acordo
com Ferry, uma filosofia começou a ser completa quando ela se afasta de Deus.
Quanto mais a filosofia for ateia, mais corresponde à definição de filosofia.
[2] Eliot Ness
Retrato do
agente Eliot Ness (1903-1957).
Eliot
Ness (19 de
Abril de 1903 - 16 de Maio de 1957) foi um agente do Tesouro Americano conhecido como um detetive insano . Casado
com Betty Ness, teve um filho chamado Robert Eliot Ness. Em 1926, Eliot Ness
era líder de uma equipe de agentes federais apelidada de "Os
Intocáveis", notabilizada pela participação na prisão do gângster Al Capone, que morreria em 1947, e em diversos casos de
investigação de crimes durante a Lei Seca. Em 16 de Maio de 1957, Eliot Ness morreu de um ataque cardíaco, com
uma dívida de 9.000 dólares, resultado de um investimento numa empresa que inventara uma fórmula, que
não deu certo, para evitar falsificação de cheques. Diferente do que ocinema mostra, Eliot nunca se encontrou
com Al Capone na vida real.
Eliot Ness
escreveria um livro de memórias chamado "The Untouchables" que depois
seria adaptado para a televisão, tornando-se uma famosa série
policial. Eliot Ness foi
interpretado pelo ator Robert Stack. O programa foi exibido de 1959 a 1963.
Em
1987, Brian De
Palma dirigiu uma
bem-sucedida adaptação para o cinema da série: Os Intocáveis (The
Untouchables), com Kevin Costner no papel de Eliot Ness e Robert De Niro no papel de Al Capone. Com a trilha sonora de Ennio Morricone.
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 11, 2013
Nenhum comentário:
Marcadores:
estatutos,
Maioridade Penal,
Poder Judiciário,
violência
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Maioridade Penal
Um tema que merece debates amplos, técnicos, políticos,
sociológicos e até de urbanistas é a questão da Maioridade Penal. É assunto holístico[1]
por excelência exigindo uma análise de tudo quando, no caso do Brasil, chegamos
ao desespero diante do crescimento da criminalidade e de atos extremamente
violentos contra pessoas e famílias desarmadas, indefesas por força de lei.
O que produziu esse cenário de violências?
Para começar devemos entender que qualquer ser humano, se
nascer e crescer sem condições para sobreviver nas monstrópoles, poderá se
tornar uma pessoa violenta ou simplesmente um trapo humano, dependendo de
esmolas ou de procurar em lixões o que precisa para sobreviver.
Nações ricas e poderosas criaram gerações de criminosos da
pior espécie, o racismo e genocídios recentes, principalmente durante o século
20, demonstram o efeito da educação estatal, centralizada e dirigida por
pessoas criminosas. Podemos concluir do que sabemos que a Educação é uma
tremenda arma para a produção de criminosos quando subordinada a interesses “de
estado”.
Precisamos, contudo, de investimentos colossais e
emergenciais em Educação para que nossas crianças não sejam objeto de demandas
prisionais. Felizmente no Brasil o mote racista e xenófobo ainda não existe,
permitindo-nos acreditar que nossas escolas públicas sejam, ou possam ser de
boa qualidade.
A criminalidade, contudo, tem muitas causas que precisam ser
consideradas.
Cidades com milhões de habitantes terão, estatisticamente,
algo em torno de 1 a 3% de cidadãos psicopatas[2],
muitas vezes em cargos gerenciais, políticos e dentro de outros poderes
instituídos. Quem quer que passe distraidamente pelo centro dessas selvas de pedra
estará cruzando com feras que só não pularão no pescoço do caminhante por falta
de um gatilho fácil de acontecer.
O Brasil discute a mudança matemática (adoramos leis exatas,
precisas e dentro da “economia” das punições (Foucault) ) da fronteira
cabalística entre ser ou não ser criminoso. É até divertido, se não fosse
mórbido, lembrar que fechamos penitenciárias (e reformatórios?) para abrir
espaços de especulação imobiliária e criação de mais repartições públicas.
Não vemos investimentos em penitenciárias, cadeias,
policiamento etc. na dimensão necessária à compensação do que nunca se fez, até
porque a maior parte do dinheiro do contribuinte vai para sustentar a
especulação nacional e internacional após eventos como a inflação do tomate e
do feijão carioquinha (ou seria para desvalorizar o Real e facilitar a vinda de
turistas para a Copa do Mundo?).
Estados e municípios raramente bem administrados e sem
recursos não podem atender a demanda criada pelo Poder Judiciário (sempre mais
atento a seus interesses corporativos) ao condenar milhões de miseráveis ao
encarceramento. A solução seria transformar a prisão num negócio? Pode ser um
bom investimento se o contribuinte tiver condições de pagar (Moreira) para empresários (Grabianowski) e até para as
pessoas reclusas se tudo seguir um caminho sério e responsável.
Poder Judiciário é a denominação da instituição que gerencia
as leis produzidas no Brasil [ (Brasil faz 18
leis por dia, e a maioria vai para o lixo, 2011) , (Atenção, leitores! Eles criam 1.150 leis por dia para infernizar a nossa
vida e nos tornar mais improdutivos menos felizes, mais pobres e menos
inteligentes , 2011) quantas mesmo?]. Diante da
jurisprudência existente e na lógica ilógica de cenários que dependem acima de
tudo do poder político, financeiro e técnico das pessoas indiciadas com certeza
temos um Brasil extremamente injusto.
E o que é Justiça, existe (JUSTIÇA É
UTOPIA?) ?
Essa é uma das utopias mais enraizadas na cultura universal.
Produto do maniqueísmo de estado e funcional por necessidade de disciplinar a
vida humana, lastreada em teses religiosas e conveniências das classes
dominantes, gera uma análise desvirtuada da criminalidade. Aliás, o Brasil
desde a sua formação após a invasão portuguesa estruturou-se para ser o que é.
Desprezando o povo mais humilde, sempre visto como mão de obra escrava e
servil, as elites negreiras, fazendeiras e industriais tinham aqui o paraíso
para todo tipo de luxo. Para uma avalição preliminar valem os livros [ (Gomes, 1808) , (Gomes, 1822 -
Como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro
ajudaram D. Pedro a criar o Brasil - um país que tinha tudo para dar errado.,
2010) ]
e outros mais precisos que têm sido publicados (Livros e Filmes Especiais) . A bibliografia já é
grande, sempre lembrando que o Brasil é simplesmente mais um país onde a
natureza humana, ainda predadora ao extremo, se revelou em sua formação.
A Europa é um exemplo vivo das limitações comportamentais e
intelectuais que levam a crimes absurdos e coletivos.
Alguns livros colocam outras teses (Freakonomics) que, diante da
gravidade do cenário brasileiro merecem atenção.
Não podemos também deixar passar uma crítica angustiante
vendo e ouvindo filmes e programas nas emissoras de televisão comercial. As
janelas colocadas dentro das casas brasileiras servem para deseducar e
estimular os piores instintos, mais ainda na TV paga, onde enlatados trazem
filmes que as crianças e jovens podem ver quando os pais estão fora de casa.
Obviamente os “donos” dessas concessões federais se sentem ultrajados quando se
menciona algum controle sobre seus interesses monetários (liberdade de
imprensa!!!!). Suas fortunas são construídas sobre a tragédia nacional da
deseducação em massa.
Nossas instituições são precárias, mal administradas, onde o
corporativismo é mais importante do que a preocupação de se construir um país
mais justo.
Educar, alimentar, amar as crianças é plantar árvores
culturais que adiante darão bons frutos. Agora temos um deserto onde impera o
medo e a vingança.
O que intriga é que a vítimas são “culpadas” e os criminosos
as maiores vítimas.
Estamos em situação equivalente a das cidades medievais
submetidas a quarentenas, quando as famílias eram presas em suas casas e
abrigos, na esperança de se conter epidemias que viabilizaram inúmeras
catedrais na Europa. Atualmente observamos o extermínio de aves e animais na
impossibilidade de se conter epidemias novas e assustadoras.
A ignorância[3]
de causas e efeitos de comportamentos nocivos é desastrosa e leva a debates como
temos agora no Brasil, onde a satanização do menor infrator está na moda.
Evidentemente chegamos a situações emergenciais. A fronteira
cabalística entre jovens inimputáveis e culpados induzem até um menor de idade (Torcedor
corintiano que disparou sinalizador se apresenta à Justiça) a se considerar
culpado da morte de um torcedor boliviano (um garoto de 14 anos). Ou seja, ser
“de menor” é o aval para qualquer crime.
O crime maior, contudo, é o desprezo pelas crianças a quem
faltam creches (Déficit de
vagas nas creches de Curitiba é de 63%, diz MP, 2011) , escolas e ambientes
saudáveis para crescerem. Dentro de uma década milhões delas estarão no rol dos
condenados se não lhes dermos a
disposição, paixões e cuidados que temos para prioridades até desprezíveis...
Cascaes
9.6.2013
ALESSANDRA DUARTE, C. O. (18 de 6 de 2011). Brasil
faz 18 leis por dia, e a maioria vai para o lixo. Fonte: O GLOBO Política:
http://oglobo.globo.com/politica/brasil-faz-18-leis-por-dia-a-maioria-vai-para-lixo-2873389
Azevedo, R. (25 de 9 de 2011). Atenção, leitores!
Eles criam 1.150 leis por dia para infernizar a nossa vida e nos tornar mais
improdutivos menos felizes, mais pobres e menos inteligentes . Fonte: Veja
- Blogs e Colunistas:
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/atencao-leitores-eles-criam-1150-leis-por-dia-para-infernizar-a-nossa-vida-e-nos-tornar-mais-improdutivos-menos-felizes-mais-pobres-e-menos-inteligentes/
Cascaes, J. C. (s.d.). Fonte: Livros e Filmes
Especiais: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/
Foucault, M. (s.d.). Vigiar e Punir. Vozes.
Freakonomics.
(s.d.). Fonte: Livros e Filmes Especiais: http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2010/05/freakonomics.html
Gomes, L. (s.d.). 1808. Fonte: Livros e Filmes
Especiais, Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta
enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil:
http://livros-e-filmes-especiais.blogspot.com.br/2013/02/1808.html
Gomes, L. (2010). 1822 - Como um homem sábio, uma
princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram D. Pedro a criar o
Brasil - um país que tinha tudo para dar errado. Rio de Janeiro: Nova
Fronteira Participações S.A.
Grabianowski, E. (s.d.). Como funcionam os
presídios nos Estados Unidos. Fonte: comotudo funciona:
http://pessoas.hsw.uol.com.br/presidios.htm
Moreira, R. d. (s.d.). A privatização das prisões.
Fonte: UFSC: http://www.bu.ufsc.br/privatizacao.html
Souza, D. (s.d.). JUSTIÇA É UTOPIA? Fonte: Jus
navegandi: http://jus.com.br/forum/75917/justica-e-utopia/
[1] Holismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Holismo (do grego holos que
significa inteiro ou todo) é a ideia de que as propriedades de um sistema, quer se trate de seres humanos ou outros organismos, não podem ser
explicadas apenas pela soma dos seus componentes. O sistema como
um todo determina como se comportam as partes.
O princípio
geral do holismo pode ser resumido por Aristóteles, na sua Metafísica, quando afirma: O todo é maior do que a
simples soma das suas partes.
A palavra
foi criada por Jan Smuts, primeiro-ministro da África do Sul, no seu livro de 1926, Holism and Evolution, que a definiu assim: "A tendência
da Natureza, através de evolução criativa, é a de formar qualquer
"todo" como sendo maior do que a soma de suas partes". 1
É também
chamado não-reducionismo, por ser o oposto do reducionismo e ao pensamento cartesiano. Pode ser visto também como o oposto de atomismo ou mesmo do materialismo.
De uma
forma ou de outra, o princípio do holismo foi discutido por diversos pensadores
ao longo da História. Nomeadamente pelo primeiro filósofo que
o instituiu, para aciência, que foi o francês Augusto Comte (1798-1857) ao sobrepor a importância do espírito de
conjunto (ou de síntese), sobre o espírito de detalhes (ou de análise), para
uma compreensão adequada da ciência em si e de seu valor para o conjunto da
existência humana. Entretanto, já no nosso tempo, o sociólogo e médico Nicholas A. Christakis explica que "nos últimos séculos o
projecto cartesiano na ciência tem sido insuficiente ou redutor ao pretender
romper a matéria em pedaços cada vez menores, na busca de entendimento. E isso
pode funcionar, até certo ponto ... mas também recolocar as coisas em conjunto,
a fim de entendê-las melhor, devido à dificuldade ou complexidade de uma
questão ou problema em particular, normalmente, vem sempre mais tarde no
desenvolvimento da pesquisa, da abordagem de um cientista, ou no
desenvolvimento da ciência"2 .
[2] Psicopata
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Psicopata, a rigor designa um indivíduo,
clinicamente perverso que tem personalidade psicopática. Contudo, essa última
categoria nosológica em especial, dá o nome ao grupo conhecido como sociopatas. Estes por
sua vez, na perspectiva psicanalítica são os portadores de neuroses de caráter
ou perversões sexuais.
Na Classificação Internacional de Doenças, este transtorno é chamado de Transtorno
de Personalidade Dissocial (Código: F60.2).1 Na população em geral, as taxas dos
transtornos de personalidade podem variar de 0,5% a 3%, subindo para 45-66%
entre presidiários.2
Transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações
sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio
considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O
comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas,
inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo
limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma
tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para
explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a
sociedade.1
Embora
popularmente a psicopatia seja conhecida como tal, ou como "sociopatia", cientificamente, a doença é denominada
como sinônimo do diagnóstico do transtorno de personalidade antissocial.
Por Dicionário inFormal (SP)
em 12-05-2009
Não ter conhecimento de; não saber; não usar de; não
ter.
ignorar é não tomar conhecimento
de pessoas ou fatos, por desprezo ou indiferencia (sic). Não dar ouvido a algo
que ver, faz ou fatos ocorrentes ou ocorridos. Não tem interesse de outrem e
nem de sí mesmo.
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
junho 10, 2013
Nenhum comentário:
sexta-feira, 31 de maio de 2013
NO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
Sexta-feira, 31 de Maio de 2013
mensagem da apDC NO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
01.JUNHO.2013
mensagem da apDC
NO DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
Preservar a integridade física ou moral das crianças – imperativo de cidadania!
“Grande é a poesia, a bondade e as danças,
Mas o melhor do mundo são as crianças,
flores, música, o luar e o sol…”
[Liberdade, Fernando Pessoa]
A Directiva Europeia da Comunicação Social Audiovisual estabelece na alínea f) do seu artigo 9.º o que segue:
“As comunicações comerciais audiovisuais não devem prejudicar física ou moralmente os menores. Por conseguinte, não devem exortar directamente os menores a comprarem ou alugarem um produto ou serviço aproveitando-se da sua inexperiência ou credulidade, não devem encorajá-los directamente a persuadirem os pais ou outras pessoas a adquirirem os produtos ou serviços que estejam a ser publicitados, não devem aproveitar-se da confiança especial que os menores depositam nos pais, professores ou outras pessoas, nem devem mostrar sem motivo justificado menores em situações perigosas.”
Nem sempre os propósitos das leis se cumprem no dia-a-dia.
Os desenhos da lei são, por vezes, como que tocados pela perfeição.
Estranho é que “da lei nos livros à lei na sua aplicação prática, à lei em acção” diste, quantas vezes, um abismo!
O que se pretende é que no Dia da Criança, que a 1 de Junho se cumpre, responsáveis pelos distintos segmentos – dos agentes políticos aos capitães da indústria – se tome de cada um e de todos o solene juramento de que passarão doravante a respeitar as crianças na sua integridade física, moral e intelectual, que tudo farão para prevenir e reprimir práticas que atentem contra o seu estatuto, que se absterão de cometer, por acção ou omissão, qualquer pecado contra as crianças, mormente a exploração da sua candura e inocência, como a ignóbil manipulação com intuitos declaradamente mercantis...
A apDC, que se tem empenhado particularmente em que a publicidade dirigida às crianças ou que as envolva directamente se conforme aos desígnios da lei, saúda as CRIANÇAS DE PORTUGAL E DO MUNDO e ergue, em prece, as mãos aos Céus para que as CRIANÇAS deixem de ser o alvo preferencial de agentes económicos destituídos de sensibilidade, inescrupulosos, em atitude de permanente desrespeito pela autonomia ética de cada uma e todas, e se preservem como radioso futuro de uma Humanidade que se quer cada vez mais SENSÍVEL e HUMANA.
Contra a violência, a pornografia, a exploração sexual, a exploração de mão de obra infantil e o absentismo escolar, para além da sua exploração mercantil na comunicação comercial, no marketing e na publicidade.
Honra às crianças e aos seus naturais suportes.
Que se preserve a dignidade das crianças que carecem naturalmente de toda a protecção para crescerem em ambiente de descontracção e liberdade sem que lha tolham os agentes do mal, condicionando-as e manipulando-as de forma ignóbil.
Se o “melhor do mundo são as crianças” que as atitudes se compaginem autenticamente com as proclamações e as profissões de fé que um pouco por toda a parte se manifestam ou se pressentem. Ainda que, em um ror de situações, com uma intolerável hipocrisia, que importa denunciar a todo o transe.
Construamos o futuro amparados numa infância e juventude subtraídas às forças do mal em seus pluriformes embustes.
Tal desideratum é tarefa de cada um e todos.
Que ninguém se perfile fora desta trincheira!
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
maio 31, 2013
Nenhum comentário:
terça-feira, 28 de maio de 2013
A publicidade infantil deveria ser proibida ou tornar-se alvo de legislação mais rígida?
Teor da entrevista concedida a uma prestigiosa
Revista de Brasília – a REVISTA
JURÍDICA CONSULEX – por Ângela Maria Marini Simão Portugal
Frota, directora do Centro de Formação para o Consumo da apDC/Direcção Nacional,
e que veio a lume no n.º 387, do dia 1.º de março de 2013, da aludida
publicação.
Entrevista publicada ainda no NETCONSUMO, edição
de hoje, 28 de Maio de 2013.
EDUCAÇÃO
PARA A PUBLICIDADE
REALIDADE NECESSÁRIA TAMBÉM NO BRASIL
ÂNGELA MARIA MARINI SIMÃO PORTUGAL FROTA é especialista em Educação para o Consumo e
para a Segurança Alimentar. Dirige o Centro de Formação para o Consumo de
Coimbra (Portugal), adstrito à apDC - Associação Portuguesa de Direito do
Consumo.
Com intensa atuação em atividades voltadas à
educação para o consumo, a insigne entrevistada fala à Consulex
em perspectiva que abrange a responsabilidade das famílias, das escolas, da
sociedade como um todo e do Estado com relação à publicidade infantil, em
sintonia com a diretriz de proteção à criança e ao adolescente, traçada pela
Constituição Federal de 1988.
Ao tratar deste fenômeno publicitário a partir
da larga experiência que merece nota, e da observação do enfrentamento da
questão em outros países, inclusive citando efeitos nefastos da publicidade
infantil para este grupo em fase de formação, não apenas suscita o dever de
proteção de crianças como inspira uma proposta legislativa protetiva mais
eficiente, dentre outras medidas que podem ser observadas desde já, para o
estabelecimento de uma verdadeira educação para a publicidade.
Revista Jurídica
CONSULEX – A
publicidade infantil deveria ser proibida ou tornar-se alvo de legislação mais
rígida?
Especialista ÂNGELA
MARIA MARINI SIMÃO PORTUGAL FROTA – Em nosso entender, a publicidade dirigida ao público infantil deve ser
totalmente proibida, em qualquer suporte. Isto porque crianças até os 7 anos –
e estudos mais avançados permitem estender esta idade até os 10 anos – não
distinguem a publicidade de qualquer outro programa que lhes seja dirigido.
CONSULEX – As crianças, então, não estão preparadas
para a interpretação dos apelos publicitários que as cercam cotidianamente?
ÂNGELA MARIA FROTA – De modo algum. Em programas de televisão, celulares, redes sociais, outdoors, escolas e shoppings,
por exemplo, há publicidade infantil, com estímulos diários. Uma
criança precisa de apenas dois visionamentos de um anúncio, de uma mensagem,
para absorvê-lo na íntegra, ao passo que o adulto precisa de treze contatos com
o conteúdo para atingir o mesmo fim. Se atentarmos que as crianças entre 2 e 5
anos veem cerca de 27,5 horas de
televisão por semana (e 20%
deste tempo é gasto em publicidade),
isso representa uma média de 26
a 27 000 mensagens publicitárias por ano. Estamos perante autênticas lavagens
ao cérebro.
CONSULEX – Qual o maior risco desta realidade para
as crianças?
ÂNGELA MARIA FROTA – Confrontamo-nos com uma
total falta de ética na publicidade, de que decorrem práticas reprováveis, como
a manipulação infantil. A venda de
produtos ficou mais sofisticada a partir de 1998 - denúncia feita Suzan Linn (professora
de Psiquiatria na Escola Médica de Harvard), num documentário - “The
corpotation” - que foi boicotado pelas televisões dos EUA e de muitos outros
países. Referia-se concretamente à manipulação infantil para comprar produtos.
Duas grandes corporações, a West
International Media Century City (WIMCC) e a Lieberman Research World Wide
(LRW), fizeram estudos sobre a teimosia infantil. Estes estudos não se destinavam a auxiliar os pais a
lidar com a teimosia da criança, mas a ajudar as corporações a “ensinar”
crianças a pressionar os pais
para adquirir produtos ou marcas da sua preferência, da maneira mais eficiente.
Só nos Estados Unidos estas duas corporações despendem 12 bilhões de dólares por ano, para manipular o comportamento das crianças e
jovens por meio da publicidade e do marketing. O que se pretende, no
fundo, é formar futuros sujeitos
acríticos e manipuláveis perante os apelos do consumismo globalizado.
CONSULEX – Uma providência legal neste sentido
atenta contra a liberdade de expressão?
ÂNGELA MARIA FROTA – As crianças são o melhor do mundo; como poderemos consentir que
agentes pouco escrupulosos as manipulem sem qualquer pudor e impunemente? Não
se venha alegar que a proibição pura e dura constitui uma afronta ao princípio da liberdade de expressão, a qual, em
termos constitucionais, não se confunde com meras estratégias mercadológicas. O
tema da liberdade de expressão merece análise na esfera político-ideológica, e
não no campo da publicidade e do marketing. Além disso, a ética, a deontologia e
a lei podem impôr legitimamente restrições ou proibições por razões de
interesse público e de defesa da dignidade humana à comunicação comercial e às
estratégias mercadológicas.
CONSULEX – Como os países europeus enfrentam esse
problema?
ÂNGELA MARIA FROTA – Países como a Suécia e a Noruega, entre outros, proíbem a publicidade,
em qualquer suporte, dirigida a menores de 12 anos, preparando-se para ampliar esta
proibição, ao que se julga saber, até os 14 anos. No Canadá, o Quebec tem
proibição até os 13 anos. Países outros há que fazem sérias restrições a tais
mensagens - a Inglaterra que, entre outras regras, proíbe práticas como o uso
de mascotes em publicidade a alimentos; cortes rápidos de edição, com o escopo
de não confundir as crianças; a insinuação de que a criança será inferior se
não usar um produto anunciado; o encorajamento da valentia e o uso de efeitos
especiais; na Grécia, vale ressaltar, a proibição a publicidade de brinquedos
das 07:00 às 22:00 horas; na Bélgica, é vedada a publicidade dirigida às crianças
na região da Flandres; e, na Irlanda, em
programas infantis na TV aberta. Estes países têm níveis elevados de educação
para o consumo na qual se abrange a educação para a publicidade, desde a mais
tenra idade. Estes programas estão inseridos nos currículos escolares de forma
transversal. Também há programas de informação para o consumo, em horário nobre
(prime time), na TV e demais órgãos
de comunicação social. Por mais que as agências de publicidade e marketing lutem contra tais programas,
os poderes públicos destes países não permitem que sejam retirados ou vedados.
CONSULEX – No âmbito da União Europeia, há esforço
maior em afastar a publicidade infantil?
ÂNGELA MARIA FROTA – Na União Europeia, por proposta da apDC - Associação Portuguesa de Direito do Consumo,
apresentada ao Comitê Econômico e
Social Europeu (CESE), seu órgão consultivo, se elaborou um parecer de iniciativa – aprovado
quase por unanimidade, em 18 de setembro de 2012 – em que se sugere a proibição
da publicidade protagonizada por crianças e dirigida à mesma faixa etária em
geral e nas televisões generalistas, com vista à adoção de um regime análogo ao
da Suécia enquanto não houver, nas escolas, matérias de educação para o
consumo. O parecer está em tramitação na Comissão Europeia para eventual
iniciativa legislativa nesse sentido.
CONSULEX – Que males se busca evitar com esta
iniciativa?
ÂNGELA MARIA FROTA – Os investimentos em marketing
e publicidade prejudicam as crianças e o seu desenvolvimento. Não sendo a única
causa, eles são responsáveis por muitos dos problemas, dos distúrbios que
afetam as crianças de hoje, listando-se os transtornos alimentares (bulimia, anorexia, obesidade); a
erotização e sexualidade precoces; a erosão das brincadeiras criativas; além de
episódios de violência e estresse familiar. Ademais, assiste-se a um aumento
exponencial de alcoolismo em idades muito precoces, muito embora a venda de
álcool seja geralmente vedada a menores de 18 anos, como no caso das
legislações portuguesa e brasileira. No entanto, as leis são sistematicamente
violadas sem que haja, por parte das entidades a quem compete a fiscalização,
uma atuação eficaz e dissuasora.
CONSULEX – É possível, aos pais e responsáveis, de
forma estanque, enfrentar o problema?
ÂNGELA
MARIA FROTA – Em verdade, os pais terão
muita dificuldade em, por si sós, subtrair os seus filhos de tanta agressão. Os
políticos têm que olhar para os cidadãos que os elegem de modo continuado e
permanente, lutando dia a dia para criar condições de vida saudáveis a todos os
cidadãos, a começar pelas crianças. Um país que relega para segundo plano a
educação, ou corta verbas anualmente para este sector, é um país condenado às
galés, é um país sem futuro. Quando o Estado se exime da sua responsabilidade e
as escolas são dotadas de docentes mal remunerados, desmotivados ou
despreparados, o que acontece é vermos as escolas transformadas em nichos de eleição
da publicidade, constituindo autênticas plataformas
preferenciais de comércio, de modo a permitir a manipulação de pais e a doutrinação de alunos. Nesse contexto, detectamos o aliciamento dos professores por
meio da seleção e a deliberada “oferta” de livros escolares, a insinuação de
marcas nos programas de cada uma das disciplinas ou matérias, a publicidade nos
livros escolares e a pretensa
filantropia social com a prática de pretensos “atos de caridade”, como
no caso de visitas
de estudo a pizarias, hamburguerias e casas do estilo.
CONSULEX – Há exemplos na esfera internacional?
ÂNGELA
MARIA FROTA – Sim, há uma pretensa educação para a
publicidade veiculada pelas associações internacionais de anunciantes e mesteres correlativos, que deve
ser sustada. Veja-se o caso do Programa Media Smart, que veio
da Inglaterra aos trambolhões. Foi implementado em algumas escolas portuguesas
pela Associação Portuguesa de
Anunciantes (APAN), com o apoio dos responsáveis do Ministério da
Educação. Nele são os publicitários e quejandos a levar uma pretensa educação
para a publicidade às crianças, nas escolas, com os resultados nefastos daí
decorrentes. É o mesmo que pôr a raposa a guardar o galinheiro. Estão a
vender-nos gato por lebre. E o Estado consente nisso, sem se comover. E agora
até se associou à iniciativa, mas não se estranhe: é que no Estado estão hoje
as crianças de ontem, intensamente manipuladas e que se tornaram acríticas… É
um ciclo vicioso que há que romper impiedosamente!
CONSULEX – Como deve ser a educação para a
publicidade?
ÂNGELA
MARIA FROTA – A educação para a publicidade tem de ser autêntica, autônoma, desipotecada de marcas e de
influências nefastas. Mas seguida de forma autônoma pelas escolas, no quadro da
educação para o consumo. Com a descodificação do fenómeno, de modo gradual, por
grupos etários, numa espiral de aprendizagem que transforme crianças e jovens
acríticos e receptivos a tudo o que lhes queiram impingir em seres críticos,
exigentes, imunes às distintas formas de manipulação que se lhes dirigem.
Só pela massificação da educação conseguiremos resistir a tanto
atropelo, superando os quadros atuais que são de consumado crime de
lesa-cidadania. Para isso, os pais e educadores têm que contar com a criação de
condições para que problema tão grave a médio, longo prazo se resolva. O
obscurantismo tanto serve às ditaduras mais ferozes como aos arremedos de democracia,
em que lamentavelmente vivemos. A crise mundial aí está e é o resultado dos
desvarios a que os sucessivos governos, na Europa, nos conduziram, com o
assentimento silencioso dos povos. Se as crianças são o melhor do mundo, é crime de lesa-pátria não pugnar
denodadamente para que se lhes propicie condições de desenvolvimento saudáveis,
em que não cabem ações de manipulação como as que na publicidade e no marketing
a elas dirigidas se consubstanciam.
By
relatar atividades culturais e reuniões da Academia de Letras José de Alencar - ALJA
às
maio 28, 2013
Nenhum comentário:
Marcadores:
ÂNGELA MARIA MARINI SIMÃO PORTUGAL FROTA,
Centro de Formação para o Consumo da apDC/Direcção Nacional,
Mário Frota,
REVISTA JURÍDICA CONSULEX,
Revista NETCONSUMO
Assinar:
Postagens (Atom)
-
A rosa vermelha é símbolo místico em várias ordens arcanas do conhecimento. O perí...
-
O Universo dentro e fora do ser humano Hipóteses 1 – A complexidade da Natureza ultrapassa tremendamente nossa capacidade de compre...
